Revista Diversidades N.º 64 Periodicidade semestral janeiro a junho de 2024 Título: Inteligência Artificial Estatuto Editorial A Revista Diversidades, criada no ano 2003, é uma publicação eletrónica semestral da Direção Regional de Educação, organismo tutelado pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia da Região Autónoma da Madeira, que tem como objetivo principal disponibilizar, ao público em geral, conhecimento atual, bem como ações e práticas realizadas no âmbito da Educação. Esta publicação pretende fomentar o debate científico e profissional, o intercâmbio de ideias, assim como difundir as opiniões de especialistas que proporcionem melhorias ao nível das práticas educativas e formativas. Paralelamente, pretende informar e divulgar estudos e projetos de investigação ação, desencadeando um espaço de comunicação e de debate de ideias oriundas dos diferentes organismos da sociedade. A Revista Diversidades é divulgada no Portal da Direção Regional de Educação, disponível em https://www.madeira.gov.pt/dre/Estrutura/DRE/Publicações A Revista Diversidades está registada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o número ISSN 1646-1819. Ficha Técnica Diretor: Marco Paulo Ramos Gomes Redação: Serviços da Direção Regional de Educação e colaboradores externos Revisão: Divisão de Apoio Técnico Sede do Editor e Redação: Avenida Calouste Gulbenkian, Edifício 2000, n.º 3, 4.º andar 9004-503 Funchal Telefone.: (+351) 291 145 860 Proprietário: Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia - Direção Regional de Educação NIPC 671000497 Email: revistadiversidades@madeira.gov.pt Grafismo e Paginação - Divisão de Apoio Técnico ISSN 1646-1819 N.º ERC 127798 Distribuição Gratuita - Disponível em www.madeira-edu.pt/dre Índice Artigos Inteligência Artificial. Integração nas escolas - Fatores-Chave António Figueiredo Inteligência Artificial. A máquina sem deus - A Transformação controlada da Escola Carlos Ceia Inteligência Artificial, do quê que estamos a falar? - Reflexões para o ensino Eduardo Fermé A Era da Inteligência Artificial - O Privilégio dos Professores das Ciências da Computação Rodolfo Pinto Inteligência Artificial - Potencial impacto na Educação Inclusiva Pedro Encarnação Testemunho Inteligência Artificial no quotidiano dos alunos - Perceções e preocupações Reflexão Do voto acompanhado ao segredo de voto. Participação política das pessoas com deficiência - Desafios Isabel Catarina Martins, Joaquim Alvarelhão e Rui Coimbras Espaço PSI Inteligência Artificial e Psicologia - Oportunidades e Desafios Miguel Oliveira Legislação União Europeia aprova "lei histórica" para a Inteligência Artificial Livros Sugestões de Ângelo Abreu - Divisão de Recursos Educativos Digitais - DRE Espaço TIC Flip | MagicSchool.ai | Gamma | Pordata Kids Notícias Code Week 2023 - Certificado de Excelência III Encontro Regional - Programa AaZ. Aprendizagem da Leitura, Escrita e Matemática CRJM - Campeonato Regional de Jogos Matemáticos I Encontro - Músicos e Música Madeirense Basquetebol na Cidade - O conjugar perfeito entre "escolar" e "federado" Universidade Sénior - Atividade Intergeracional ACCESS FAST Concurso Educação para os Media Projeto PC4Dys Um despertar colorido Concerto Liberdade na Melodia da Voz Piquenique Saudável promove Educação Alimentar e Diversão Olimpíadas da Biologia Dia Nacional da Educação de Surdos e da Juventude Surda Acreditação Erasmus+ para Internacionalização e Inovação na Educação II Seminário de Saúde e Bem-Estar no Trabalho Vozes de Todos os Tempos - O Regresso à Excelência Concurso Nutrichefe - Uma Celebração da Educação Alimentar com Sabor e Criatividade Semana Regional das Artes - Pequenos Grandes Artistas em Ação Projeto Folheando Emoções XXIX Encontro Regional do Ensino Básico Recorrente | 1.º ciclo Editorial Marco Gomes Diretor Regional de Educação Este número da Revista Diversidades, com a temática “Inteligência Artificial” assume e partilha as inovadoras e desafiantes perspetivas da integração das Tecnologias, nomeadamente, da Inteligência Artificial (IA), no contexto educativo e escolar, cuja primeira barreira “é a incerteza criada por uma tecnologia pouco conhecida nos meios escolares”. Começamos com “Inteligência Artificial. Integração nas escolas- Fatores-Chave”, onde, através da compreensão e discussão dos princípios da IA na sala de aula, se pretende não só desmistificar os seus potenciais riscos e perigos, mas também ganhar insights válidos e valiosos sobre a natureza da inteligência humana e as suas interações com a tecnologia. Isso implica, naturalmente, “novos” e “renovados” desafios éticos que a adoção destas ferramentas coloca aos sistemas escolares e, também, à sociedade e as “inevitáveis” e “indispensáveis” transformações pedagógicas nas escolas e nos contextos de aprendizagem. É sobretudo saber e ter “capacidade para tirar partido dos assistentes inteligentes”, o que depende dos princípios da “precaução, do diálogo e da cultura”. É necessário assumir um novo paradigma na educação e nas nossas práticas educativas e, nos nossos currículos, temos efetivamente de integrar competências críticas relacionadas com a IA, o que deve incluir a “literacia de dados, o pensamento computacional, a conceção de programas curriculares que potenciam a IA, a utilização ética da IA e a preparação dos estudantes para um mundo impulsionado pela IA”. Esta integração “revolucionária” tem por objetivo “potencializar as oportunidades da AI generativa nesta área, inovando as práticas pedagógicas, impulsionando a educação para os desafios da atualidade e promovendo mudanças positivas nos métodos de aprendizagem”. Num contexto em que o sistema educativo encontra-se dominado, entre outras coisas, por uma “burocracia avaliativa insustentável” das aprendizagens, é fundamental que os docentes se possam focar em tarefas mais importantes, “como o planeamento das suas aulas e a interação com os seus alunos”. É, por isso, decisivo, neste momento, “repensar o papel da IA no contexto educacional”, sabendo que, não só, “um professor, seja de que nível de ensino for, não perde a sua natural capacidade de ensinar se optar por incluir a IA no seu ensino”, como também, a “IA não deve ser vista como um substituto para os professores, mas sim como uma ferramenta poderosa que pode ajudá-los a ensinar melhor e a tornar mais eficaz, e até inovador, aquilo que o professor já domina.[…] A IA não é um deus ex machina, capaz de tudo fazer por nós e de controlar o que fazemos num ato educativo”. Certamente estamos a presenciar o início de uma nova era, “a revolução da Inteligência Artificial”, cada vez mais presente em todos os aspetos e dimensões da nossa vida. Por isso, compreender e discutir os princípios da IA na sala de aula assume particular interesse e relevância, pois a escola não pode deixar de preparar os alunos para “enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades oferecidas por este avanço tecnológico sem precedentes”. Um pequeno passo nesse sentido, está já a ser dado pelos professores das Ciências da Computação, enquanto educadores que se assumem como “inovadores e pioneiros” na incorporação e integração transversal da IA no contexto educativo, podendo, ao “partilharem os seus saberes e respetivas experiências”, desempenhar “um papel crucial na orientação de abordagens pedagógicas inovadoras que incorporam a IA” e contribuir “para a construção de um currículo interdisciplinar robusto e para a criação de um ambiente de aprendizagem colaborativo”. Igualmente, importa referir e destacar o “impacto” decisivo que as tecnologias já apresentam e vão certamente desempenhar no futuro, ao nível da “educação inclusiva”, ou seja, podem ser “um valioso aliado dos professores na criação de um ambiente inclusivo”, na adaptação dos métodos pedagógicos de modo a que todos os alunos acedam ao currículo, participem ativamente em todo o processo educativo e tenham sucesso, sempre, com a noção bem clara que “que as crianças, com e sem deficiência, sejam envolvidas, nunca esquecendo que devem ser elas o foco do processo educativo”. Neste contexto, os sistemas de IA têm, não só, de serem eficientes, como de estarem “eticamente alinhados com os valores humanos”. Nesta abordagem, pode-se destacar o papel da Psicologia que, não só, “pode beneficiar das tecnologias de IA, mas também contribuir significativamente para o seu desenvolvimento”, isto é, que a IA e o seu desenvolvimento sejam guiados “por uma compreensão profunda do comportamento humano e pelos valores que sustentam a nossa sociedade”. Assim, numa escola que queremos, “humana, humanizada, humanizadora e personalizadora”, é preciso agir e intervir, sob pena de estarmos a contribuir para “a criação de uma geração de pessoas estúpidas numa era de máquinas inteligentes”. Destaque dos Artigos A primeira barreira ao uso da Inteligência Artificial nas escolas é a incerteza criada por uma tecnologia pouco conhecida nos meios escolares. António Figueiredo A Inteligência Artificial não é um deus ex machina, capaz de tudo fazer por nós e de controlar o que fazemos num ato educativo. Carlos Ceia Ao compreender e discutir os princípios da IA na sala de aula, não apenas desmistificamos os seus potenciais perigos, mas também ganhamos insights valiosos sobre a natureza da inteligência humana e as suas interações com a tecnologia. Eduardo Fermé O desafio reside em conseguir equilibrar o ensino dito tradicional com a necessidade de integrar, de forma ética e eficaz, a IA generativa e as suas vastas possibilidades, preparando os alunos para prosperarem num futuro ligado à tecnologia. Rodolfo Pinto Os sistemas educativos devem sempre garantir que os interesses dos estudantes são colocados no centro e que as tecnologias digitais são utilizadas para apoiar uma educação baseada na interação humana, em vez de visarem substituí-la. Pedro Encarnação Artigos Inteligência Artificial - Integração nas Escolas - Fatores Chave António Figueiredo - CISUC, Universidade de Coimbra A primeira barreira ao uso da Inteligência Artificial nas escolas é a incerteza criada por uma tecnologia pouco conhecida nos meios escolares. A difícil conciliação entre educação e tecnologias recorda-nos a história do rato que vivia atormentado com o gato das redondezas. Um dia, o rato foi aconselhar-se com a coruja. “É simples”, respondeu esta, “transformas-te em cão e corres tu atrás do gato”. O rato regressou à toca radiante, mas pouco depois voltava à presença da coruja: “Ouve lá, e como é que me transformo em cão?”. “Ora”, retorquio ela, “isso é uma questão de pormenor!". Este artigo aborda alguns pressupostos da integração da inteligência artificial nas escolas, que alguns julgam serem questões de pormenor. Noção intuitiva A primeira barreira que se coloca ao uso da Inteligência Artificial (IA) nas escolas é a incerteza criada por uma tecnologia pouco conhecida nos meios escolares. Alguns peritos da IA têm tentado explicá-la descrevendo os pormenores técnicos e históricos, mas não é isso que faz falta aos professores que querem fazer as primeiras experiências. O que realmente lhes faz falta é uma noção intuitiva que permita passar à ação. Para adquirir essa noção bastará notar que usamos a IA generativa há vários anos nos nossos telemóveis. Quando teclamos uma mensagem de texto, o telemóvel tenta completar a frase, mesmo sem fazer ideia do que iremos escrever. Na prática, o que faz é consultar um repositório de tudo o que escrevemos no passado e, por processos estatísticos, tentar prever o que iremos escrever no futuro. Se a nossa frase for idêntica a uma que tivermos escrito no passado, acertará em cheio. Se for uma frase inteiramente nova, falhará. Os assistentes inteligentes – como o ChatGPT, Microsoft Copilot ou Google Gemini – usam o mesmo princípio de tentar reconstruir frases escritas no passado. A grande diferença relativamente aos telemóveis é que têm acesso a repositórios de milhões e milhões de livros, revistas, blogs e outros textos que se encontram na Internet. Tal como os telemóveis, mas com refinamento muito superior, possuem sistemas automáticos de correção gramatical que lhes permitem construir frases com muito boa qualidade. Diz-se que são sistemas generativos porque vão gerando informação à medida que interagimos com eles. Quando lhes surge uma palavra ou expressão que não consta no seu repositório, registam-na (diz-se que “aprendem” com o utilizador, ou que são “treinados” por ele) e da vez seguinte que a palavra ou expressão ocorre, não hesitarão em inseri-la no lugar próprio. Para além do mecanismo básico de antecipação estatística de palavras, semelhante ao dos corretores ortográficos dos telemóveis, têm outras funcionalidades algorítmicas que reforçam o seu desempenho como assistentes de construção de textos. A sua grande fragilidade resulta da incapacidade de perceberem as palavras que manipulam. Nesse aspeto, estão muito aquém dos sistemas de inteligência artificial tradicionais, que possuem sólidas competências semânticas. Como resultado dessa fragilidade, quando lhes pedimos que expliquem um conceito que não existe, não hesitam em inventar uma resposta, mobilizando construções textuais prováveis mas que nunca existiram. Chegam a referenciar obras que não existem e autores que não as escreveram mas que, à luz das probabilidades, poderiam tê-las escrito. Como são exímios a construir frases convincentes, mas são incapazes de confirmar se são verdadeiras, há que ter o cuidado de verificar todos os resultados que produzem. Nunca se sabe quando é que os seus improvisos estatísticos os levarão a fazer afirmações absurdas, ou, como é corrente dizer-se, a “alucinar” ou “confabular”. Funcionam, e funcionam muito bem, nas situações que podem ser resolvidas pela combinação estatística de textos já escritos, mas são inúteis em todas as outras situações, e serão perigosos se confiarmos neles nessas situações, visto que não hesitarão em responder-nos sem fazerem ideia do que estão a dizer. Outra das suas fragilidades é a falta de qualidade da informação da Internet em que se baseiam, muita dela sem qualquer rigor, impregnada de preconceitos e contaminada por elevados volumes de desinformação. Esta fragilidade é agravada pelas vicissitudes do seu treino, que, pelos custos a que obrigaria se fosse feito por especialistas, é entregue a trabalhadores precários pouco capazes de fornecer treino de qualidade. Por outro lado, depois de colocados no mercado, são treinados pelos diálogos que mantêm com os utilizadores, o que os expõe às mais inesperadas distorções. Basta recordar que a Tay, uma robô criada pela Microsoft em 2016 para dialogar no Twitter, teve de ser desativada ao fim de apenas vinte e quatro horas porque se tinha transformado numa intolerante ativista nazi e racista. Este exemplo também serve para nos recordar que há muita gente mal-intencionada na Internet e que as ferramentas mais inofensivas podem ser desviadas dos seus propósitos originais e usadas para fins perversos, com consequências imprevisíveis. Um dos males mais graves destes sistemas é que fazem uso de textos alheios, desrespeitando de forma flagrante os direitos de propriedade intelectual. Quando lhes pedimos, por exemplo, que façam a análise literária de um poema, poderemos ficar boquiabertos com a qualidade invulgar da resposta, mas teremos de ficar chocados ao pensarmos que os autores reais dessas análises foram expropriados do seu trabalho e nem sequer são mencionados. Além disso, como se apropriam da informação que lhes fornecemos, que utilizam para o seu próprio treino, não poderemos fornecer-lhes quaisquer informações privadas ou confidenciais, que correriam o risco de ser incorporadas em respostas que dessem a terceiros. Princípios fundamentais da interação Assim como os sistemas informáticos tradicionais funcionam executando programas informáticos, os assistentes artificiais generativos funcionam reagindo a pedidos que lhes colocamos em linguagem corrente. Conversamos com eles como se fossem pessoas, colocando-lhes questões que são estímulos (em inglês, prompts) para que nos respondam. É através do diálogo que aprendem aos poucos o que o utilizador pretende (diz-se que vão construindo os modelos do utilizador e do problema). Por isso, quanto mais rico for o diálogo, maior é a qualidade das respostas. Quando lhes fazemos uma pergunta, respondem usando a primeira informação que encontram, mas se lhes pedirmos pormenores diversificam a pesquisa e produzem respostas mais rigorosas e completas. A partir destas características da interação com os sistemas de IA generativa, concluímos que é importante saber conceber estímulos (prompts) ricos, interpretar atentamente os resultados obtidos e aprofundar um diálogo proveitoso. Compreende-se, por isso, que nem toda a gente saiba tirar partido deles. Quanto mais culta, criativa e inteligente for a construção do diálogo, melhor partido retiramos do recurso a assistentes inteligentes. É como se tivéssemos um instrumento musical de qualidade. Se o colocássemos nas mãos de um músico experiente, ouviríamos as mais belas melodias, mas se o entregássemos a quem não sabe tocar, apenas ouviríamos sons desconexos. Podemos resumir dizendo que a capacidade para tirar partido dos assistentes inteligentes depende de três princípios (Figueiredo, 2023): os princípios da precaução, do diálogo e da cultura. Princípio da precaução: Como os assistentes inteligentes são pouco fiáveis, os utilizadores são responsáveis por assegurar a validade e fiabilidade dos resultados obtidos. Princípio do diálogo: Quanto maior for a capacidade de diálogo dos utilizadores com os assistentes inteligentes, maior será a qualidade dos resultados. Princípio da cultura: Quanto melhor for o nível cultural dos utilizadores nos domínios do conhecimento envolvidos no diálogo com o assistente inteligente, melhor será a qualidade da interação e mais habilitados estarão para validar os resultados obtidos e tirar partido deles. Cognição e degeneração O recurso a ferramentas proporciona aos seres humanos três tipos de cognição (Fügener, Gupta & Ketter, 2022; Lodge, Yang, Furze & Dawson, 2023; Stenger, 2024): a cognição delegada, a cognição aumentada e a cognição colaborativa. A cognição delegada, ou cognitive offloading (Risko & Gilbert, 2016), corresponde às situações em que a ferramenta nos poupa o esforço intelectual, como quando recorremos a uma calculadora. A delegação liberta recursos cognitivos para tarefas intelectuais mais nobres, como o pensamento criativo, mas tem o inconveniente de desincentivar o exercício intelectual e conduzir, a prazo, ao declínio de capacidades cognitivas. A cognição aumentada corresponde às situações em que a ferramenta melhora as nossas capacidades cognitivas, tornando-nos intelectualmente mais aptos para fins específicos. Quando conduzimos numa cidade desconhecida com uma aplicação de GPS, o uso da aplicação liberta-nos a mente para nos concentrarmos na exploração do percurso. O conceito de cognição aumentada é levado ainda mais longe pela teoria da mente ampliada (Clark & Chalmers, 1998), que encara as ferramentas que aumentam a cognição como ampliando a nossa própria mente. Uma pessoa cega com uma bengala pode desenvolver a sua cognição do mundo melhor do que se não tiver bengala. A cognição colaborativa ocorre quando as ferramentas aprendem através da interação com os seres humanos (Fügener, Gupta & Ketter, 2022), permitindo criar parcerias dinâmicas para a resolução de problemas, tomada de decisão e atividades criativas. Por exemplo, quando se colabora com um assistente de escrita que, para além de corrigir a gramática, vai sugerindo ideias e analisando o estilo, a cognição humana vai surgindo gradualmente no contexto da colaboração. A cognição colaborativa é um conceito recente, mas a sua investigação sugere pistas promissoras para o estudo da metacognição, autorregulação e corregulação. Esta classificação permite concluir que os benefícios das ferramentas de IA para a aprendizagem dependem dos tipos de cognição que mobilizarmos. As neurociências mostram que a plasticidade neuronal, que está na base da aprendizagem, reforça ou reduz as nossas capacidades cognitivas consoante as exercitamos ou mantemos inativas. Quando usamos as ferramentas de IA como extensões da nossa mente, reforçamos muitíssimo as nossas capacidades cognitivas, mas quando as usamos para poupar esforço, degeneraremos a prazo essas capacidades. Quando delegamos nas calculadoras a nossa capacidade para calcular, deixamos de saber fazer cálculos, o que não será grave se tivermos calculadoras à mão. No entanto, se delegarmos nas ferramentas de IA a nossa capacidade de raciocínio, deixaremos de saber raciocinar para além do muito simples. Se a escola não for capaz de intervir com urgência, estaremos perante a criação de uma geração de pessoas estúpidas numa era de máquinas inteligentes. Conclusões Apresentei alguns dos fatores importantes para facilitar aos professores a integração da IA generativa nas atividades escolares. O primeiro é a criação de uma noção intuitiva do que é um sistema de AI generativa. Na posse desta noção, é mais fácil refletir sobre a natureza, forças e fraquezas destes sistemas e usá-los sem correr o risco de cometer erros pedagógicos graves. Outro fator é o reconhecimento de três princípios importantes para a interação com os sistemas de IA generativa: os princípios da precaução, do diálogo e da cultura. Um terceiro fator é o reconhecimento de que o recurso a ferramenta de IA proporciona distintos níveis de cognição. Uma consequência poderosa desta distinção é o reconhecimento de que a generalização da delegação cognitiva nas ferramentas de IA generativa pode ter efeitos catastróficos sobre a sanidade cognitiva dos cidadãos do futuro e que a superação desta ameaça se encontra largamente nas mãos da escola. Por falta de espaço, não foi possível incluir neste texto outros fatores decisivos, como as transformações pedagógicas indispensáveis nas escolas da era da IA generativa e os desafios éticos que a adoção destas ferramentas coloca às sociedades e aos sistemas escolares. Referências Clark, A., & Chalmers, D. (1998). The Extended Mind. Analysis, 58(1), 7-19. Figueiredo, A. D. (2023). A Inteligência Artificial nas Escolas, Jornal das Letras, 43:1387. Fügener, A., Grahl, J., Gupta, A., & Ketter, W. (2022). Cognitive Challenges in Human–Artificial Intelligence Collaboration: Investigating the Path Toward Productive Delegation. Information Systems Research, 33(2), 678-696. Lodge, J. M., Yang, S., Furze, L., & Dawson, P. (2023). It’s not like a calculator, so what is the relationship between learners and generative artificial intelligence? Learning: Research and Practice, 9:2, 117-124. Risko, E. F., & Gilbert, S. J. (2016). Cognitive Offloading. Trends in Cognitive Sciences, 20(9), 676-688. Stenger, W. (2024, April 5). Interview: António Dias de Figueiredo. ELM Magazine https://bit.ly/3PSTM4W. Inteligência Artificial - A máquina sem Deus - A Transformação Controlada da Escola Carlos Ceia - Universidade Nova de Lisboa A Inteligência Artificial não é um deus ex machina, capaz de tudo fazer por nós e de controlar o que fazemos num ato educativo. O Suplemento de IA ao Quadro Europeu de Competência Digital para Educadores (DigCompEDU) (), publicado a 14/11/2023, é um documento que complementa o DigCompEDU original, integrando competências específicas relacionadas à Inteligência Artificial (IA) na educação. Este documento aponta para um novo paradigma na educação: nas nossas práticas educativas e nos nossos currículos, temos de integrar competências críticas relacionadas com a IA, o que deve incluir: a “literacia de dados, o pensamento computacional, a conceção de programas curriculares que potenciam a IA, a utilização ética da IA e a preparação dos estudantes para um mundo impulsionado pela IA.” O Guia DigCompEDU é muito útil, mas estaremos preparados para dar este salto enorme nas nossas práticas educativas? Em pouco tempo, temos hoje um número considerável de ferramentas à nossa disposição, prontas para integração no ensino para qualquer nível de escolaridade. Podemos usar, inclusive, um modelo de linguagem como o ChatGPT ou o Gemini ou o Copilot para nos fazer um mapa-síntese das ferramentas disponíveis: 1. Personalização da Aprendizagem • Adaptação de Conteúdos: DreamShaper: Cria planos de aula personalizados e adaptáveis. Education Copilot: Gera materiais didáticos e atividades individualizadas. Khan Academy: Oferece videoaulas e exercícios personalizados. • Avaliação Personalizada: Kahoot!: Cria quizzes interativos e avalia o progresso individual dos alunos. Socrative: Permite a criação de quizzes e perguntas em tempo real. GoFormative: Avalia o aprendizado em tempo real com feedback individualizado. • Tutoria Inteligente: Carnegie Learning: Tutoria virtual em matemática e ciências. Khan Academy: Tutoria individualizada em diversas áreas. Studypool: Encontra tutores online para diversas disciplinas. 2. Criação de Conteúdos • Apresentações: Beautiful.ai: Cria apresentações visuais e interativas. Powtoon: Cria animações e apresentações com recursos visuais. Visme: Cria infográficos, apresentações e outros conteúdos visuais. • Vídeos: Biteable: Cria animações e vídeos explicativos. Powtoon: Cria animações e apresentações com recursos visuais. Kapwing: Edita vídeos online com ferramentas intuitivas. • Imagens: DALL-E 2: Gera imagens a partir de descrições textuais. Midjourney: Cria imagens a partir de descrições textuais e comandos de IA. Canva: Cria designs gráficos com ferramentas intuitivas. 3. Gestão da Sala de Aula • Organização: Google Classroom: Cria e gere turmas online, distribui tarefas e acompanha o progresso dos alunos. Microsoft Teams: Plataforma de comunicação e colaboração para turmas. ClassDojo: Ferramenta para gerenciar o comportamento dos alunos e comunicar com os pais/encarregados de educação. • Comunicação: Google Classroom: Permite a comunicação entre professores e alunos. Flipgrid: Cria fóruns de discussão com vídeos curtos. ClassDojo: Permite a comunicação entre professores, pais/encarregados de educação e alunos. • Feedback: Kahoot!: Fornece feedback instantâneo aos alunos durante os quizzes. Socrative: Permite aos professores fornecer feedback em tempo real aos alunos. GoFormative: Fornece feedback individualizado aos alunos sobre seus trabalhos. 4. Ferramentas Diversas • Tradução: Google Tradutor: Traduz textos e fala em tempo real. DeepL: Traduz textos com alta qualidade e precisão. Microsoft Translator: Traduz textos, fala e imagens em tempo real. • Acessibilidade: Claro Read: Ferramenta de leitura assistida para alunos com dislexia. Read & Write: Ferramenta de leitura assistida com diversos recursos. Natural Reader: Ferramenta de leitura assistida que converte textos em voz. • Outras: Grammarly: Verifica a gramática, ortografia e estilo de escrita. QuillBot: Parafraseia textos e ajuda a evitar plágio. MindMeister: Cria mapas mentais online para organizar ideias. Durante a pandemia, aprendemos já a usar muitas destas ferramentas digitais que incorporam IA, porque automatizaram muitas das nossas tarefas de ensino e de aprendizagem, porque nos forneciam feedback imediato, porque permitiam interações audiovisuais imediatas, o que trouxe mais eficácia à educação em geral. Evoluímos rapidamente para um novo universo escolar, que pode integrar tutorias virtuais como o Khan Academy e o Duolingo, que usam IA para fornecer tutorias personalizadas em diversos assuntos, capazes de identificar os pontos fortes e fracos de cada aluno e adaptar o conteúdo e as atividades a necessidades específicas. Evoluímos para o uso de chatbots com IA nas mais diversas tarefas académicas, para responder a perguntas dos alunos e dos próprios professores, para fornecer suporte e até mesmo oferecer orientação individual num trabalho científico ou na preparação de uma aula. Criámos ambientes virtuais adaptados a diferentes ritmos de aprendizagem, o que se mostra cada vez mais útil a uma escola pública cada vez mais heterogénea na sua população. Se vivemos hoje num sistema educativo público dominado por uma avaliação de aprendizagens por domínios e competências desvirtuada por uma burocracia avaliativa insustentável que obriga o professor a estar preocupado com o registo quase mecânico de todos os impulsos e ações dos seus alunos, falta-nos aprender a simplificar esse processo avaliativo, recorrendo a uma maior automatização de trabalhos e testes, para que os professores se possam concentrar em tarefas mais importantes, como o planeamento das suas aulas e a interação com os seus alunos. Não faltam já indicadores de que estamos a caminhar no sentido de desenvolver rapidamente projetos com envolvimento da IA no ensino. Só na minha universidade, e num país que adotou em 2019 uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, podemos destacar projetos como o CriA.on (“Crianças e Adolescentes Online: uma plataforma digital desenvolvida para partilhar recursos com pais, educadores e outros profissionais que lidam com crianças e adolescentes.”) ou opção da NOVA IMS que quis ser “pioneira, em Portugal, na adoção de inteligência artificial generativa em contexto de sala de aula, disponibilizando aos docentes e alunos acesso à tecnologia da Microsoft Azure OpenAI. Esta parceria revolucionária tem como objetivo potencializar as oportunidades da AI generativa nesta área, inovando as práticas pedagógicas, impulsionando a educação para os desafios da atualidade e promovendo mudanças positivas nos métodos de aprendizagem.”; podemos também usar software para exames de classificação automática de IA para professores como: OnlineExamMaker; Digiexam; Synap; Classtime; ExamOnline; ExamBuilder; FlexiQuiz; DigiAssess; Testportal; podemos melhorar muito os manuais digitais e portfolios digitais (mesmo que muitos professores e encarregados de educação portugueses estejam agora a reclamar da experiência-piloto iniciada em 2020 que se fez em mais de 100 escolas, porque não há condições técnicas para o bom uso desta tecnologia em sala de aula). Estes exemplos provam que a IA não deve ser vista como um substituto para os professores, mas sim como uma ferramenta poderosa que pode ajudá-los a ensinar melhor e a tornar mais eficaz, e até inovador, aquilo que o professor já domina. Não se trata de deificar a máquina que nos há-de controlar nos nossos usos profissionais. A IA não é um deus ex machina, capaz de tudo fazer por nós e de controlar o que fazemos num ato educativo. A literacia científica de um professor, por exemplo, não estará nunca ameaçada pela IA, mas deve ser vista como uma oportunidade para a completar e reforçar, automatizando tarefas repetitivas, fornecendo feedback instantâneo e personalizando a aprendizagem de cada aluno. A IA não ameaça a nossa criatividade, desde que aceitemos que funciona como um complemento a todas as nossas atividades intelectuais e não como seu substituto, porque nada pode alguma vez substituir, por exemplo, a capacidade de pensar uma aula e a competência para construir um discurso de aula. A IA não possui a capacidade de produzir empatia e não se é professor sem essa capacidade de nos colocarmos no lugar de outra pessoa, de compreender e compartilhar os nossos sentimentos, pensamentos e motivações no ato de ensinar. Esta dimensão humana do professor nunca se pode perder, porque também é ela quem decidirá sempre quais os limites éticos no uso da IA na educação. Não precisamos de inventar uma nova ética para o uso da IA, porque do que se trata é de criar boas práticas no seu uso, sem ferir a integridade dos trabalhos produzidos com IA. Bastará ler com atenção a Orientação Global sobre IA Gerativa na Educação e Pesquisa que a UNESCO publicou em 2023, ou a Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial que já tinha publicado em 2021. Estes documentos universais são tudo o que precisamos em termos de regulação do bom uso da IA na educação. O que nunca poderemos regular é o desejo mais íntimo de um professor de querer mudar a forma como ensina. Ninguém será nunca obrigado a usar a IA para ensinar, mas seria pouco inteligente não aproveitar as novas formas de inteligência para podermos ser melhores profissionais na função que cada um desempenha. Um professor, seja de que nível de ensino for, não perde a sua natural capacidade de ensinar se optar por incluir a IA no seu ensino. Para além da empatia, quem ensina sabe que há outras dimensões humanas que interferem na sua ação educativa e que nenhuma IA pode sequer simular. O humor, por exemplo, será sempre uma prorrogativa humana que pode ser uma arma mais poderosa para ensinar bem do que uma qualquer ferramenta tecnológica. Acrescente-se a capacidade de improviso, a memória de um livro lido que num dado momento interessa mais do que tudo ao ato de ensinar, a memória de uma ideia perdida no tempo, a capacidade de ler nos olhos de um aluno aquilo que ele precisa realmente de saber, a capacidade de responder na medida certa das emoções a cada pergunta colocada numa aula, a capacidade de aconselhar a escrever e a ler melhor, a capacidade de entender todos os sentidos conotativos da linguagem e oferecer novas interpretações, perante a frieza das instruções monocórdicas de um modelo de linguagem virtual. Nada disto, que será sempre o modo de definição natural de um professor, está em causa com o uso de IA. Apenas temos de a domar e de a trazer para a nossa zona de conforto, para que tudo o que fazemos humanamente bem possamos fazer ainda melhor. Inteligência Artificial - do quê que estamos a falar? - Reflexões para o ensino Eduardo Fermé - Universidade da Madeira e NOVA Laboratory for Computer Sciense and Informatics (NOVA_LINCS) Ao compreender e discutir os princípios da IA na sala de aula, não apenas desmistificamos os seus potenciais perigos, mas também ganhamos insights valiosos sobre a natureza da inteligência humana e as suas interações com a tecnologia. Resumo A recente explosão mediática da Inteligência Artificial (IA), através da emergência de ferramentas de IA generativa, tem suscitado, por um lado, grandes expetativas e, por outro, consideráveis reservas quanto ao seu uso, sobretudo no âmbito do ensino. Além disso, gerou uma considerável confusão sobre o que é a Inteligência Artificial. Neste artigo, procuraremos lançar alguma luz sobre o conceito de IA e discutir como tirar partido destas novas ferramentas no contexto da sala de aula. A Inteligência Artificial: Um fenómeno destes tempos ou um desejo ao longo da história? Nos últimos tempos, é comum que todos os dias surjam, nos jornais e nos meios de comunicação, notícias sobre a Inteligência Artificial. Surgiram inúmeros especialistas, gurus, jornalistas, todos a falar sobre a irrupção da Inteligência Artificial nas nossas vidas. Mas o que é realmente a Inteligência Artificial e por que é este fenómeno atual? Comecemos com um pouco de história: a ideia de máquinas inteligentes não é nova e remonta ao próprio surgimento das máquinas. Por exemplo, Heron de Alexandria projetou, no século I, um mecanismo para abrir automaticamente as portas de um templo. Avançando um pouco mais no tempo, Wolfgang von Kempelen, conselheiro da corte imperial austríaca e hábil jogador de xadrez, criou, por volta de 1770, o Turco, uma réplica de uma figura humana dentro de uma caixa de madeira do tamanho de uma secretária, vestida com uma túnica e um turbante, cujo aspeto deu nome ao dispositivo. A parte superior da caixa tinha pintado um tabuleiro de xadrez, e era possível ver em seu interior um mecanismo de relógio. Embora tenha funcionado até 1838 em exibições e feiras, era uma fraude, pois no seu interior era operado por um ser humano. Porém, isso demonstra o fascínio pelas máquinas pensantes. Posteriormente surgiram outros exemplos, tais como a máquina falante Euphonia, criada por Joseph Faber e exibida na Exposição Universal de Paris em 1849. Euphonia conseguia imitar a voz humana através do uso de tubos e órgãos semelhantes aos utilizados em instrumentos musicais. Isto para mencionar apenas alguns exemplos. Em 1943, Warren McCulloch e Walter Pitts propuseram um modelo teórico sobre o funcionamento dos neurónios no cérebro. No seu artigo, apresentaram uma rede neuronal artificial simplificada, composta por nós, que representam os neurónios, e conexões entre eles, que representam as sinapses. Utilizaram a lógica booleana para descrever como esses neurónios poderiam ser ativados ou inibidos em resposta a sinais de entrada. Este modelo estabeleceu as bases para o desenvolvimento posterior da Inteligência Artificial e das redes neurais artificiais. A Inteligência Artificial como disciplina surge em Dartmouth, na conferência de 1956 organizada por John McCarthy, com o intuito de estabelecer uma nova área de estudo sobre computação e inteligência. Foi nessa conferência que John McCarthy batizou a área, introduzindo o termo “inteligência artificial”. Nos vinte anos seguintes, testemunhou-se o crescimento dessa área, impulsionado pelos pioneiros que participaram na conferência. A definição exata de IA não é única, pois existem várias abordagens para compreendê-la. Podemos classificar as definições de Inteligência Artificial de acordo com as seguintes quatro abordagens propostas por Russell e Norvig (2021). Conforme a área do quadro podemos ter diferentes definições: Sistemas que pensam como um ser humano: “A automação de atividades que associamos com o pensamento humano, tais como tomada de decisões, solução de problemas e aprendizagem”. (Bellman, 1978). Sistemas que atuam como um ser humano: “a arte de criar máquinas que realizem atividades que requerem inteligência quando realizadas por pessoas” (Kurzweil, 1990). Sistemas que pensam racionalmente: “O estudo das computações que fazem possível perceber, raciocinar e agir” (Winston, 1992). Sistemas que atuam racionalmente: “Um campo de estudo que procura explicar e emular o comportamento inteligente em termos de processos computacionais” (Schalkoff, 1990). A IA moderna desenvolveu-se ao ponto de se ramificar enormemente. Por exemplo, o IJCAI 2024 (International Joint Conferences on Artificial Intelligence, principal congresso mundial da área) reconheceu 15 áreas principais e 302 subáreas para a apresentação de artigos: 1. Sistemas baseados em agentes e multiagentes. 2. Ética, confiança e equidade em IA. 3. Visão computacional. 4. Satisfação de restrições e otimização. 5. Mineração de dados. 6. Teoria dos jogos e paradigmas económicos. 7. Interseção entre humanos e IA. 8. Representação e raciocínio do conhecimento. 9. Aprendizagem automática. 10. Tópicos e aplicações multidisciplinares. 11. Processamento de linguagem natural. 12. Planeamento e escalonamento. 13. Robótica. 14. Pesquisa. 15. Incerteza em IA. Para além desta divisão, podemos dividir a IA atual em dois paradigmas principais: a Inteligência Artificial simbólica ou baseada em conhecimento (KB-AI, Knowledge Based AI, pelas suas siglas em inglês) e a Inteligência Artificial orientada por dados (DD-AI, Data Driven AI). A KB-AI refere-se a um ramo da IA que se concentra em criar sistemas capazes de raciocinar e usar conhecimento para realizar tarefas. Os sistemas de IA baseados em conhecimento enfatizam o uso de representações estruturadas de conhecimento e mecanismos de raciocínio. Na KB-AI, o conhecimento é tipicamente representado de maneira formal e estruturada, muitas vezes utilizando representações simbólicas como lógica, ontologias, redes semânticas ou frames. Esse conhecimento pode incluir factos, regras, definições, relacionamentos e outras informações relevantes para o domínio no qual o sistema de IA opera. Um dos componentes-chave da IA baseada em conhecimento é o mecanismo de raciocínio, que permite ao sistema manipular e inferir novo conhecimento a partir da base de conhecimento existente. Diferentes tipos de mecanismos de raciocínio podem ser utilizados, incluindo raciocínio dedutivo, raciocínio indutivo, raciocínio abdutivo e raciocínio probabilístico. Por seu lado, a DD-AI refere-se a um ramo da IA que depende de grandes volumes de dados para aprender padrões, fazer previsões e realizar tarefas sem ser explicitamente programada. Na IA orientada por dados, algoritmos analisam os dados para identificar padrões, correlações e relacionamentos, que são então utilizados para tomar decisões ou realizar ações. Inclui os seguintes componentes: coleta de dados; pré-processamento de dados (transformar e preparar os dados para análise); seleção das características relevantes e, treinar algoritmos de aprendizagem para aprender padrões e relacionamentos. Técnicas comuns incluem aprendizagem supervisionado, não supervisionado e por reforço. Um exemplo do processo de criação de um sistema baseado em KB-AI, e o exemplo de um sistema baseado em DD-AI. Cada um destes paradigmas apresenta vantagens e desvantagens distintas: por um lado, a KB-AI funciona bem quando está restrita ao espaço de problemas específicos para os quais foi projetada, sendo relativamente simples e capaz de resolver bem problemas conhecidos como toy problems ou problemas de pequena dimensão. No entanto, não generaliza bem e há um debate sobre se realmente aprende ou simplesmente toma decisões de acordo com regras previamente introduzidas. Por outro lado, a DD-AI demonstra um bom desempenho em tarefas complexas, tais como reconhecimento de imagens, visão computacional, previsão e aprendizado supervisionado. Pelo lado negativo, não consegue explicar as suas decisões nem possui senso comum. Por exemplo, na Figura 5, podemos observar uma interação com o gerador de imagens DALL-E Na primeira solicitação, foi pedido para desenhar Toulouse Lautrec comprando legumes numa feira, e na segunda, foi pedido para desenhar salmões num rio congelado. Enquanto seres humanos, por vezes, enfrentamos essas mesmas limitações nas explicações. Por exemplo, na Figura 6, é muito fácil responder à pergunta “Qual é o ser humano e qual é o manequim?”, mas temos dificuldade em explicar o porquê por palavras. Normalmente, a resposta dada é “parece mais natural”, o que não constitui por si só uma explicação estruturada. A escola e a Inteligência Artificial Vamos começar esta secção com uma pergunta genérica: Se perguntarmos na rua do que se fala hoje quando se menciona Inteligência Artificial, a resposta mais comum será “ChatGPT”, mas existem outros sistemas semelhantes, como o Google Gemini (anteriormente Bard) e o Microsoft Copilot (anteriormente Bing Chat). Estes sistemas fazem parte da chamada IA generativa. A IA generativa é um tipo de IA que pode criar ideias e conteúdos novos, como conversas, histórias, imagens, vídeos e música. Estas tecnologias de IA tentam imitar a inteligência humana em tarefas computacionais não tradicionais, como o reconhecimento de imagens, o processamento de linguagem natural (NLP) e a tradução. A IA generativa pode ser usada para diversos fins, como chatbots, criação de medias e desenvolvimento e design de produtos. Mas isso é apenas uma pequena parte da IA. Voltemos à pergunta inicial, agora especificamente nas escolas. Do que se fala hoje na escola quando se menciona IA? Mais uma vez, o ChatGPT surge como o tema mais discutido. No entanto, não apenas como uma ferramenta de apoio, mas também como uma ameaça, especialmente no que diz respeito à avaliação e ao chamado “copianço”. O novo papel da Inteligência Artificial na escola Repensar o papel da IA no contexto educacional é de suma importância neste momento. Iniciemos essa reflexão examinando as ferramentas de IA generativas. Primeiramente, é imprescindível compreender a origem e a natureza dessas ferramentas. Elas, de momento, não fornecem conhecimento correto, mas sim uma interpretação do vasto conjunto de dados que as suas redes neurais processaram. Esse conjunto de dados provém da internet, o que acarreta uma série de desafios, como a disseminação de notícias falsas, pseudociência e desinformação. Felizmente, as versões mais recentes das ferramentas de IA generativas de texto/imagens têm filtrado os chamados “vieses”, seja em misoginia, racismo, xenofobia, etc. Com essas salvaguardas, essas ferramentas continuam sendo muito importantes e podem ser utilizadas de maneira produtiva. Aqui estão alguns exemplos: Escrita Criativa: Os alunos podem valer-se de ferramentas de IA generativa para explorar a escrita criativa e a elaboração de narrativas. Por meio delas, é possível colaborar na coautoria de histórias, gerar ideias para enredos ou até mesmo criar experiências narrativas interativas. Aprendizagem de Idiomas/Correção de Textos: As ferramentas de IA generativas têm apresentado níveis de excelência como tradutores e corretores de texto, abrangendo diferentes estilos linguísticos (formal, pessoal, etc.). Além disso, uma ferramenta de correção pode ser um valioso recurso para aprimorar a aprendizagem. Arte e Design: A partir de textos e descrições, é possível conceber logotipos, figuras, entre outros elementos visuais. Da mesma forma, é viável explorar estilos e tendências (por exemplo, solicitar uma mesma figura no estilo de um determinado pintor, como Picasso ou Monet, ou dentro de um movimento artístico específico, como o impressionismo ou o surrealismo). Estes exemplos ilustram apenas uma fração do vasto potencial das ferramentas de IA generativas no contexto escolar. Quando utilizadas de forma criteriosa e devidamente orientadas, os educadores podem explorar plenamente essas ferramentas para enriquecer a experiência educacional dos alunos. Mas como já referimos, a IA não se limita apenas ao ChatGPT ou às ferramentas de IA generativa. Podemos utilizar várias técnicas de IA no contexto da sala de aula. Como? Aqui ficam alguns exemplos de apoio. Importância da representação do conhecimento: Na sala de aula, é crucial abordar a importância da representação do conhecimento para a capacidade de raciocínio. Por exemplo, ao comparar os sistemas de numeração romano e arábico, os alunos podem analisar qual é a melhor representação para realizar cálculos e expressar quantidades de forma eficaz. Além disso, podem discutir/avaliar as representações e abstrações em função do que se pretende delas. Diferentes representações do metro de Londres. Neste exemplo, os alunos podem avaliar a utilidade dos diferentes mapas para fins de navegação e compreensão do sistema. Ao raciocinar sobre um mapa, os alunos precisam de interpretar informações espaciais e tomar decisões com base nessas representações. Abstrair e modelar significa também avaliar quais são os aspetos que devem ser considerados e quais não. Aprender com os dados: Na educação, é fundamental explorar como podemos aprender com os dados. Quantos dados são necessários para fazer generalizações válidas? Os alunos podem discutir a importância das diferentes características dos dados, identificando aquelas que são relevantes para o problema em questão e descartando as irrelevantes. Eles também podem aprender a identificar padrões nos dados, entender o conceito de correlação e causalidade e como esses dois se relacionam. Raciocínio: Na sala de aula, é importante abordar o conceito de raciocínio. Quantos tipos de raciocínio existem e por que motivo o raciocínio dedutivo, ao contrário dos outros, é sempre considerado correto? Os alunos podem explorar se é possível implementar raciocínios não corretos num computador e discutir se um raciocínio não dedutivo está bem ou mal aplicado. O estudo dos diferentes tipos de raciocínio também conduz à análise de falácias, o que permite desenvolver o pensamento crítico. Em conclusão, podemos dizer que estamos perante o início de uma nova era, a revolução da Inteligência Artificial, que em breve estará presente em todos os aspetos da nossa vida, tornando-se ubíqua. Ao compreender e discutir os princípios da IA na sala de aula, não apenas desmistificamos os seus potenciais perigos, mas também ganhamos insights valiosos sobre a natureza da inteligência humana e as suas interações com a tecnologia. Essa abordagem educacional prepara os alunos para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades oferecidas por este avanço tecnológico sem precedentes. Referências Bellman, R. E. (1978). An introduction to Artificial Intelligence. Can computers think? Boyd & Fraser Publishing Company. Kurzweil, R. (1990). The Age of Intelligent Machines. MIT Press, Cambridge. McCulloch, W. S., & Pitts, W. (1943). A logical calculus of the ideas immanent in nervous activity. The bulletin of mathematical biophysics, 5, 115-133. Russell, S. J. 1., Norvig, P., & Davis, E. (2021). Artificial intelligence: a modern approach. 4th ed., Pearson. Schalkoff, R. J. (1990). Artificial intelligence engine. McGraw-Hill, Inc. Tan, C. F., Wahidin, L. S., Khalil, S. N., Tamaldin, N., Hu, J., & Rauterberg, G. W. M. (2016). The application of expert system: A review of research and applications. ARPN Journal of Engineering and Applied Sciences, 11(4), 2448-2453. Winston, P. H. (1992). Artificial Intelligence (Third edition). Addison-Wesley, Reading. A era da Inteligência Artificial - O Privilégio dos Professores das Ciências da Computação Rodolfo Pinto - Direção de Serviços de Tecnologias e Ambientes Inovadores de Aprendizagem, Direção regional de Educação O desafio reside em conseguir equilibrar o ensino dito tradicional com a necessidade de integrar, de forma ética e eficaz, a IA generativa e as suas vastas possibilidades, preparando os alunos para prosperarem num futuro ligado à tecnologia. Introdução “Pensar, ou mesmo meramente especular, sobre qualquer tema é válido, contribui para formular hipóteses a serem ou não comprovadas posteriormente; o risco está em construir conceitos baseados em conceções incertas, ou não claramente comprovadas evidências científicas, por exemplo, supor a viabilidade de uma IA consciente se ainda estamos longe de dominar o conhecimento sobre o cérebro e a consciência.” (Kaufman, 2021, 241) A Inteligência Artificial (IA) refere-se a programas ou máquinas que simulam tarefas tipicamente exigentes para a inteligência humana. Um sistema de IA é definido como um “sistema baseado em máquinas que, para objetivos explícitos ou implícitos, infere a partir dos dados recebidos, como gerar resultados, previsões, conteúdos, recomendações ou decisões que podem influenciar ambientes físicos ou virtuais.” (OCDE, 2024) A IA tem sido o motor de uma revolução que atravessa o nosso quotidiano, tornando-se uma entidade influente e quase omnipresente. E o imaginário coletivo, anteriormente alimentado por visões utópicas de um futuro dominado pelas máquinas, como nos filmes “Matrix” ou “Os Substitutos”, está agora a dar lugar a uma realidade onde a IA assume um papel de facilitador e amplificador das capacidades humanas. Na Educação, esta transição não apenas transforma as metodologias do processo de ensino e de aprendizagem, mas também redefine as competências que devemos desenvolver nos alunos para o futuro. O privilégio de ser um profissional da educação nesta era digital está repleto de novas responsabilidades que pretendem guiar a próxima geração para uma realidade em constante evolução, onde a IA moldará cada vez mais as interações, o conhecimento e as expetativas sociais. Os professores das Ciências da Computação emergem como figuras-chave, pois detêm o conhecimento especializado. Eles são os mentores que podem ajudar na compreensão mais profunda da IA e fomentar uma consciência crítica sobre a sua aplicação e influência. Estes profissionais têm a tarefa de desmitificar a IA e desvendar a sua lógica para que todos possam compreender e aplicar esta tecnologia com responsabilidade, confiança e conhecimento. Contexto histórico e evolução “A era da IA dá um novo relevo a um conceito de conhecimento que resulta da parceria humano-máquina. Juntos, nós, humanos, criamos e utilizamos algoritmos (de computação) que examinam os dados muito mais rápida e eficazmente, e com uma lógica diferente, do que qualquer mente humana conseguiria fazer.” (Kissinger et al., 2021, p. 213) O século XX foi palco de uma transformação sem precedentes no campo da IA, assinalada por exemplo, com a visão de Alan Turing, matemático e cientista da computação, frequentemente referido como o pai das Ciências da Computação. Em 1950, definiu o Teste de Turing, uma medida do grau de inteligência de uma máquina. Segundo este teste, uma máquina pode ser considerada inteligente se um ser humano, após interagir com ela através de uma interface que esconde a sua natureza (por exemplo, teclado e ecrã), não conseguir distinguir se está a interagir com um humano ou com uma máquina. O Teste de Turing abriu o caminho para o desenvolvimento de sistemas de IA que se concentram em passar por humanos em certos domínios de conversação ou de tarefas específicas, o que é uma área de estudo importante até hoje. Pioneiros contemporâneos, como Geoffrey Hinton e Yann LeCun, seguiram as pegadas de Turing, explorando a vastidão da capacidade cerebral humana e traduzindo-a em algoritmos capazes de comprovar o conhecimento a partir dos dados. Com isto, emergiram máquinas dotadas da capacidade de “aprender” autonomamente, crescendo em acuidade com cada nova experiência - uma verdadeira evolução para a IA. E é neste contexto fervilhante de inovação que mais recentemente a OpenAI emerge como um marco de progresso, impulsionando a IA generativa para a vanguarda do palco tecnológico. Ferramentas como o ChatGPT e o Dall-E exemplificam a capacidade generativa da IA, abrindo novos horizontes de criação e de descoberta, onde as máquinas não só aprendem com os dados, mas também criam com uma surpreendente semelhança à intuição artística humana. Contudo, tal como refere Lee (2021, p. 140) os “céticos dirão que o GPT-3 está apenas a memorizar exemplos de forma engenhosa, mas não tem compreensão e não é verdadeiramente inteligente. Para a inteligência humana são centrais as capacidades de raciocinar, planear e criar”. É inegável que tais sistemas estão a ficar cada vez mais sofisticados e capazes de realizarem tarefas que, até há pouco tempo, eram consideradas exclusivas do domínio humano. Esta evolução levanta questões importantes sobre o que verdadeiramente significa inteligência e como podemos medir a eficácia destas tecnologias em ambientes reais. Mas este cenário histórico, onde as figuras de Turing até aos visionários da OpenAI desempenham papéis fulcrais, estabelece o palco para uma reflexão sobre a forma como o ensino das Ciências da Computação pode evoluir. O desafio reside em conseguir equilibrar o ensino dito tradicional com a necessidade de integrar, de forma ética e eficaz, a IA generativa e as suas vastas possibilidades, preparando os alunos para prosperarem num futuro ligado à tecnologia. A IA no quotidiano e na Educação “… muitas das tarefas do professor podem ser automatizadas com uma IA suficientemente avançada. Por exemplo, a IA pode corrigir os erros dos alunos, responder a perguntas comuns, atribuir trabalhos de casa e testes, e classificá-los.” (Lee & Qiufan, 2023, 143) No quotidiano, a presença da IA é irremediavelmente transversal e influencia desde a forma como interagimos com os nossos dispositivos móveis até às recomendações de produtos e de conteúdos. Os assistentes virtuais, como a Siri e a Alexa, são manifestações visíveis da IA, assim como os sistemas mais complexos que influenciam o atendimento ao cliente e até a deteção precoce de doenças. O papel da IA na Educação reflete esta presença, com a possibilidade de se incluírem sistemas que adaptam a aprendizagem ao ritmo e estilo de cada aluno, promovendo assim uma personalização mais abrangente do ensino. Os professores, por sua vez, têm a oportunidade de se apoiarem na IA para desenvolverem estratégias de ensino mais eficazes e inclusivas. A tecnologia permite uma análise mais aprofundada do desempenho dos alunos, possibilitando intervenções pedagógicas mais assertivas e personalizadas. O ensino apoiado por IA pode transformar completamente o processo de ensino e aprendizagem, tornando-o mais adaptável às necessidades individuais. O privilégio dos professores das Ciências da Computação A era da OpenAI e a proliferação das suas ferramentas generativas elevaram o tema da IA a um nível de destaque e familiaridade nunca visto. Hoje, o impacto da IA ultrapassa as fronteiras das salas de aula, ocupando lugar no quotidiano dos alunos, dos pais/encarregados de educação e dos professores. Esta aproximação transformou a perceção da IA de um conceito elitista para uma ferramenta pedagógica tangível, que não só fascina, mas também convida a uma participação ativa no diálogo tecnológico. Preparar tanto alunos como docentes para um futuro entrelaçado com a inovação tecnológica não é só uma prioridade, é uma realidade em constante construção na Região, onde a IA é vista como catalisadora de aprendizagem e impulsionadora do pensamento crítico e criativo. Os professores das Ciências da Computação assumem um papel primordial, não só enquanto educadores, mas também como inovadores e pioneiros na incorporação da IA no contexto educativo. Possuem o privilégio e o desafio de conduzirem os alunos através das complexidades deste campo em rápida evolução, garantindo que a próxima geração esteja equipada não apenas com os conhecimentos técnicos, mas também com a visão crítica necessária para navegar e moldar o futuro da tecnologia. Ao contemplarmos as múltiplas facetas do impacto da IA na Educação e na sociedade, destacamos a responsabilidade única destes profissionais no fomento de uma compreensão abrangente e ética da IA, incentivando uma sinergia entre o saber técnico e a consciência social. Conhecimento especializado e formação contínua: É essencial que os professores das Ciências da Computação se mantenham atualizados sobre os avanços da IA, através de programas de formação contínua que enfatizem a sua integração no contexto educativo. Além disso, devem ter acesso a documentação que promova a reflexão sobre estas tecnologias. Capacidade de interligar disciplinas: Ao integrar a IA no contexto educativo, os professores das Ciências da Computação têm a habilidade de relacionarem diversas áreas/disciplinas. A IA está interligada com a matemática, estudo do meio, português, inglês, e outras disciplinas, proporcionando uma visão mais abrangente do impacto desta tecnologia. Estímulo ao pensamento crítico: É crucial que os professores das Ciências da Computação promovam o desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos em relação à IA. Ao criarem ambientes de aprendizagem que incentivam a análise e a avaliação crítica dos desenvolvimentos da IA, capacitam os alunos para uma compreensão mais profunda e consciente dessa tecnologia. Desenvolvimento de projetos práticos: Liderar projetos práticos que envolvam os alunos na criação de soluções baseadas em IA, adaptadas ao contexto específico, proporciona uma experiência prática que consolida o conhecimento teórico e estimula a criatividade dos alunos. Sensibilização para ética e responsabilidade: Dada a crescente importância da ética e da responsabilidade no uso da IA, os professores das Ciências da Computação têm a responsabilidade de abordar estas questões de forma adequada. Ao capacitarem os alunos para que entendam não apenas os benefícios, mas também os desafios éticos associados à IA, promovem uma utilização mais consciente e responsável dessa tecnologia. Mentoria e facilitação no ambiente educativo: Para além das suas responsabilidades diretas, os professores das Ciências da Computação têm o privilégio de atuar como mentores e facilitadores no contexto educativo. Com o seu conhecimento especializado, ocupam uma posição única para apoiar os colegas de outras áreas, promovendo a integração da IA de forma transversal e enriquecedora. Ao partilharem os seus saberes e respetivas experiências, desempenham um papel crucial na orientação de abordagens pedagógicas inovadoras que incorporam a IA, contribuindo para a construção de um currículo interdisciplinar robusto e para a criação de um ambiente de aprendizagem colaborativo. A sua liderança é essencial para capacitar todos os profissionais da educação para que se sintam confiantes e preparados para integrar a IA nas suas práticas letivas, assegurando uma aplicação ética e eficiente desta tecnologia em prol do benefício de todos os alunos. Conclusão “A maior parte do nosso cérebro é dedicada à visão e ao movimento, um indicador que caminhar é muito mais complexo do que parece: apenas parece fácil porque, tendo sido aperfeiçoado pela evolução, é algo que na sua maior parte é feito subconscientemente.” (Domingos, 2017, p. 303) A recente perceção do avanço na indústria, impulsionada pelo entusiasmo exponencial em torno da IA, tem fomentado um aumento no número de indivíduos que se autoproclamam especialistas nesta área. Um estudo realizado pelo LinkedIn revelou que 40% dos jovens da Geração Z (com idades entre 18 e 26 anos) inflacionaram as suas competências em IA nos seus currículos para parecerem mais atualizados. Esta tendência sublinha a pressão competitiva para se destacar neste campo, levando muitos a aumentarem as suas alegadas qualificações em IA. Num contexto social onde a IA está cada vez mais presente, é fundamental que as escolas estejam preparadas para integrar esta tecnologia de forma eficaz e responsável. Os professores das Ciências da Computação podem desempenhar um papel central neste processo, capacitando outros profissionais da educação e os alunos para usarem a IA de maneira informada, ética e responsável. Ao investir na formação e no apoio destes profissionais, as escolas garantem que os alunos estejam preparados para enfrentarem os desafios e tirarem proveito dos benefícios da IA no contexto educacional e além. A integração das Ciências da Computação e da IA nos contextos educativos não é apenas uma questão de seguir tendências, mas sim de continuar a preparar os alunos para se tornarem cidadãos digitalmente competentes e capazes de enfrentar os desafios. Este compromisso com a Educação do futuro é essencial para garantir que os alunos possam se adaptar e prosperar num mundo em constante mudança. A cientista da computação Dr. Joy Buolamwini, do MIT Media Lab, no seu livro “Unmasking AI: My Mission to Protect What Is Human in a World of Machines”, desafia-nos a refletir acerca daquilo que podemos fazer com o nosso privilégio: que escolhas faríamos ao reconhecer um privilégio nas nossas vidas? Como o usaríamos? E é esta “provocação”, esta pergunta, que me leva a considerar que é um verdadeiro privilégio ser professor das Ciências da Computação. Este papel não só carrega consigo a missão de transmitir conhecimento, mas também a responsabilidade de moldar o próprio futuro através da Educação. Referências Buolamwini, J. (2023). Unmasking AI: My Mission to Protect What Is Human in a World of Machines. Random House. Domingos, P. (2017). A Revolução do Algoritmo Mestre - Como a aprendizagem automática está a mudar o mundo. Manuscrito. Kaufman, D. (2022). Desmistificando a inteligência artificial. Autêntica. Kissinger, H. A., Huttenlocher, D., & Schmidt, E. (2021). A Era da Inteligência Artificial e o Nosso Futuro Humano. Dom Quixote. Lee, K. F. (2018). As Superpotências da Inteligência Artificial: A China, Silicon Valley e a Nova Ordem Mundial. Relógios D´Água. Lee, K. F., & Qiufan, C. (2023). Inteligência Artificial 2041: Como a inteligência artificial vai mudar a sua vida nas próximas décadas. Relógio D’Água. OECD. (2024). Explanatory Memorandum on the Updated OECD Definition of an AI System, OECD Artificial Intelligence Papers. Inteligência Artificial - Potencial impacto na Educação Inclusiva Pedro Encarnação - Universidade Católica Portuguesa, Católica-Lisbon School of Business & Economics Os sistemas educativos devem sempre garantir que os interesses dos estudantes são colocados no centro e que as tecnologias digitais são utilizadas para apoiar uma educação baseada na interação humana, em vez de visarem substituí-la. Pretende-se neste breve texto analisar o potencial impacto que a Inteligência Artificial poderá ter na educação inclusiva. Sendo um exercício prospetivo, a probabilidade de, num futuro mais ou menos próximo, os cenários aqui traçados virem a ser desmentidos pela realidade é grande. Ainda assim, vou arriscar refletir sobre qual o papel que a Inteligência Artificial poderá vir a ter nas salas de aula tendo como base as perspetivas de evolução desta tecnologia e do ensino inclusivo. Levantando já o véu sobre as minhas conclusões, julgo que a Inteligência Artificial poderá vir a ser uma ferramenta valiosa para auxiliar os professores a implementar o ensino inclusivo do futuro, mas teremos sempre professores humanos nas salas de aula. O que é a inteligência (artificial) Não existe uma definição universalmente aceite de inteligência. Legg and Hutter (2007) compilaram uma lista de 70 definições, na certeza de que mais haveria. Alguns autores advogam a existência de múltiplas inteligências. Por exemplo, de acordo com Gardner (1983), seriam oito: verbal linguística, musical rítmica, lógica matemática, visual espacial, somática cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalística. Críticos desta visão apontam a falta de suporte empírico para a teoria, argumentando que a lista enumera apenas diferentes talentos, características pessoais ou competências (ver, por exemplo, Shaler (2006) para uma discussão sobre a teoria de Gardner). Fugindo à discussão científica e para os efeitos desta reflexão, vou adotar a definição de Sternberg (2024): a inteligência humana é a “qualidade mental que consiste na capacidade de aprender com a experiência, adaptar-se a novas situações, compreender e lidar com conceitos abstratos, e utilizar o conhecimento para manipular o próprio ambiente”. O termo Inteligência Artificial (IA) foi proposto na Conferência de Dartmouth em 1956. Esta conferência juntou proeminentes matemáticos e cientistas para discutir ideias sobre “máquinas pensantes”. Na base das discussões esteve a “conjetura de que todo e qualquer aspeto da aprendizagem ou qualquer outra característica da inteligência pode, em princípio, ser descrito de forma tão precisa que uma máquina possa ser feita para o simular” (McCarthy et al., 1955, p. 1). Os participantes propuseram-se “descobrir como fazer com que as máquinas usem linguagem, formem abstrações e conceitos, resolvam tipos de problemas atualmente reservados aos humanos e se melhorem” (McCarthy et al., 1955, p. 1). Foram abordados temas como a computação automática, o processamento de linguagem natural, redes neuronais, teoria da computação, autoaperfeiçoamento, abstração e criatividade. Todos estes temas tiveram grandes avanços desde então, mas foi a disponibilização, em dezembro de 2020, do ChatGPT via um navegador da Internet, que trouxe o tema da Inteligência Artificial para a discussão pública. De um momento para o outro, um utilizador comum da Internet podia manter uma conversa com uma máquina aparentemente omnisciente. Muitos se apressaram a atribuir a este modelo de linguagem características de inteligência que não possui. Na verdade, por mais impressionante que seja o seu desempenho, o ChatGPT não tem qualquer entendimento do texto que produz, apenas é capaz de juntar palavras de acordo com um elaborado modelo probabilístico que tem em conta o contexto da conversa. De facto, está hoje generalizado o uso do termo Inteligência Artificial para sistemas com características muito mais limitadas do que as de um ser inteligente. Por exemplo, não é difícil encontrar no mercado um aquecedor que use como argumento de venda a utilização de IA para regulação da temperatura ambiente. Como é óbvio, um aquecedor não tem, por exemplo, capacidade de compreender e lidar com conceitos abstratos, e as suas capacidades de regulação térmica, por mais avançadas que sejam, estão longe de ser suficientes para o classificar como um sistema inteligente. Independentemente de visões irrealistas e exageros com fins comerciais, é verdade que existem hoje sistemas computacionais capazes de realizar tarefas que julgávamos serem exclusivas de seres humanos. Sem entrar em pormenores técnicos e apenas para se perceber a diferença qualitativa que os sistemas de Inteligência Artificial sofreram mais recentemente, refiro a sua classificação em IA preditiva e IA generativa. Os sistemas de Inteligência Artificial preditivos são capazes de estimar resultados tendo em conta os dados de entrada. Baseiam-se em modelos estatísticos ou de aprendizagem automática treinados com um conjunto de dados para identificar padrões e correlações. Um exemplo é o sistema de recomendação de filmes capaz de propor uma lista de títulos que poderão ser do interesse do utilizador a partir do seu histórico de visualização e de padrões de outros utilizadores com gostos semelhantes. Já os mais recentes sistemas de Inteligência Artificial generativos são capazes de criar novos dados com base em padrões aprendidos. Não se limitam a prever resultados existentes; têm a capacidade de gerar novos dados a partir do “conhecimento” adquirido pela exposição a dados de treino. Exemplos de sistemas generativos são as aplicações capazes de criar imagens realistas de rostos humanos ou os modelos de linguagem generativos como o ChatGPT. De salientar que tanto a IA preditiva como a generativa dependem de dados de treino. É através da exposição a milhares de imagens contendo animais que um sistema de IA preditivo é capaz de identificar um cão numa imagem ou um sistema de IA generativo consegue criar uma imagem artificial de um cão. Em ambos os casos, os sistemas não têm qualquer compreensão sobre o conceito de cão, apenas aprenderam, a partir dos dados de treino, um conjunto de padrões associados a estes animais. A Educação Inclusiva “A educação inclusiva preocupa-se em fornecer respostas adequadas ao amplo espectro de necessidades de aprendizagem em contextos educacionais formais e não formais. Em vez de ser um tema marginal sobre como alguns alunos podem ser integrados no ensino regular, a educação inclusiva é uma abordagem que procura transformar os sistemas educacionais para responder à diversidade dos alunos. Visa capacitar tanto professores como alunos a sentirem-se confortáveis com a diversidade e a vê-la como um desafio e enriquecimento no ambiente de aprendizagem, em vez de um problema.” (UNESCO, 2003, p. 7) Entre as vantagens da educação inclusiva estão a mudança de mentalidades em relação à diversidade ao educar todos em conjunto, oferecer a todas as crianças métodos de ensino adaptados às suas necessidades específicas e diminuir os custos ligados ao ensino especial destinado a diferentes grupos de pessoas com deficiência. (WHO & WB, 2011). Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho, estabelece o regime jurídico da educação inclusiva. Todas as crianças, independentemente da sua situação pessoal e social, devem ser integradas numa escola que centre a sua atividade no currículo e nas aprendizagens dos alunos, reconhecendo a mais-valia da diversidade. Esta legislação afasta-se do pressuposto de que é necessário categorizar para intervir, procurando garantir que todos os alunos alcancem os mesmos objetivos no final da escolaridade obrigatória, ainda que isso possa ocorrer por caminhos distintos. Estabelece a necessidade de adequar os processos de ensino às características e condições individuais de cada aluno, seguindo as recomendações do desenho universal para a aprendizagem (CAST, 2018): a) proporcionar múltiplas formas de envolvimento; b) proporcionar múltiplas formas de representação; e c) proporcionar múltiplas formas de ação e expressão. Esta abordagem pedagógica pretende assegurar o acesso, a participação e o sucesso de todos os alunos (Nunes & Madureira, 2015). Os desafios de implementação de um sistema de educação inclusivo são proporcionais à sua ambição. Adaptar os métodos pedagógicos por forma a que todos os alunos não só tenham acesso ao currículo, mas também participem ativamente em todo o processo educativo e tenham sucesso requer recursos humanos e materiais que, muitas vezes, são escassos. No caso português, como em outros países, teme-se que a alocação dos mesmos recursos a um leque mais alargado de estudantes tenha como consequência servir a todos pior, com especial incidência nos grupos mais vulneráveis (Alves, Campos Pinto, & Pinto, 2020). No caso particular das crianças com deficiência, é mesmo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (UN, n.d.), ratificada por Portugal em 2009, a estabelecer no seu Art. 24.º que os Estados Partes devem assegurar um sistema de educação inclusiva em que “as pessoas com deficiência recebem o apoio necessário, dentro do sistema geral de ensino, para facilitar a sua educação efetiva”. As necessidades de apoio incluem muitas vezes a disponibilização de Tecnologias de Apoio que permitam o acesso, a participação e o sucesso no processo educativo (Fernández-Batanero et al., 2022). Seguindo a definição da Organização Mundial da Saúde, o termo Tecnologias de Apoio refere-se à “aplicação de conhecimentos e competências organizados relacionados com produtos de apoio, incluindo sistemas e serviços; um produto de apoio é qualquer produto externo (incluindo dispositivos, equipamentos, instrumentos ou software), especialmente produzido ou geralmente disponível, cujo propósito principal é manter ou melhorar o funcionamento e independência de um indivíduo, promovendo assim o seu bem-estar” (WHO & UNICEF, 2022, p. 6). As cadeiras de rodas ou os óculos são dois exemplos de produtos de apoio do conhecimento geral que permitem o acesso ao currículo (proporcionam um método alternativo de chegar e estar na sala de aula e aumentam a capacidade visual, respetivamente). Mas a participação nas atividades académicas pode requerer outros produtos de apoio mais especializados. Uma criança com necessidades complexas de comunicação precisa de um sistema de comunicação aumentativa e alternativa que lhe permita criar as mensagens que serão depois verbalizadas pelo sistema. Uma criança com disfunção motora dos membros superiores precisa de um sistema de manipulação alternativo (e.g., um sistema robótico) para participar com os seus pares nas atividades académicas que requeiram a manipulação de objetos didáticos. Uma criança com dificuldades de escrita, leitura ou memória pode tirar partido de uma caneta inteligente que, ao mesmo tempo que grava áudio, permite tirar notas num caderno especial. Esse áudio pode depois ser ouvido quando a criança toca com a caneta nos apontamentos correspondentes. Note-se que, para que qualquer Tecnologia de Apoio seja de facto eficaz na promoção da inclusão, é necessário integrá-la convenientemente nas práticas pedagógicas (Robinson & Soto, 2021; Mavrou, 2022; Encarnação et al., 2017). O possível impacto da Inteligência Artificial no ensino inclusivo Estabelecido o contexto da Inteligência Artificial, da educação inclusiva e qual o papel das Tecnologias de Apoio, podemos agora perspetivar qual o impacto que a IA pode ter na educação inclusiva. Imaginemos, então, uma sala de aula do futuro em que os alunos, para além dos materiais escolares tradicionais (lápis, caneta, papel, tesoura, cola, etc.), têm também acesso individual a um computador “inteligente”. Na sala, para além do professor, poderão estar sistemas robóticos, também “inteligentes”, com quem podem interagir, seja apenas um pequeno veículo que podem controlar para manipular objetos sobre uma mesa, ou mesmo um colega robótico. Nessa sala, o professor expõe o conteúdo curricular a crianças de desenvolvimento típico e a crianças com deficiência, de diferentes condições socais, etnias, culturas, línguas maternas, cada uma com características e necessidades específicas. Alguns dos tópicos poderão ser apresentados para toda a turma, com alguns dos alunos a ter um suporte proporcionado por aplicações no computador. Por exemplo, um aluno poderá ter acesso via computador a uma tradução automática para a sua língua, que até pode ser uma língua gestual. Ou poderá ver uma representação alternativa das ideias para o ajudar a compreender o que está a ser apresentado verbalmente. Ou ainda poderá focar-se no ecrã onde se vê o professor a apresentar o conteúdo, ouvindo-o através de auscultadores, facilitando-lhe assim o processo de concentração. Noutros casos, o professor poderá preparar a sua aula por forma a que o conteúdo seja apresentado de forma diferente a cada aluno. Por exemplo, depois da explicação de um conceito em abstrato, cada aluno poderá observar uma aplicação desse conceito adaptada às suas preferências; depois de ser exposto ao conceito de velocidade (espaço percorrido por unidade de tempo), um aluno poderá ver no seu computador uma aplicação do conceito à velocidade de um carro, da bola num jogo de ténis, ou do bip-bip a fugir do coiote, de acordo com o que o sistema computacional sabe ser o que mais o motiva. Ou cada aluno poderá ser exposto a exercícios de aplicação com um grau de dificuldade adequado para potenciar a sua aprendizagem. Para participar nas atividades, os alunos poderão também recorrer aos sistemas “inteligentes” que têm disponíveis. Poderão usar um sistema de comunicação aumentativa e alternativa com um potente preditor, que os ajuda a criar as mensagens e assim a manter uma comunicação oral ou escrita mais fluente. Ou instruir um sistema robótico para manipular um item (e.g., uma régua) para os ajudar a completar uma tarefa (e.g., de medição). O colega robótico na sala poderá dinamizar atividades em grupo ou dar um apoio individual a algum aluno para quem seja mais fácil interagir com um robô. Se estas e outras aplicações, suportadas em sistemas de Inteligência Artificial, podem parecer muito apelativas, também levantam sérias preocupações. Qualquer professor gostaria de poder dar um apoio personalizado a todos os seus alunos, a questão é ser um sistema computacional a dar esse apoio. Como referido, os sistemas de IA aprendem através da exposição a um conjunto de dados de treino. Será que esses dados de treino continham variabilidade suficiente para que o sistema saiba a melhor forma de agir face a qualquer situação? E será que podemos confiar na aprendizagem do sistema? São bem conhecidos exemplos de “alucinação” da IA generativa, em que por exemplo o ChatGPT dá respostas completamente erradas com a mesma convicção com que dá respostas certas. É necessário garantir que os algoritmos de IA são confiáveis, precisos, responsáveis e transparentes. Uma outra preocupação é a preservação da autonomia da pessoa. A IA deve ser usada para capacitar as pessoas considerando as suas necessidades e preferências, sem impor decisões sobre elas. Deve fornecer o apoio adequado sem criar dependências desnecessárias. Se pode ser útil para um aluno, em termos de motivação, aplicar os conteúdos curriculares ao contexto do desporto, a IA não deve confinar esse aluno a um mundo em que não há qualquer outra coisa para além do desporto. Há ainda a questão da privacidade e da segurança dos dados. As informações pessoais e dados sensíveis recolhidos pelos sistemas de Inteligência Artificial têm de ser protegidos, para evitar acessos não autorizados e possíveis abusos. Conclusões As aplicações de Inteligência Artificial que vemos emergir oferecem flexibilidade na forma como a informação é apresentada, na forma como os estudantes podem demonstrar os seus conhecimentos e competências e na forma de envolver os estudantes. Podem, assim, ser um valioso aliado dos professores na criação de um ambiente inclusivo. Os mais otimistas acreditarão que os receios referidos no parágrafo anterior serão respondidos com legislação eficaz e com o seguimento escrupuloso de princípios éticos no desenvolvimento de novas aplicações. Os mais pessimistas dirão que o mercado irá ditar o aparecimento de muitas novas aplicações, sem se reunir evidência científica da sua utilidade ou eficácia, cedendo a uma necessidade premente de respostas mesmo sem acautelar devidamente o seu impacto a longo prazo. Para ajudar o leitor a formar a sua opinião, deixo duas reflexões que me parecem relevantes. O pressuposto da Conferência de Dartmouth era que conseguiríamos descrever, de forma precisa, a aprendizagem e a inteligência. Ora, mesmo com todo o avanço das neurociências, estamos longe desse desiderato. O que os estudos nos têm demonstrado é a complexidade dos fenómenos e da natureza humana. A aprendizagem, por exemplo, é modelada pelo contexto socioeconómico, pela fisiologia, pela experiência passada, pelas emoções. A separação entre corpo e mente, postulada por Descartes, está errada (Damásio, 1994). Os processos afetivos e cognitivos não podem ser desligados uns dos outros (Rato, 2023). A segunda reflexão é motivada pelo mais recente Relatório de Monitorização da Educação Global publicado pela UNESCO (UNESCO, 2023). Defende-se neste relatório que os sistemas educativos devem sempre garantir que os interesses dos estudantes são colocados no centro e que as tecnologias digitais são utilizadas para apoiar uma educação baseada na interação humana, em vez de visarem substituí-la. Chama-se a atenção para a falta de evidência científica sobre o valor da tecnologia educacional, existindo mesmo estudos que mostram efeitos negativos em alguns tipos de aprendizagem (e.g., no ensino da Matemática pode levar à memorização e repetição, em vez de fomentar a compreensão dos conceitos). Constata-se a crescente utilização de tecnologias na educação, pressionando o sistema e os professores a adaptarem-se, numa tentativa de encontrar “soluções fáceis” para problemas complexos, sem a devida ponderação dos custos a longo prazo, em particular para o bem-estar das crianças. Na minha opinião, as tecnologias suportadas por Inteligência Artificial vão ter um desenvolvimento cada vez maior e serão utilizadas por cada vez mais pessoas em todos os contextos, incluindo o ensino. Não há forma de, nem faz sentido, tentar parar o progresso. Mas devemos estar bem conscientes das (in)capacidades dos sistemas, mantendo sempre um elevado espírito crítico. No caso da utilização na educação, estando crianças envolvidas, devemos ser conservadores e monitorizar cuidadosamente todas as experiências. Para preparar o futuro da educação (inclusiva) devemos envolver equipas transdisciplinares integrando neurologistas, psicólogos, pedagogos, professores, terapeutas, gestores escolares, decisores de políticas de educação, pais - no fundo todos aqueles que são relevantes no processo educativo. Mais importante ainda, é necessário que as crianças, com e sem deficiência, sejam envolvidas, nunca esquecendo que devem ser elas o foco do processo educativo. Referências Alves, I., Campos Pinto, P., & Pinto, T. J. (2020). Developing Inclusive Education in Portugal: Evidence and Challenges. Prospects 49, 281-296. CAST. (2018). Universal Design for Learning Guidelines version 2.2. http:// udlguidelines.cast.org Damásio, A. R. (1994). O Erro de Descartes. Emoção, Razão e Cérebro Humano. Publicações Europa-América, Lda. Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho - Estabelece o regime jurídico da educação inclusiva. Encarnação, P., Leite, T., Nunes, C., Nunes da Ponte, M., Adams, K., Cook, A., Caiado, A., Pereira, J., Piedade, G., & Ribeiro, M. (2017). Using Assistive Robots to Promote Inclusive Education. Disability and Rehabilitation: Assistive Technology 12(4), 352-372. Fernández-Batanero, J. M., Montenegro-Rueda, M., Fernández-Cerero, J. et al. (2022). Assistive Technology for the Inclusion of Students with Disabilities: A Systematic Review. Education Tech Research Dev 70, 1911-1930. Gardner, H. (1983). Frames of Mind – The Theory of Multiple Intelligences. Basic Books. Legg, S., & Hutter, M. (2007). A Collection of Definitions of Intelligence (Report number IDSIA-07-07). https://arxiv.org/abs/0706.3639 Mavrou, K. (2022). The Use of Assistive Technology in Education: A Guide for Teachers and Schools. UNICEF. McCarthy, J., Minsky, M., Rochester, N., & Shannon, C. E. (1955). A Proposal for the Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence. http://raysolomonoff.com/dartmouth/boxa/dart564props.pdf Nunes, C., & Madureira, I. (2015). Desenho Universal para a Aprendizagem: Construindo Práticas Pedagógicas Inclusivas, Da Investigação às Práticas 5(2), 126-143. Rato, J. (2023). Mente, Cérebro e Educação. Fundação Francisco Manuel dos Santos. Robinson, N., & Soto, G. (2021). AAC in Schools: Mastering the Art and Science of Inclusion. In Ogletree, B. T. (Ed.), Augmentative and Alternative Communication: Challenges and Solutions (pp. 81-116). San Diego, CA: Plural Publishing, Inc. Shaler, J. A. (Ed.) (2006). Howard Gardner Under Fire: The Rebel Psychologist Faces his Critics. Open Court. Sternberg, R. J. (2024). Human intelligence. Encyclopedia Britannica. https://www.britannica.com/science/human-intelligence-psychology UNESCO (2003). Overcoming Exclusion through Inclusive Approaches in Education. Conceptual Paper. A Challenge & A Vision. https://unesdoc.unesco. org/ark:/48223/pf0000134785/PDF/134785eng.pdf.multi UNESCO. (2023). Global Education Monitoring Report 2023: Technology in Education – A Tool on Whose Terms? UNESCO. United Nations (UN). (n.d.). Convention on the Rights of Persons with Disabilities (CRPD). Department of Economic and Social Affairs. https://social.desa.un.org/ issues/disability/crpd/convention-on-the-rights-of-persons-with-disabilities-crpd. World Health Organization, & United Nations Children’s Fund (WHO & UNICEF). (2022). Global Report on Assistive Technology. WHO & UNICEF. https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/354357/9789240049451-eng. pdf?sequence=1 World Health Organization, & World Bank (WHO & WB). (2011). World Report on Disability. WHO. https://apps.who.int/iris/rest/bitstreams/53067/retrieve. Testemunho Inteligência Artificial no quotidiano dos alunos - Perceções e Preocupações A Inteligência Artificial faz parte do quotidiano dos mais jovens. Mas de que que forma? Quais as vantagens e quais os maiores perigos aos seus olhos? A Diversidades quis saber o que pensam os alunos da Região sobre IA. 1. Recorres à Inteligência Artificial para estudar ou ajudar na resolução de tarefas escolares? 2. Na tua opinião quais são as vantagens da IA? E as desvantagens ou os perigos? 3. Define Inteligência Artificial com uma palavra. Thomás Pereira - 5.º ano - Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva Não recorro à Inteligência Artificial porque só a conheci recentemente. A principal vantagem da IA é ajudar-nos a fazer trabalhos e aumentar os nossos conhecimentos. A Inteligência Artificial também nos ajuda noutros aspetos da nossa vida diária, por exemplo, procurar uma receita, preparar uma festa, procurar jogos que não conhecemos. Uma das desvantagens é o facto de quem utilizar a IA constantemente não desenvolver a autonomia e a criatividade. Um dos perigos é podermos ficar com vírus no nosso equipamento de pesquisa. Posso definir IA como “ajuda”. Pedro Marques - 6.º ano - Escola Básica e Secundária com Pré-escolar da Calheta Já utilizei a Inteligência Artificial no auxílio de tarefas escolares, mais concretamente o ChatGPT, mas, nesse caso, não vou buscar a informação diretamente de um Chatbot, pois esta muitas vezes está incorreta. Uma das formas de usar a IA nas tarefas escolares é, por exemplo, na organização de tópicos, elaboração de resumos e correção de textos. Como as IA estão a evoluir a uma velocidade absurda, eu acredito que, no futuro, vai haver uma IA para todas as tarefas escolares. As vantagens são, por exemplo, auxiliar em tarefas, criar imagens personalizadas, imitar cenários, usar reconhecimento de voz para criar outros áudios extremamente realistas com essa mesma voz, automatizar eletrodomésticos e outros equipamentos eletrónicos, ter uma “conversa” com uma forma de responder muito idêntica à de um ser humano. As desvantagens são as falhas de programação da IA que podem provocar erros, pois a informação gerada poder ser falsa, o uso de dados pessoais que poderão ser utilizados incorretamente e outros perigos associados ao seu uso indevido, por exemplo, para cometer crimes através da utilização da IA para imitar a voz ou fazer vídeos falsos com o intuito de enganar as pessoas. Eu definiria a IA por “futuro” porque, com este rápido avanço da evolução da IA, ela vai fazer parte do nosso dia a dia no futuro. Tiago Freitas - 6.º ano - Escola Básica e Secundária de Santa Cruz Sim, eu uso a Inteligência Artificial para estudar e resolver tarefas escolares! Esta ferramenta ajuda-me a compreender algumas matérias mais difíceis de uma forma mais fácil. Quando tenho dúvidas sobre matemática, por exemplo, posso perguntar à IA e ela explica-me passo a passo. Também uso para aprender mais sobre ciências e história. É como ter um professor particular sempre disponível! Na minha opinião, a maior vantagem da IA é que ela está sempre lá para ajudar. Posso perguntar qualquer coisa a qualquer hora, e no imediato obtenho uma resposta. Outra vantagem é que a IA pode explicar as coisas de várias maneiras diferentes até eu entender. Como desvantagem, reconheço que por vezes fico um pouco preguiçoso e confio demais na IA, em vez de tentar resolver os problemas sozinho. Também acho que é perigoso acreditar em tudo o que a IA diz sem verificar, porque ela pode cometer erros ou dar informações erradas. Por isso, é importante usar a IA com cuidado e verificar sempre as respostas. Se eu tivesse de definir Inteligência Artificial com uma palavra, escolheria a palavra “Ajuda”. Lourenço Velosa - 7.º ano - Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva Desde cedo, nós, alunos, familiarizamo-nos com a Inteligência Artificial através das redes, quase como se fosse um segredo a ser guardado dos professores. Contudo, não se trata de preguiça; antes pelo contrário, é uma forma de maximizar a nossa produtividade e explorar novas formas de expressar as nossas ideias, o que nos confere uma grande vantagem. Felizmente, as escolas estão gradualmente a introduzir estas ferramentas de produtividade no nosso quotidiano, ajudando os nossos colegas a compreender que não se resume a copiar e colar, mas sim a dominar a ferramenta para obter informações reais e precisas. Pessoalmente, recorro à Inteligência Artificial para realizar diversas tarefas escolares, o que me permite poupar tempo e esforço, resumindo as matérias e maximizando o estudo. Na minha perspetiva, as Inteligências Artificiais oferecem inúmeras vantagens, ajudando os jovens a desenvolverem o pensamento cognitivo ao planearem como utilizar a Inteligência Artificial para satisfazer as suas necessidades. É crucial que nos habituemos às IA’s, pois representam o futuro da tecnologia. Além disso, as IA’s podem aumentar a produtividade ao automatizar tarefas repetitivas e oferecer serviços diversos, facilitando as nossas escolhas diárias. Embora muitos não se apercebam, as IA’s já estão presentes nas nossas vidas, desde os CAPTCHA’s até às recomendações das redes sociais e ao funcionamento do Google Maps. No entanto, é importante reconhecer que as IA’s também têm as suas desvantagens, como a disseminação de desinformação e discursos de ódio, exemplificados pelo incidente da IA “Tay” no Twitter em 2016, e o potencial de substituição de empregos. Se tivesse de escolher uma palavra para definir a Inteligência Artificial, seria “Assistente pessoal”. Esta escolha reflete a convicção de que, daqui a alguns anos, estaremos totalmente imersos no universo das IA’s, utilizando-as em praticamente todas as áreas das nossas vidas. Hugo Vorster - 9.º ano - Escola Básica e Secundária com Pré-escolar da Calheta Tenho trabalhado com a Inteligência Artificial (IA), principalmente para programar com as linguagens Python e Rust. Já desenvolvi alguns projetos com recurso a IA, como por exemplo: a criação de bots para aplicações como o discord, usando modelos OpenAI. Na minha opinião, acho que a IA é incrível pela capacidade de otimizar e desenvolver fluxos de trabalho, permitindo aumentar a eficiência, rapidez e automatização, como por exemplo, automatizar tarefas repetitivas em jogos. Da mesma forma, pode-se usar um modelo GPT e algum código Python para auxiliar em trabalhos de casa. Eu uso a IA para muitos dos trabalhos escolares que normalmente produzo em inglês, e que utilizo para me auxiliar na tradução para português. Mas também, é muito útil para criar um ponto de partida para um texto ou um trabalho, ou mesmo apenas para desenvolver ideias que me ajudem a estruturar algo que queira desenvolver. Por tudo isto, penso que a IA oferece inúmeras vantagens em termos de eficiência e relação custo-benefício. Porém, tem também as suas desvantagens, como vulnerabilidades, por exemplo quando integrada em sites ou similares, ou mesmo quando a IA fica “presa num loop” ou sai do assunto que estávamos a desenvolver, conhecido como alucinação. Apesar destes inconvenientes acho que, no geral, a IA é muito potente e se eu tivesse que descrevê-la numa única palavra seria “revolucionária”, porque ao ritmo atual, a IA só vai ficar cada vez mais poderosa e a preços cada vez mais baixos o que, a meu ver, mudará muitas indústrias, mas suponho que todos teremos que esperar para ver. Henrique Lourenço - 9.º ano - Escola Básica e Secundária de Santa Cruz Sim. Poucas vezes. Na minha opinião, relativamente às vantagens, a IA permite-nos aceder às informações sobre os conteúdos/temas de uma forma rápida. Torna-se útil na realização de trabalhos escolares e é de fácil acesso. Relativamente às desvantagens, julgo que acabamos por usar cada vez menos, ao ponto de praticamente abandonar, os livros e enciclopédias. Além disso, se duas pessoas tentarem realizar um trabalho com um tema em comum, a informação obtida é igual para as duas, limitando assim a nossa criatividade. Quanto a mim, o recurso à IA limita a criatividade, pois em vez de pensarmos e opinarmos sobre o tema, a IA responde por nós. A questão subjetiva/sentimental, a inteligência artificial não reconhece. Trata-nos como um todo, e cada ser é único, com pensamentos também únicos! A nível de perigos, a informação obtida através da Inteligência Artificial é uma probabilidade, e nas probabilidades existe sempre a possibilidade em falhar. Evolução. Inês Dias - 12.º ano - Escola Básica e Secundária com Pré-escolar da Calheta Sim, recorro à Inteligência Artificial para esclarecer algumas dúvidas, assim como apoio extra para trabalhos escolares. Utilizo, maioritariamente, o ChatGPT para clarificar ideias e facilitar a compreensão da matéria, tendo sempre o cuidado de filtrar apenas a informação adequada, de modo a não confiar plenamente nesta inteligência. A Inteligência Artificial apresenta inúmeras vantagens, nomeadamente de facilitar as tarefas repetitivas e prolongadas, bem como simplificar e tornar o nosso dia mais prático. Apesar dos seus contributos, apresenta também algumas desvantagens como a substituição de empregos, sendo um receio do nosso futuro como estudantes; a privacidade, pois não é de total confiança; e a falta de raciocínio humano que se vai perdendo aos poucos com a realização de tarefas através da IA. Há uma falta de emoção e criatividade perante esta, onde um dos maiores perigos é a falta de ética, de segurança e privacidade dos nossos dados. Mas independentemente destas desvantagens, acho que as vantagens prevalecem e têm um peso maior, apenas considero que deve ser usada com moderação para não perdermos a nossa capacidade de pensar e tomar decisões. Se tivesse de definir Inteligência Artificial numa palavra seria inovação, uma vez que as tecnologias estão em constante desenvolvimento, bem como a IA que tem vindo a progredir cada vez mais. Francisco Gouveia - 12.º ano - Escola Básica e Secundária de Santa Cruz Sim. Na minha opinião, a utilização da IA tem vindo a ganhar espaço na sociedade em todos os setores e a educação não é exceção. Obviamente, existe na sociedade um debate sobre o tema. Muitos são os argumentos a favor e muitos, contra. Do meu ponto de vista, é uma ferramenta de trabalho para fazer resumos e trabalhos de um modo mais rápido e fácil. Permite-nos aceder à informação de forma rápida e simplificada, por vezes, simplificada demais. A IA associada à robótica, no caso das pessoas com deficiência, pode contribuir para termos uma vida mais autónoma. Por exemplo, posso aceder aos conteúdos escolares e promover uma autonomia pessoal e social com mais acessibilidade e permitir uma maior participação. Em termos de argumentos contra, o nosso raciocínio e o pensamento crítico são menos estimulados e a utilização da IA de forma sistemática pode tornar o nosso cérebro mais preguiçoso e conduzir-nos a um estado de “preguicite aguda”. Nova Era. Tiago Ascensão - 12.º ano - Escola Secundária Francisco Franco Rápida, intuitiva e eficaz. Apesar de parecer que veio do filme “O Exterminador Implacável”, a Inteligência Artificial é, neste momento, a forma mais poderosa de investigação, produção e melhoramento de conteúdo. Enquanto estudante, seria ignorante refutar a utilização da tecnologia disruptiva, como meio de auxílio, uma vez que, o seu vasto leque de possibilidades oferece informação e conteúdo adaptado ao respetivo contexto e necessidade da utilização. Mas, como qualquer rosa tem os seus espinhos, as suas desvantagens são responsáveis por perfurar os alicerces da nossa sociedade atual, já que, há uma simetria obscura entre a capacidade de gerar tanto o bom, como o mau. São incontáveis as possibilidades de burla, incapacitação cognitiva e dependência que podem ser fruto desta dita “virtude tecnológica”, daí que seja crucial assumir a suas consequências e adotar uma posição calculista. Caminhamos rapidamente para um futuro dependente, onde a criação humana será diluída pela dúvida, por isso, tal como no filme, não nos deixemos derrotar por uma inteligência, que, tal como o seu nome indica, nada mais é do que “artificial”. Reflexão Do voto acompanhado ao segredo de voto - participação política das pessoas com deficiência - Desafios Isabel Catarina Martins e Rui Coimbras - Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral Joaquim Alvarelhão - Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral e Universidade de Aveiro É importante garantir a máxima segurança e confidencialidade para que os utilizadores tenham o mesmo nível de segurança dos procedimentos de votação padrão. Podemos começar por tentar um pequeno exercício. Imagine que, por algum motivo, se encontra temporariamente impossibilitado/a de escrever. Como votaria num sistema tradicional? Como colocaria uma cruz num quadrado? Como iria dobrar em quatro o boletim de voto? Cidadania - o reconhecimento do direito A cidadania - incluindo o direito ao voto – é fundamental para a construção de uma sociedade livre, justa e democrática. Os cidadãos europeus são representados e liderados por governos escolhidos em eleições livres e plurais. Como cidadãos, as pessoas com deficiência e/ou incapacidades têm o direito e o dever de participar, de forma plena e igual, em todos os aspetos da vida social, política e económica, expressando as suas escolhas de forma democrática e autónoma (conforme consta nos artigos 9.º, 10.º e 13.º da Constituição Portuguesa). A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) (Organização das Nações Unidas, 2006), posteriormente subscrita por Portugal, reconhece o direito ao voto e à participação política das pessoas com deficiência e prevê medidas para garantir a acessibilidade dos locais de voto e dos materiais eleitorais. Desta forma, a CDPD reforça a proibição da discriminação e defende a valorização das pessoas com deficiência. No artigo 29.º, reivindica e explicita “direitos políticos e a oportunidade de usufruí-los em igualdade de condições com os demais”, bem como o “voto secreto em eleições e referendos públicos sem intimidação”. Ao ratificar a CDPD, em 2009, Portugal assumiu o compromisso de implementar medidas para garantir a inclusão plena de todos. Exemplos de medidas necessárias para garantir a participação das pessoas com deficiência e/ou incapacidades aos atos eleitorais incluem a acessibilidade adequada nos locais para votar, a possibilidade de se fazerem acompanhar por uma pessoa da sua confiança para realizar os procedimentos necessários à escolha do voto e receberem materiais de informação ao eleitor em formato acessível. O direito de votar em segredo Apesar dos avanços sociais, em Portugal, as pessoas com deficiência e/ou incapacidades ainda enfrentam diversos desafios para participar de forma plena no processo eleitoral em vários dos domínios referidos anteriormente. Existe um, em particular, que não tem sido considerado nos diferentes apelos sobre esta matéria: votar em segredo. O voto acompanhado terá de ser sempre uma opção e nunca uma obrigação, porque não garante o direito ao voto em segredo. Com efeito, para as pessoas a quem não é possível assinalar a sua escolha nos atuais formatos disponibilizados para votar, poucas são as medidas que têm sido implementadas, exceção feita à recente alteração que permite a pessoas cegas utilizarem a régua braille para o efeito. Poder-se-á pensar que esta situação, a de não poder assinalar a respetiva escolha nos atuais formatos para votar, tem um universo limitado, mas não. Voltemos ao desafio inicial. Ocorreu-lhe alguma solução? A Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC) também se debateu com esta questão e abraçou o desafio de criar uma solução que pudesse funcionar como um facilitador do voto acessível a todos, independentemente das dificuldades físicas que apresentem. Com um computador, alguns dispositivos e uma impressora (QR code) nos locais de voto, esta solução permite a qualquer pessoa votar de forma independente e secreta. Ou seja, como qualquer outro cidadão, sem a ajuda de um assistente (para o voto acompanhado). Como funciona o sistema de voto acessível? Apesar de poder suscitar essa ideia, o voto acessível nada tem que ver com um sistema de voto eletrónico. É um sistema de voto presencial. Num processo em todo igual ao que já existe hoje, o utilizador desloca-se à assembleia de voto, mostra o seu cartão de cidadão e acede a um local reservado para o efeito composto por uma Aplicação do Sistema de Voto Acessível e um conjunto de dispositivos periféricos. São dadas orientações de utilização e o cidadão recorre aos periféricos ajustados às suas características. Numa técnica de varrimento de opções, o utilizador interage com o sistema, selecionando a opção que corresponde à sua intenção de voto e confirma o seu voto, pelo mesmo sistema, que é depois impresso em QR code. Para o efeito de um sistema de voto, é importante garantir a máxima segurança e confidencialidade, para que os utilizadores tenham o mesmo nível de segurança que os procedimentos de votação padrão. A impressão em QR code é a garantia que, se por qualquer motivo, o utilizador não transportar o boletim de voto para o colocar na urna, quem o fizer não tem acesso à informação nele contida. Os dispositivos periféricos podem ser considerados a essência da solução, sendo adaptáveis a cada utilizador. Todos os procedimentos são realizados offline, para evitar uma eventual manipulação através da internet. O sistema pode integrar som, abrindo assim novas possibilidades a pessoas cegas, com baixa visão ou com limitações físicas e de mobilidade, incluindo os idosos. Os 3S do Sistema Consideramos que esta solução integra Simplicidade, Segurança e Similaridade (similitude). Simplicidade: É um projeto simples que pode ser utilizado por todas as pessoas, privilegiando a interação com o sistema para respeitar as dificuldades existentes, e neste aspeto, ser um instrumento de inclusão social. Segurança: O voto acessível não é um voto eletrónico. Implica um conjunto de complexidades e ameaças externas que controlamos deliberadamente. Ir ao local de votação e expressar seu voto de forma independente, numa cabine, sem precisar de ajuda, contribui para atender às alavancas da Democracia. O voto é impresso com conteúdo criptografado e segue um mecanismo de chave de criptografia para evitar qualquer tipo de fraude. Similaridade (similitude): Este é um dos pontos essenciais da solução. Este processo tende a ser o mais idêntico ao que existe hoje, o que não exigirá alterações processuais e legislativas significativas. Ecos da primeira eleição com voto acessível A primeira eleição em que foi utilizado o sistema de voto acessível aconteceu num ato para eleger os corpos sociais de uma associação de paralisia cerebral do norte de Portugal. Após a respetiva aprovação em regulamento eleitoral, foi realizado um estudo, no próprio dia da votação, sobre a usabilidade do sistema de voto acessível junto dos eleitores que optaram por usar este sistema para o exercício do direito de voto. A pontuação global de usabilidade foi elevada (95,0%). Para as subescalas Utilidade, Qualidade da Informação e Qualidade da Interface, os resultados foram 98,3%, 96,7% e 91,7%, respetivamente. Nenhuma diferença estatisticamente significativa foi encontrada nas pontuações da avaliação de usabilidade entre as pessoas com paralisia cerebral e os outros eleitores. Na avaliação qualitativa por parte destes eleitores, destaca-se a facilidade de utilização, a melhoria da autonomia e liberdade e a recomendação para que a utilização deste tipo de dispositivos seja alargada a outros atos eleitorais (Alvarelhão & Rocha, 2019). O voto acessível: a sociedade civil a indicar o caminho ao Estado? A não discriminação de qualquer cidadão em função das suas características encontra-se contemplada na Lei. No entanto, ainda podemos identificar, no dia a dia, inúmeras situações discriminatórias que comprometem a equidade e a igual participação social, como a discriminação no ato de votar. O direito à participação e cidadania de pessoas com deficiência merece a atenção de toda a sociedade. Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, muito há ainda a fazer para garantir uma inclusão plena, efetiva e participativa. O sistema de voto acessível pretende dar plenos direitos a todas as pessoas, atendendo aos valores e direitos democráticos. A FAPPC entende que num estado de direito constitucional em que, em cada ato eleitoral, é violado o direito de votar em segredo a determinados cidadãos, a partir do momento em que existe pelo menos uma solução, pelo menos uma, esta opção deve ser considerada. Entendemos, portanto, que esta deve ser ponderada como possibilidade e alternativa a uma solução que não respeita o direito ao voto em segredo. Olhemos para alguns artigos da CPCD: Artigo 9.º - Acessibilidade Para permitir que as pessoas com deficiência vivam de forma independente e participem plenamente em todos os aspetos da vida, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para garantir o acesso das pessoas com deficiência, em igualdade de condições com outras pessoas, ao ambiente físico, aos transportes, à informação e às comunicações, incluindo tecnologias e sistemas de informação e comunicação e outras instalações e serviços abertos ou fornecidos ao público. Artigo 29.º - Participação na vida política e pública (…)ii. Proteger o direito das pessoas com deficiência de votar por voto secreto em eleições e referendos públicos sem intimidação, de se candidatar às eleições, de ocupar efetivamente cargos e de desempenhar todas as funções públicas em todos os níveis de governo, facilitando o uso de novas tecnologias de apoio e às novas tecnologias sempre que se justificar. Referências Organização das Nações Unidas (2006). Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD). Nova Iorque: Nações Unidas. Alvarelhão, J. & Rocha, N. (2019). Usability Assessment of an Accessible Voting System – A Mixed Method Study. Technology-and-disability, vol 31, s1, pp. 199-202. DOI: 10.3233/TAD-190016 Espaço PSI Inteligência Artificial e Psicologia - Oportunidades e Desafios Miguel Oliveira - Ordem dos Psicólogos Portugueses A psicologia tem o potencial de desempenhar um papel crucial na orientação do desenvolvimento de sistemas de IA para que sejam não apenas eficientes, mas também eticamente alinhados com os valores humanos. A interseção entre a inteligência artificial (IA) e a psicologia apresenta-se como uma das fronteiras mais fascinantes e complexas da ciência contemporânea. À medida que a IA avança, tornamo-nos cada vez mais conscientes das oportunidades e desafios que emergem desta relação. Este artigo explora essas dimensões, tentando oferecer uma visão sobre a forma como estas disciplinas podem se complementar e os obstáculos éticos e práticos que enfrentaremos. No cerne desta discussão está a Quarta Revolução Industrial, caracterizada por uma fusão de tecnologias que esbatem as linhas entre o físico e o digital. A IA, definida pelo Parlamento Europeu como “a capacidade que uma máquina tem de reproduzir competências humanas, como raciocínio, aprendizagem, planeamento e criatividade”, está a transformar o mundo e, consequentemente, a psicologia. Esta definição alinha-se com a perspetiva psicológica de inteligência, que envolve a capacidade de aprender com a experiência e adaptar-se ao ambiente. A psicologia tem o potencial de desempenhar um papel crucial na orientação do desenvolvimento de sistemas de IA para que sejam não apenas eficientes, mas também eticamente alinhados com os valores humanos. O conceito de «aprendizagem por reforço», um dos principais paradigmas da IA, ilustra perfeitamente essa interseção. Este conceito, que envolve a aprendizagem através de recompensas e punições, espelha os princípios da psicologia, onde os comportamentos são moldados por incentivos. Os algoritmos que utilizam esta abordagem proporcionam insights valiosos, não apenas para a IA, mas também para a compreensão do comportamento humano. Outra área de sinergia significativa é a modelagem da atenção humana. A capacidade dos sistemas de IA de emular a atenção humana, filtrando informações irrelevantes e focando no essencial, é crucial para aplicações de processamento de linguagem natural e visão computacional. Esta modelagem melhora a interação homem-máquina, tornando-a mais intuitiva e eficaz. A memória, um componente essencial tanto na psicologia quanto na IA, também representa um ponto de convergência. Os desafios na criação de sistemas de memória duradoura em IA espelham os desafios humanos de retenção e recuperação de informações, promovendo um entendimento mais profundo de ambos os processos. A ética na IA é um tópico central nesta discussão. A psicologia pode contribuir significativamente para o desenvolvimento ético da IA, assegurando que os sistemas sejam alinhados com valores humanos. A construção de IA ética envolve a consideração de princípios psicológicos na tomada de decisões, promovendo uma aplicação responsável da tecnologia. No entanto, a implementação de IA na psicologia levanta questões éticas e práticas significativas. O avanço dos modelos de linguagem (Large Language Models - LLMs) exemplifica essa complexidade. A programação direta (através de prompts que usam linguagem natural e não código ou programação informática), está a dar lugar ao condicionamento, onde modelos são treinados para responder a estímulos específicos. A transparência nos processos de desenvolvimento de IA é crucial para evitar vieses e garantir que os sistemas refletem valores humanos de forma justa. A responsabilidade inclui a necessidade de governança rigorosa para supervisionar o uso da IA. A evolução das interfaces homem-máquina redefine a colaboração entre humanos e IA. A psicologia pode contribuir para que essas interações sejam naturais e éticas, promovendo uma integração harmoniosa da IA no quotidiano dos seres humanos. À medida que a IA evolui, o seu impacto na psicologia é profundo. As ferramentas de IA transformarão a prática psicológica, desde a automação de tarefas clínicas até à personalização de terapias. No entanto, é essencial que a psicologia mantenha um papel orientador no desenvolvimento da IA, garantindo que estas tecnologias sejam usadas de forma ética. A colaboração entre IA e psicologia oferece uma oportunidade única para explorar novas fronteiras do conhecimento e melhorar a qualidade de vida. A psicologia pode guiar o desenvolvimento da IA para que esta não só amplie as capacidades humanas, mas também respeite os valores e princípios éticos fundamentais. A interseção entre IA e psicologia representa um campo dinâmico e promissor, repleto de oportunidades e desafios. O desenvolvimento de sistemas de IA que replicam e ampliam capacidades humanas oferece novas perspetivas sobre a compreensão e aplicação dos princípios psicológicos. No entanto, maximizar os benefícios e mitigar os riscos exige uma abordagem colaborativa e ética, que combine o melhor das duas disciplinas. A psicologia continuará a desempenhar um papel crucial na orientação do desenvolvimento da IA, assegurando que estas tecnologias sirvam para enriquecer a experiência humana de maneira significativa e responsável. Ao olhar para o futuro, a interação entre IA e psicologia promete revolucionar diversas áreas, desde a educação até a saúde mental. A IA pode ser usada para criar ambientes de aprendizagem mais personalizados, adaptando-se ao ritmo e estilo individual de cada estudante, fornecendo feedback contínuo e específico. Esta abordagem não só espelha os benefícios da tutoria individualizada, como também os potencializa numa escala muito maior. Contudo, a incorporação da IA na educação levanta questões éticas sobre privacidade e uso de dados pessoais. A personalização eficaz requer acesso a informações detalhadas sobre o aluno, o que pode incluir dados sensíveis sobre o seu estilo de aprendizagem e desempenho académico. É imperativo que os sistemas de IA sejam projetados com salvaguardas robustas para proteger a privacidade dos estudantes e garantir o uso ético desses dados. Além disso, a aplicação de IA na saúde mental oferece novas oportunidades para o diagnóstico e tratamento. Ferramentas de IA podem ser usadas para monitorizar sinais de distúrbios e oferecer intervenções personalizadas e em tempo real. No entanto, esta aplicação também traz desafios, incluindo a necessidade de garantir que as intervenções sejam baseadas em evidências e respeitem a autonomia do paciente. A ética no uso da IA na saúde mental é essencial, pois envolve questões sensíveis de consentimento e privacidade. É necessário um equilíbrio cuidadoso entre a inovação tecnológica e a proteção dos direitos dos utentes/pacientes. A psicologia não só pode beneficiar das tecnologias de IA, mas também contribuir significativamente para o seu desenvolvimento. A compreensão das nuances do comportamento humano é fundamental para o design de sistemas de IA que sejam verdadeiramente úteis e alinhados com os valores humanos. A colaboração interdisciplinar é essencial para enfrentar os desafios futuros e explorar plenamente as oportunidades oferecidas pela IA. Os próximos anos serão decisivos para determinar o papel da IA na sociedade e a sua interação com a psicologia. A colaboração entre estas duas áreas pode transformar não apenas a forma como entendemos o comportamento humano, mas também como utilizamos a tecnologia para melhorar a vida das pessoas. A IA tem o potencial de revolucionar a psicologia, oferecendo novas ferramentas para investigação, diagnóstico e tratamento, no entanto, é crucial que este desenvolvimento seja guiado por princípios éticos sólidos, assegurando que a tecnologia seja usada para o bem-estar humano. A psicologia, com a sua rica compreensão do comportamento humano, está bem posicionada para orientar este desenvolvimento e garantir que a IA seja uma força positiva na sociedade. A interseção entre IA e psicologia é um campo repleto de potencial, onde cada avanço traz novas oportunidades e desafios. Com uma abordagem ética e colaborativa, podemos garantir que a IA não só replique, mas também amplie as capacidades humanas, contribuindo para um futuro mais inteligente e inclusivo. A psicologia continuará a desempenhar um papel crucial, assegurando que o desenvolvimento da IA seja guiado por uma compreensão profunda do comportamento humano e pelos valores que sustentam a nossa sociedade. Legislação União Europeia aprova “lei histórica” para a Inteligência Artificial O Conselho da União Europeia (UE) procedeu em maio à aprovação final da Lei da Inteligência Artificial (IA). Com esta legislação, a primeira a nível mundial para esta tecnologia, pretende-se proteger os direitos fundamentais, a democracia, o Estado de direito e a sustentabilidade ambiental da IA de alto risco e, ao mesmo tempo, apoiar a inovação e apresentar a Europa como líder neste domínio. Segundo o Conselho da UE, esta “legislação emblemática segue uma abordagem “baseada no risco”, o que significa que quanto maior for o risco de causar danos à sociedade, mais rigorosas são as regras. É a primeira do género no mundo e pode estabelecer uma norma global para a regulamentação da IA”. Esta decisão do Conselho constitui o aval à decisão do Parlamento Europeu que, no passado mês de março, havia já aprovado o designado IA Act (Inteligência Artificial Act), um documento criado para regular a utilização da Inteligência Artificial, na União Europeia, no sentido de garantir a segurança e o cumprimento dos direitos fundamentais dos cidadãos, sem comprometer os avanços em matéria de inovação. O que pretende a UE com esta legislação? A prioridade consiste em garantir que os sistemas de IA utilizados na UE sejam seguros, transparentes, rastreáveis, não discriminatórios e respeitadores do ambiente. Os sistemas de IA devem ser supervisionados por pessoas, em vez de serem automatizados, para evitar resultados prejudiciais. Pretende também estabelecer uma definição uniforme e neutra em termos tecnológicos, de modo a ser aplicada em futuros sistemas de IA. Lei da Inteligência Artificial: regras diferentes consoante os níveis de risco As novas regras estabelecem obrigações para os fornecedores e utilizadores em função do nível de risco da IA. Muitos sistemas de IA representam um risco mínimo, é necessário avaliá-los. Risco inaceitável Os sistemas de IA de risco inaceitável são sistemas considerados uma ameaça para as pessoas e serão proibidos. Estes sistemas incluem: manipulação cognitivo-comportamental de pessoas ou grupos vulneráveis específicos: por exemplo, brinquedos ativados por voz que incentivam comportamentos perigosos nas crianças; pontuação social: classificação de pessoas com base no comportamento, estatuto socioeconómico, caraterísticas pessoais; identificação biométrica e categorização de pessoas singulares; sistemas de identificação biométrica em tempo real e à distância, como o reconhecimento facial. Podem ser permitidas algumas exceções para fins de aplicação da lei. Os sistemas de identificação biométrica remota “em tempo real” serão permitidos num número limitado de casos considerados graves, enquanto sistemas de “pós-identificação” biométrica à distância, em que a identificação ocorre após um atraso significativo, só serão permitidos para a repressão de crimes graves e após aprovação do tribunal. Risco elevado Os sistemas de IA que afetam negativamente a segurança ou os direitos fundamentais serão considerados de elevado risco e serão divididos em duas categorias. 1. Sistemas de IA que são utilizados em produtos abrangidos pela legislação da EU em matéria de segurança dos produtos. Isto inclui brinquedos, aviação, automóveis, dispositivos médicos e elevadores. 2. Sistemas de IA que se enquadram em áreas específicas que terão de ser registados numa base de dados da UE: gestão e funcionamento de infraestruturas essenciais; educação e formação profissional; emprego, gestão dos trabalhadores e acesso ao trabalho por conta própria; acesso e usufruto de serviços privados essenciais e de serviços e benefícios públicos; aplicação da lei: gestão da migração, do asilo e do controlo das fronteiras; assistência na interpretação jurídica e na aplicação da lei. Todos os sistemas de IA de risco elevado serão avaliados tanto antes de serem colocados no mercado como durante todo o seu ciclo de vida. Os cidadãos terão o direito de apresentar queixas contra os sistemas de IA junto das autoridades nacionais competentes. Requisitos de transparência A Inteligência Artificial generativa, tal como o ChatGPT, não será classificada como sendo de risco elevado mas terá de cumprir os requisitos de transparência e a legislação da UE em matéria de direitos de autor, ou seja: divulgar que o conteúdo foi gerado pela IA; conceber o modelo para evitar que este gere conteúdos ilegais; publicar resumos dos dados protegidos por direitos de autor utilizados para a formação. Os modelos de inteligência artificial de uso geral de alto impacto que possam representar risco sistémico, como o modelo de IA mais avançado GPT-4, teriam de ser submetidos a avaliações exaustivas e comunicar a ocorrência de quaisquer incidentes graves à Comissão Europeia. O conteúdo que é gerado ou modificado com recurso à inteligência artificial como, por exemplo as imagens, os arquivos de áudio ou vídeos (como é o caso dos deepfakes), precisa de ser claramente rotulado como sendo gerado através de inteligência artificial para que os utilizadores tenham consciência disso quando se veem confrontados com conteúdo desse género. Apoio à inovação A lei tem como objetivo oferecer às PMEs e start-ups oportunidades para desenvolverem e treinarem modelos de IA antes da sua apresentação perante o público em geral. E é por esse motivo que as regras exigem que as autoridades nacionais forneçam às empresas a possibilidade de efetuar testes de simulação com condições aproximadas às do mundo real. Fonte: Lei da UE sobre IA: primeira regulamentação de inteligência artificial | Temas | Parlamento Europeu (europa.eu) Livros Sugestão de Ângelo Abreu Divisão de Recursos Educativos Digitais - DRE Life 3.0 - Ser-se Humano na era da Inteligência Artificial Autor: Max Tegmark Editora: D. Quixote Ano: 2019 Este livro aborda os benefícios e os riscos dos avanços recentes na área da Inteligência Artificial, assim como o impacto em diversas áreas, nomeadamente, no crime, justiça, guerra, sociedade e emprego. Max Tegmark convida a uma reflexão sobre vários pontos importantes e tenta capacitar os leitores para que possam ter uma opinião consciente e realista da IA. Superinteligência - Caminhos, perigos, estratégias Autor: Nick Bostrom Editora: Relógio D’Água Ano: 2019 Um dos livros mais populares sobre a Inteligência Artificial que aborda os progressos feitos nesta área e o possível desenvolvimento de uma superinteligência. Neste livro, o autor, apresenta uma série de alertas e riscos para a Humanidade, mas também uma esperança na nossa capacidade para prevenir as consequências adversas da IA. Inteligência Artificial - Fundamentos e Aplicações Autores: Anabela Simões e Ernesto Costa Editora: FCA Ano: 2008 Uma obra estruturada e alicerçada em 20 anos de docência de Ernesto Costa e no trabalho de formação e investigação de Anabela Simões. Trata-se de um livro mais técnico e lançado há já algum tempo, mas que permite confirmar as previsões da década de 2000 relativamente ao futuro da Inteligência Artificial. Com uma abordagem centrada no conceito de agente em Inteligência Artificial, este livro aborda, entre outros, temas como agentes reativos, agentes de procura, agentes aprendizes e interação com o ambiente. Espaço TIC FLIP Quer trazer interatividade baseada em vídeo para as suas aulas? Experimente Flip, uma plataforma que permite publicar vídeos, com texto, emojis e muito mais, criando um espaço seguro onde os alunos podem expressar opiniões e debater temas de diversa natureza. Os alunos podem responder às solicitações, do professor recorrendo a vídeos, áudios, textos e imagens. O Flip promove a interação entre alunos, permitindo-lhes partilhar perspetivas, dar feedback e comentar os vídeos uns dos outros. Pronto para dar o Flip? https://flip.com/ MagicSchool.ai Acredita em magia? MagicSchool.ai, é uma espécie de canivete suíço das ferramentas IA, com mais de 60 opções diferentes à escolha! Permite criar planos de aula, redigir emails, gerar rubricas, produzir múltiplas explicações para conceitos complexos, criar atividades de aprendizagem e muito, muito mais!! Pronto para viver a magia? https://www.magicschool.ai/ Gamma Gamma é uma ferramenta que simplifica o processo de criação de apresentações para educadores e alunos. O seu recurso de destaque é a IA, que lida com o trabalho do design, permitindo que os utilizadores se concentrem no conteúdo. Permite criar materiais ou apresentações de duas formas distintas: através da inserção de um simples "prompt" ou através da submissão de um texto que já contenha os conteúdos a abordar e que será depois integrado na apresentação. Terminado o processo de criação, pode usar a sua apresentação online ou fazer o download da mesma em formato PowerPoint. Pronto para criar apresentações topo de Gamma? Em https://gamma.app/ Pordata Kids A Pordata Kids é uma ferramenta pedagógica para professores, pais e educadores, mas também para o público em geral. Surgiu com o propósito de estimular a curiosidade natural das crianças, sempre à procura de qualquer coisa, de todos os porquês. Como funciona? A porta de entrada na Pordata Kids é a “cidade Pordata”, em que cada edifício ou objeto corresponde a uma de dez categorias: Ambiente, Ciência e Tecnologia, Cultura e Desporto, Educação, Emprego, Famílias, Justiça, População, Saúde e Turismo. Descubra mais em: www.pordatakids.pt Notícias Code Week 2023 - Certificado de Excelência Luís Gaspar - Direção de Serviços de Tecnologias e Ambientes Inovadores de Aprendizagem - DRE Promover uma geração de cidadãos mais criativos, inovadores e preparados para enfrentar os desafios do mundo digital. As escolas da Região Autónoma da Madeira (RAM) alcançaram um feito notável ao receber o Certificado de Excelência da Semana da Programação, um reconhecimento do trabalho colaborativo entre 56 escolas e a Secretaria Regional da Educação, Ciência e Tecnologia. A iniciativa, que decorreu no âmbito do desafio Code Week 4 All, envolveu 6181 alunos desde o pré-escolar ao ensino secundário. O certificado da Code Week é uma distinção atribuída aos estabelecimentos de educação e ensino que se destacaram pelo trabalho coeso, envolvendo diversas escolas e entidades num esforço colaborativo. É ainda uma forma de reconhecer e enaltecer o extraordinário empenho e dedicação dos professores na promoção de atividades estimulantes. Na RAM, o Gabinete de Modernização das Tecnologias Educativas, da Direção Regional de Educação, dinamizou a Code Week 2023, através do Projeto CAP3R (Capacitar a Aprendizagem Promovendo Estratégias de 3D e 3R´s), que contou com a participação de 6.181 alunos, um número que demonstra o crescente interesse pelas áreas tecnológicas. Através de atividades práticas e interativas, os alunos puderam dar vida às suas ideias, desenvolver projetos inovadores e aperfeiçoar as suas competências em diversas áreas: Programação: aprender a codificar, criando jogos, animações e outros projetos interativos. Modelagem 3D: com brincos Halloween, explorar o mundo da modelagem 3D, visualizando suas criações de forma tangível. Realidade Aumentada: uma experiência de aprendizagem inovadora, permitindo descobrir o mundo virtual de forma interativa. Robótica Educacional: mergulhar no mundo da engenharia e automação, construindo robôs e aprendendo sobre automação e resolução de problemas. O sucesso da Code Week 2023 na RAM deve-se, portanto, ao empenho de toda a comunidade escolar, nomeadamente, alunos, pais e encarregados de educação, professores e parceiros. Este evento marca o início de uma jornada contínua de descoberta e aprendizagem tecnológica na Região e demonstra ainda o compromisso da Região com a Educação Tecnológica e a preparação dos jovens para os desafios do futuro. Através de iniciativas como esta, promove-se uma geração de cidadãos mais criativos, inovadores e preparados para enfrentar os desafios do mundo digital. III Encontro Regional - Programa AaZ - Aprendizagem da leitura, escrita e matemática Leonilde Olim - Divisão de Ação e Inovação Pedagógica - DRE Desenvolver competências nos alunos nos 1.º e 2.º anos de escolaridade. A Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia (SRE) definiu como uma das suas principais metas a promoção do sucesso e a melhoria da qualidade das aprendizagens e da participação de todas as crianças e alunos. Na prossecução destes objetivos, a SRE, em parceria com a Teresa e Alexandre Soares dos Santos - Iniciativa Educação, está a desenvolver nalgumas escolas da Região Autónoma da Madeira (RAM) o “PROGRAMA AaZ - LER MELHOR, SABER MAIS”. Este Programa visa desenvolver competências nos alunos nos domínios da leitura e da escrita, nos anos iniciais do 1.º ciclo do ensino básico, nomeadamente nos 1.º e 2.º anos de escolaridade. Este projeto de promoção do sucesso está a ser desenvolvido, na RAM, sob a coordenação da Direção Regional de Educação e teve o seu início no ano letivo de 2021-2022, nos concelhos de Santa Cruz e de Câmara de Lobos, em cinco escolas, nomeadamente, a EB1/PE do Caniço, a EB1/PE das Figueirinhas, a EB1/PE do Estreito de Câmara de Lobos, a EB1/PE Fonte da Rocha e a EB1/PE da Lourencinha. O que se ensina no AaZ - É um Programa de intervenção com os alunos dos 1.º e 2.º anos de escolaridade do ensino básico que apresentam dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita, comprometedoras do seu percurso escolar de aprendizagem; - Quanto mais cedo forem detetadas as dificuldades, maior é probabilidade de sucesso de intervenção; - Trabalha a descodificação, a fluência e a compreensão (velocidade, precisão e expressividade) da leitura. Como se operacionaliza O Programa AaZ funciona da seguinte forma: - Cada escola nomeia um professor-tutor que, em articulação com o professor titular de turma, irá desenvolver um programa pedagógico intensivo com um grupo de alunos ao longo do ano letivo; - As escolas procedem a uma avaliação diagnóstica com a finalidade de identificar, através de evidências, as crianças dos 1.º e 2.º anos de escolaridade que apresentam lacunas de competências leitoras; - O professor-tutor trabalha com grupos reduzidos constituídos por 3 a 5 alunos, com 2 a 4 aulas por semana. Cada aula tem a duração de 30 a 45 minutos. Calendarização A avaliação diagnóstica é realizada da seguinte forma: 2.º ano – início em setembro/outubro 1.º ano - início em janeiro/fevereiro Metodologia Estrutura das sessões de apoio: Mantém sempre a mesma estrutura prevista para cada sessão, existindo espaço ao professor-tutor para adaptações e inovações, de acordo com o grupo que apoia. Apoio individual – cada aluno tem sessões semanais com o professor-tutor. As sessões estão estruturadas da seguinte forma: a) Leitura de um texto em voz alta pelo professor-tutor; b) Treino de reconhecimento de letras, sílabas, palavras e texto; c) Escrita das letras, sílabas, palavras e texto treinado na leitura; d) Vocabulário. Iniciação à análise morfológica de palavras; e) 2.º ano - resumo do texto, por escrito. Avaliação da evolução do aluno - de três em três semanas. Estas avaliações são centradas nas competências básicas de leitura e escrita, designadamente, precisão, velocidade e expressividade: 1.º ano - 50 palavras por minuto. 2.º ano - 50 a 80 palavras por minuto. Nota: A extensão do apoio varia de acordo com os progressos registados pelos alunos. Em regra, o apoio será descontinuado quando o aluno alcançar um desempenho próximo da média geral da turma. Ao longo do ano letivo, são realizados três momentos de avaliação universal. Encontro Regional - Programa AaZ - Aprendizagem da Leitura, Escrita e Matemática Tendo em vista a necessidade de proceder à divulgação pública da avaliação do Programa, a SRE e os responsáveis da Iniciativa Educação agendaram o III Encontro Regional - Programa AaZ, que se realizou no dia 12 de janeiro na Escola EB/PE Bartolomeu Perestrelo e que incluiu, ainda, a atividade formativa “Aprendizagem da Leitura, Escrita e Matemática”. A Sessão de abertura contou com a presença do Secretário Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Jorge Carvalho, do Diretor Regional de Educação, Marco Gomes, do Presidente da Iniciativa Educação, Nuno Crato e da Presidente do Conselho Executivo da Escola EB/PE Bartolomeu Perestrelo, Paula Cardoso. A Apresentação Pública de Resultados e Avaliação do Programa AaZ foi realizada por João Lopes, Coordenador Científico do Programa AaZ. A atividade formativa “Aprendizagem da Leitura, Escrita e Matemática” teve como orador o Coordenador Científico do Programa AaZ - Ler Melhor, Saber Mais, João Lopes, que nesta conferência, colocou em evidência a importância das competências da leitura e da escrita nos resultados da matemática. Como síntese do Encontro, a SRE e a Iniciativa Educação manifestaram o seu empenho no desenvolvimento desta cooperação institucional, no sentido de possibilitar que as escolas tenham meios e programas de qualidade que lhes permitam, de forma consistente, desenvolver um trabalho pedagógico sustentado que atue sobre as dificuldades dos alunos, detetadas desde as idades mais precoces, com vista à sua superação, e que os coloque no caminho do sucesso escolar. CRJM - Campeonato Regional de Jogos Matemáticos Coordenação do Projeto CRJM É composto por seis jogos de tabuleiro que têm como característica base o facto de fazerem apelo ao raciocínio muito rigoroso e criativo, e isso é exatamente o que é a Matemática: o prazer de pensar! A 8.ª edição do Campeonato Regional de Jogos Matemáticos (8CRJM) realizou-se no dia 23 de fevereiro no Pavilhão Desportivo do Porto da Cruz. O 8CRJM é composto por seis jogos de tabuleiro que têm como característica base o facto de fazerem apelo ao raciocínio muito rigoroso e criativo, e isso é exatamente o que é a Matemática: o prazer de pensar! O CRJM, tutelado pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional de Educação, surge da promoção a nível nacional do Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos, o qual tem como entidades promotoras a Ludus, a Associação de Professores de Matemática, a Sociedade Portuguesa de Matemática e a Ciência Viva. O 8CRJM contou também com a colaboração da Câmara Municipal de Machico, da Câmara Municipal da Ponta do Sol, da Escola Básica com Pré-escolar (EB/PE) do Porto da Cruz, da Escola Básica e Secundária (EBS) da Ponta do Sol, da EBS Padre Manuel Álvares, do Clube OFMatic da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos (EB23) do Caniço, da Associação de Xadrez da Madeira, da Associação de Ténis de Mesa da Ponta do Sol, bem como dos seguintes patrocinadores: Contrakapa, Livraria Leya, Banco Crédito Agrícola, PLAZA Madeira, Castelo dos Hambúrgueres, FNAC, EquipVending, Papelaria Bento, Flow, Empresa Teleféricos da Madeira e Luduscience. A Final do 8CRJM contou com a participação de 318 alunos, designadamente, 142 do 1.º ciclo, 72 do 2.º ciclo, 69 do 3.º ciclo e 35 do ensino secundário, assim como cerca de 110 docentes. Esta atividade contou, na sessão de encerramento e entrega de prémios, com a presença de Jorge Carvalho, Secretário Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Marco Gomes, Diretor Regional de Educação, Mónica Vieira, Vereadora da Câmara Municipal de Machico, Manuel Luís Andrade, Presidente do Conselho Executivo da EB/PE do Porto da Cruz, Ricardina Andrade, Presidente do Conselho Executivo da EBS da Ponta do Sol, Pedro Barbosa, responsável comercial da Livraria Leya, e Vítor Rodrigues, gerente do Centro Comercial PLAZA Madeira. Numa iniciativa da DRE, o 8CRJM proporcionou ainda a representação dos 12 alunos vencedores regionais, na final do 17.º Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos (17CNJM), que decorreu no passado dia 14 de março (Dia Internacional da Matemática e Dia do “Pi”), na Universidade de Aveiro. Para o efeito, o apoio do Programa Provas Dadas da Direção Regional de Juventude para a deslocação dos alunos e docentes ao Porto, foi fundamental para garantir a presença nesta competição que reuniu aproximadamente 1800 alunos, de norte a sul do país e ilhas. Dos 12 vencedores regionais, 7 obtiveram lugares no pódio (3 primeiros lugares, 3 segundos lugares e 1 terceiro lugar), 4 obtiveram honrosos lugares. O aluno Simão Garanito, da EBS Padre Manuel Álvares, apesar de ter comparecido não competiu, por motivos de saúde. Apresentamos a lista dos vencedores: 1.º Ciclo “Gatos & Cães” 1.º Lucas Caldeira | EB/PE do Porto da Cruz 2.º Yara Calaça | EB/PE/C do Caniçal 3.º Diogo Luís | EB1/PE do Estreito de Câmara de Lobos “Rastros” 1.º Pedro Rosa | Externato de São João 2.º Leonardo Neves | EB1/PE da Assomada 3.º Lourenço Cunha | Externato Sant’Ana “Dominório" 1.º Alexandre Viveiros | EB1/PE/C Eng. Luís Santos Costa 2.º Guilherme Castro | EB1/PE/C de Santa Cruz 3.º Alexandre Barbosa | Externato de São João 2.º Ciclo “Rastros” 1.º Diogo Teixeira | EBS Dr. Ângelo Augusto da Silva 2.º Milo Man | International Sharing School 3.º Marco Lucas | EBS da Ponta do Sol “Dominório” 1.º David Flores | EBS da Ponta do Sol 2.º Kirill Iakovlev | EB23 do Caniço 3.º Lourenço Figueira | EBS Gonçalves Zarco “Produto” 1.º Júlia Freitas | EB23 do Caniço 2.º Tiago Figueira | EBS D. Lucinda Andrade 3.º Samuel Flores | EBS da Ponta do Sol 3.º Ciclo “Dominório” 1.º Gustavo Ornelas | EBS Bispo D. Manuel Ferreira Cabral 2.º Mateus Sousa | EB23 do Caniço 3.º Tiago Araújo | EB23 Dr. Horácio Bento de Gouveia “Produto” 1.º Petra Batista - EB23 do Caniço 2.º Nuno Freitas | EBS Dr. Ângelo Augusto da Silva 3.º Nuno Jesus | EBS Bispo D. Manuel Ferreira Cabral “Atari Go” 1.º Miguel Aleixo | EB/PE Bartolomeu Perestrelo 2.º Santiago Sá | EB23 do Estreito de Câmara de Lobos 3.º Mateus Garanito | EBS Padre Manuel Álvares (Ribeira Brava) Ensino Secundário “Produto” 1.º Alvarino Lin Chen | Escola da APEL 2.º Aléxis Abreu | ES Francisco Franco 3.º Francisco Delgado | EBS Dr. Ângelo Augusto da Silva “Atari Go” 1.º Simão Garanito | EBS Padre Manuel Álvares (Ribeira Brava) 2.º António Figueira | ES Francisco Franco 3.º Santiago Peña | EBS Gonçalves Zarco “Nex” 1.º Martim Andrade | ES Francisco Franco 2.º Lisandro Nunes | EBS/PE da Calheta 3.º Eduarda Rodrigues | EBS de Machico I Encontro Músicos e Música Madeirense Natalina Santos - Direção de Serviços de Educação Artística - DRE O evento destaca a relevância dos músicos, compositores e poetas da Madeira, reconhecendo o seu papel fundamental na identidade cultural da história do nosso povo. A Direção de Serviços de Educação Artística levou a efeito o I Encontro de Música e Músicos Madeirenses, no passado dia 5 de março, no auditório da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Horácio Bento de Gouveia. Este evento decorre do Projeto Regionalização no Currículo de Educação Musical, cuja motivação alicerçou-se no facto de, a partir de 2002, a articulação entre os 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, na área da Educação Musical, ter começado a gerar, de modo mais consequente, alguma inquietação. Considerando que na Madeira os alunos do 1.º ciclo têm 4 anos de expressão musical/áreas artísticas e que, por sua vez, os manuais nacionais do 2.º ciclo estão organizados para alunos sem bases formativas em educação musical, tornou-se necessário articular estes dois níveis de ensino, perspetivando a respetiva continuidade. Assim, a partir de 2002, demos início ao processo de regionalização do currículo de educação musical no 2.º ciclo do ensino básico, através da proposta do então Secretário Regional de Educação, Dr. Francisco Fernandes, de regionalizar o currículo nacional (EM) em 30%, por ocasião do I Congresso de Professores de Educação Musical da Madeira, em 2003. O projeto norteia-se por 3 objetivos: 1) A inserção de práticas musicais no currículo que apoiem o aluno na sua integração nas estruturas locais; 2) A conservação do património musical madeirense; 3) A fortificação da identidade regional face à mobilização de culturas decorrente da globalização. Neste discorrer de ideias, procedemos à criação de materiais curriculares com conteúdos regionais, através dos quais os alunos podem descobrir a música madeirense e experimentar as práticas musicais madeirenses em contexto de sala de aula. Por outro lado, reforçamos a formação de professores, sendo que atualmente há uma equipa de professores que sistematiza e disponibiliza atividades de cariz pedagógico, prepara e promove conferências didáticas nas escolas - nelas são abordados elementos do património musical, não só a nível tradicional, mas também, de caráter urbano. Com uma herança musical vasta e diversificada, a Madeira regista um legado notável em diversos géneros musicais, desde a música sacra até ao jazz, passando pelos cantos folclóricos e melodias tradicionais, deixados por inúmeros músicos e compositores. Ora, num contexto em que se reconhece a pertinência da preservação do património cultural como parte integrante da identidade local e regional, o I Encontro de Música e Músicos Madeirenses assume-se como um momento de incentivo e promoção das práticas musicais nas escolas da Região Autónoma da Madeira (RAM), explorando temas do rico património musical madeirense. Além disso, a iniciativa destaca a relevância dos músicos, compositores e poetas da Madeira, reconhecendo o seu papel fundamental na identidade cultural da história do nosso povo. O evento contou com a participação de alunos de vários estabelecimentos de educação e ensino da RAM, designadamente, do Colégio Infante D. Henrique, da Escola Básica com Pré-Escolar e Creche do Caniçal, da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Caniço, da Escola Básica e Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral, da Escola Básica e Secundária de Santa Cruz, da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Horácio Bento de Gouveia e da Escola Profissional Atlântico, que se apresentaram em palco com uma variedade de performances. Contou, ainda, com a participação especial do professor de educação musical e investigador, Vítor Sardinha – mentor do projeto em 2002 – que presenteou a plateia com uma intervenção sobre várias personalidades, cujos contributos são determinantes para a história e preservação do património musical madeirense. Basquetebol na Cidade - O conjugar perfeito entre "escolar" e "federado" Direção de Serviços do Desporto Escolar - DRE Evento que ganha contornos que vão muito mais além do que… uma bola de basquetebol. O Basquetebol na Cidade, uma iniciativa da Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, por intermédio da Direção de Serviços do Desporto Escolar (DSDE) da Direção Regional de Educação, em parceria com a Associação de Basquetebol da Madeira (ABM), com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, preencheu com animação constante, entre os dias 5 e 18 de março, a Praça do Povo, no Funchal. Esta segunda edição do Basquetebol na Cidade foi ampliada relativamente à primeira, não apenas no número de dias, mas, também, no que concerne ao número de alunos envolvidos, tendo atingido os 3500 participantes. Foram variados os motivos de interesse da segunda edição de um evento que ganha contornos que vão muito mais além do que… uma bola de basquetebol. Afinal, tudo gira à volta do basquete, mas as atividades têm uma expressão mais lata. Nos primeiros quatro dias, os alunos do 1.º ciclo do ensino básico de todos os concelhos da Região Autónoma da Madeira, em particular, dos 3.º e 4.º anos de escolaridade, foram os protagonistas. Os representantes do Porto Santo, que viram adiados os seus jogos devido à indisponibilidade de transporte, marcaram presença posteriormente. De referir uma novidade, esta iniciativa juntou o voleibol ao basquetebol, pelo que estas duas modalidades deram expressão aos primeiros 4 dias desta iniciativa. E foi da ABM o primeiro fim de semana do Basquetebol na Cidade, com o desporto federado de mãos dadas com o desporto escolar, estando assim reunidas condições organizativas de excelência, levando ambos os setores a “remarem para o mesmo lado” e, consequentemente, abrangendo um maior número de jovens. No terreno, a competição de 3x3 do setor federado, em que as equipas, de 4 elementos cada, puderam ser constituídas por atletas de vários clubes, tendo havido, até, uma equipa estrangeira, formada por nómadas digitais! A competição de 3x3 estendeu-se, nos dias seguintes, sob alçada do Desporto Escolar, distribuída pelos escalões de Infantis 1, Infantis 2, Iniciados, Juvenis e Juniores/Seniores, tendo sido realizados um total de 119 jogos. Posteriormente, chegou a vez dos mais novos. Alunos dos 1.º e 2.º anos exibiram as suas qualidades com uma bola de basquetebol. Para o efeito, a ABM abriu um novo capítulo do Basquetebol na Cidade com a atividade inovadora “Magia do Primeiro Cesto”. A par do driblar, do encestar e do jogar, o Basquetebol na Cidade disponibilizou espaços para a pintura, saltos nos insufláveis, sempre sob a orientação e supervisão da ABM e da DSDE, proporcionando às crianças muita diversão e uma alegria contagiante, o que, só por si, validou esta iniciativa… Ainda houve espaço para a visita dos profissionais do Galomar, equipa da 1.ª Divisão do Nacional, num intercâmbio entusiasmante, um contacto certamente inesquecível entre os “gigantes” e os mais pequenos … O último dia ficou marcado por uma iniciativa da Atividade Motora Adaptada, na qual participaram 140 atletas e utentes de 14 escolas e instituições da Região, distribuídos pelas competições femininas e masculinas em dois escalões: menores e maiores de 16 anos. Foi certamente a “chave de ouro” de um projeto destacado tanto por Elmano Santos, Diretor de Serviços do Desporto Escolar, como por Sandra Rebolo, presidente da Associação de Basquetebol da Madeira, unânimes no balanço feito: “Uma aposta ganha numa simbiose perfeita entre Desporto Escolar e Desporto Federado”. Universidade Sénior - Atividade Intergeracional Maria do Céu Barcelos - Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco As atividades intergeracionais têm muitos benefícios e funcionam como pontes entre as gerações, promovendo a interação, a socialização, a empatia, o respeito pelo outro, a inclusão e a convivência entre grupos de diferentes idades. A Universidade Sénior Gonçalves Zarco (USGZ) desenvolve mecanismos e estratégias que assentam em experiências positivas de envelhecimento ativo e aposta nas Práticas Intergeracionais, que se baseiam sobretudo na palavra Solidariedade. Solidariedade entre os jovens e os seniores, que é estimulada através do contacto sistemático com alunos dos diferentes ciclos de ensino. O objetivo é contribuir para que os seniores estejam mais integrados socialmente, com benefícios para todos, através das Atividades Intergeracionais (AI), algo que nos distingue das demais universidades seniores. AI com os alunos dos cursos profissionais As AI promovem uma maior capacidade de compreensão e respeito entre as gerações. Partindo deste pressuposto, os professores das disciplinas de Mindfulness e Seniores em Movimento estabelecem articulações interdisciplinares com os alunos do 11.º ano dos cursos profissionais de Desporto, na disciplina Atividades de Ginásio Módulo de Atividade Física em Populações Especiais. A preparação deste tipo de AI obedece a etapas minuciosas dadas as fragilidades do público-alvo, com objetivo de garantir que a experiência seja positiva e significativa para ambos os grupos. Nesse sentido, as AI processam-se em diferentes fases, a saber: Identificar e definir os objetivos da AI; Selecionar as atividades adequadas; Adaptar as AI às necessidades, capacidades, interesses e nível etário dos participantes; Escolher o local (com boas acessibilidades), data e hora; Distribuir as tarefas e comunicá-las claramente; Promover a interação, criando oportunidades para os participantes se conhecerem e interagirem entre si (inclui jogos de quebra-gelo, atividades de trabalho em equipa e até conversas informais); Fomentar a aprendizagem mútua, incentivando os participantes a partilharem conhecimentos e experiências (histórias sobre as suas vidas, dicas de exercícios físicos ou insights sobre o desporto). As AI dividem-se em 2 partes Geralmente, as AI dividem-se em teoria e prática. Poderá ser uma sensibilização para a prática do exercício, os seus benefícios e uma abordagem das doenças que afetam a população na terceira idade, seguida de um momento para os seniores colocarem perguntas aos jovens sobre o conteúdo apresentado. Posteriormente, são realizados exercícios de aquecimento e, por fim, a AI planeada. Tipos de exercícios e AI Com este público, são sobretudo privilegiados os exercícios de coordenação, aeróbica de baixo impacto, mobilidade, prevenção de quedas, destreza, resistência ao ritmo, melhoria do equilíbrio e da força, flexibilidade, alongamentos, movimentos de braços e de pernas e, também, de fortalecimento muscular. Dinamizamos, igualmente, aulas de fitness, jogos recreativos adaptados, caminhadas orientadas, dança, yoga, mindfulness e oficinas de habilidades desportivas, sendo que o fundamental é promover o bem-estar físico e emocional dos seniores. Reflexão e avaliação após uma AI Após a AI, é fundamental refletir e avaliar o evento. A avaliação poderá ser informal, através da observação direta ou dos feedbacks dos participantes, contribuindo para identificar pontos fortes e áreas a melhorar em eventos futuros. Frequentemente, a avaliação é feita formalmente, através de inquéritos, entrevistas e/ou discussões em grupo, onde os participantes partilham as suas experiências, perceções e sugestões, aferindo os reais benefícios das mesmas. Sentimentos e emoções após uma AI Após uma AI bem-sucedida, tanto os seniores como os jovens experimentam uma variedade de emoções e sentimentos de satisfação, felicidade, energia renovada, de pertença, empatia, inspiração, diversão, alegria e gratidão. Importa referir que estas emoções e sentimentos variam de pessoa para pessoa e que nem sempre todos os participantes experimentam exatamente as mesmas reações. Frequentemente, e através de observação direta, os alunos reconhecem o valor das gerações mais velhas, as suas lições de vida e de resiliência, sendo que muitos se sentem inspirados e todos manifestam uma profunda gratidão. “Nós precisamos de um mundo novo, um mundo que se transforme para o bem de toda a humanidade”, conforme defende o Papa Francisco. Em suma, analisando a perspetiva dos jovens e dos seniores, consideramos que estas AI têm muitos benefícios e funcionam como pontes entre as gerações, promovendo a interação, a socialização, a empatia, o respeito pelo outro, a inclusão e a convivência entre grupos de diferentes idades, criando um sentimento de pertença, bem como a desmitificação de alguns conceitos preconcebidos no que concerne à idade e à postura. A alegria, o espírito de equipa, de interajuda, a excelente convivência e o respeito foram sempre vivenciados, criando momentos inesquecíveis, muito prazerosos e divertidos entre todos os participantes e organizadores. No final das AI, os miúdos, os jovens e os graúdos mostram-se sempre felizes. A USGZ promove AI em quase todas as disciplinas, com o intuito de facilitar a comunicação e a convivência entre as diferentes gerações. Este vínculo tem permitido à comunidade adquirir e enriquecer com os conhecimentos e as experiências de vida dos menos jovens, encarando, deste modo, a intergeracionalidade como um valioso contributo para o reequilíbrio social e a construção de sociedades mais justas, dignas e solidárias. ACCESS FAST Divisão de Acessibilidade e Ajudas Técnicas - DRE Disponibilizar equipamentos, considerados produtos e tecnologias de apoio para alunos do 3.º ciclo, ensino secundário e ensino universitário. O Projeto Access Fast, da Direção Regional de Educação (DRE), é operacionalizado pela Divisão de Acessibilidade e Ajudas Técnicas (DAAT), e tem o apoio da Fundação Altice. No âmbito deste projeto, foram disponibilizados os seguintes equipamentos, considerados produtos e tecnologias de apoio para alunos dos 3.º ciclo, ensino secundário e ensino universitário: Quha Zono, AMAneo USB, Computador, Tablet, Pentalock FS e respetivos suportes e Switches. O Quha Zono é um rato giroscópico que possibilita um controlo total do computador com apenas um movimento de rotação da cabeça ou qualquer outro segmento corporal. Quanto ao AMAneo USB, consiste num adaptador para rato que permite aos alunos com movimentos involuntários e/ou tremores, controlar o rato do computador de forma mais eficaz, filtrando esses movimentos. A DAAT procedeu à demonstração da utilização destas tecnologias de apoio, ao longo de várias sessões, nos dias 9, 10 e 11 de maio de 2023, e que contou com a presença do Engº. Jorge Sequeira, da Fundação Altice. Para o efeito, foi criado e divulgado um formulário de inscrição online, tendo-se obtido 10 inscrições. Seguidamente, e com as devidas autorizações, os alunos inscritos tiveram a oportunidade de aceder a estas tecnologias com o objetivo de verificar a sua eficácia, contribuindo para a aprendizagem contínua da equipa da DAAT. Oito destes alunos deslocaram-se em transporte próprio ou facultado pela DRE enquanto os dois restantes, alunos universitários, deslocaram-se por meios próprios. No final desta experiência, procederam ao preenchimento de um curto questionário de satisfação acerca da importância do uso da tecnologia em contexto escolar que teve como objetivo avaliar as atividades realizadas. Dos 9 alunos que responderam ao questionário, 7 referiram que estas tecnologias aumentam a autoestima e motivação. Salienta-se igualmente que 7 dos inquiridos mencionaram que as mesmas permitem realizar as tarefas escolares com autonomia. Aos alunos foi, ainda, entregue um certificado de participação. A DAAT agradece a participação e a avaliação da sessão a todos os alunos, assim como a presença dos respetivos acompanhantes. Concurso Educação para os Media Vasco Cunha - Divisão de Recursos Educativos Digitais - DRE Dotar as crianças e os jovens com ferramentas que os ajudem a compreender e a interpretar a publicidade e a comunicação social, preparando-os para fazerem escolhas informadas e para desenvolverem a sua capacidade crítica. O concurso Educação para os Media é organizado pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção de Serviços de Tecnologias e Ambientes Inovadores de Aprendizagem, da Direção Regional de Educação. O concurso insere-se nos projetos TV Escola e Literacia Mediática e Publicidade do Programa EDUCAmedia. Estes têm como intuito capacitar, aperfeiçoar e atualizar os professores e os educadores da rede escolar da Região Autónoma da Madeira relativamente ao desenvolvimento de projetos televisivos, fílmicos e videográficos, bem como fornecer ferramentas que permitam aos alunos pensar de forma crítica, prepará-los para fazerem escolhas informadas e acederem ao mundo digital de forma segura. Este concurso visa sensibilizar e fomentar o sentido crítico sobre a forma como consumimos os medias digitais. A operacionalização é feita através de demonstração de práticas e exemplos escolares, sendo que os produtos deste concurso (cartazes, reportagens e vídeos promocionais) são apresentados em formato de noticiário escolar. O concurso pretende ainda dar um contributo para o aprofundamento de estudos que visem a promoção de aprendizagens sobre educação para os media, comunicação e produção audiovisual. Este projeto promove competências aos alunos e professores na área da produção e realização audiovisual e multimédia, comunicação e educação para os media tais como: Proporcionar reflexão e debate de comportamentos sociais; Divulgar experiências escolares e boas práticas no âmbito da educação para os media; Fomentar a criatividade e gosto pela criação audiovisual; Desenvolver competências que contribuam para a transformação social; Promover uma educação para os media e capacitar os alunos para a descodificação de discursos mediáticos. O 1.º Concurso Educação para os Media, subordinado ao tema “Cidadania Digital”, pretendeu sensibilizar os alunos para uma utilização responsável e ética da tecnologia, quer seja no mundo físico ou digital, respeitando e conhecendo os direitos e deveres dos outros. A Internet é fundamental na informação e na construção de opiniões, deste modo, a cidadania digital tem em consideração a evolução da sociedade a nível tecnológico e comunicacional. Para o grande noticiário foram selecionados, através de casting, 6 pivots, 1 entrevistador e 1 repórter. O concurso apresentou 31 trabalhos de 15 escolas da RAM. O evento decorreu no dia 14 de março de 2024, no auditório da Escola Básica com Pré-escolar Dr. Eduardo Brazão de Castro. Alguns alunos das escolas da Região tiveram a função de apresentar o noticiário, colocar questões aos convidados e intervir com o público. Os ilustres convidados deste noticiário, Jorge Carvalho, Secretário Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, e Ricardo Oliveira, Diretor do Diário de Notícias da Madeira, partilharam a sua opinião sobre cidadania digital, comportamento responsável e ético no mundo digital, transformações no jornalismo, veracidade das notícias, digitalização da escola e jornalismo digital, entre outros tópicos. Sendo um concurso, foram entregues certificados e troféus aos vencedores. Assim, a organização selecionou os melhores trabalhos de cada categoria. Os trabalhos que mais se destacaram foram: 1.º e 2.º ciclos Melhor Cartaz: Escola Básica do 1.º Ciclo com Pré-escolar e Creche da Ribeira Brava. Melhor Vídeo Promocional: Escola Básica do 1.º Ciclo com Pré-escolar e Creche da Quinta Grande. Melhor Reportagem: Escola Básica do 1.º Ciclo com Pré-escolar do Ribeiro de Alforra. 3.º ciclo e secundário Melhor Vídeo Promocional: Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco. Melhor Reportagem: Escola Secundária Jaime Moniz. O EDUCAmedia pretende com os seus projetos o desenvolvimento da literacia em publicidade e nos media nas escolas da Região. Além da questão técnica e instrumental, procura dotar as crianças e os jovens com ferramentas que os ajudem a compreender e a interpretar a publicidade e a comunicação social, preparando-os para fazerem escolhas informadas e para desenvolverem a sua capacidade crítica. Este programa também visa fornecer competências aos alunos e professores na área da produção e realização audiovisual e multimédia, a nível conceptual e prático, proporcionando a aquisição de aptidões genéricas fundamentais relativamente à comunicação, artes e design. Projeto PC4Dys Divisão de Acessibilidade e Ajudas Técnicas - DRE Estas tecnologias de apoio destinam-se a alunos no início do percurso escolar de forma a promover a autoeficácia, a autonomia e a equidade nas aprendizagens escolares e evitar o insucesso, a insegurança e a dependência. O Projeto PC4Dys é um projeto da Direção Regional de Educação, operacionalizado pela Divisão de Acessibilidade e Ajudas Técnicas (DAAT), com o apoio da Fundação Altice, nos estabelecimentos de ensino da RAM. Este projeto tem como objetivo permitir a alunos dos 1.º e 2.° anos de escolaridade com dispraxia - dificuldades de coordenação com défice na linguagem e na produção escrita – o acesso à educação e à aprendizagem, em equidade com os seus pares, com recurso a equipamentos informáticos, considerados tecnologias de apoio, e que são indispensáveis para o desenvolvimento das suas competências de leitura e escrita. Neste âmbito foram disponibilizados 6 computadores portáteis, dos quais 2 são tácteis, bem com 6 auscultadores e 3 licenças do software Grid 3. Estas tecnologias de apoio destinam-se a alunos no início do percurso escolar de forma a promover a autoeficácia, a autonomia e a equidade nas aprendizagens escolares e evitar o insucesso, a insegurança e a dependência. Pretende-se que os alunos utilizem um computador portátil com acesso aos manuais digitais, ferramentas de aprendizagem (tanto da leitura (leitura avançada) como da escrita (digitação por voz e predição de palavras)), bem como software de acesso para desenvolvimento da linguagem e desenvolvimento cognitivo. Estas ferramentas permitir-lhes-ão melhorar as suas competências escolares e, consequentemente, o seu sucesso escolar. Estes equipamentos são devidamente adaptados aos seus destinatários com teclados personalizados como, por exemplo, teclados com fundo amarelo, letra grande a negro e teclados com fundo colorido para facilitar o acesso a números, vogais, consoantes, acentuação, teclas de direção, teclas de atalhos, entre outras teclas. Para um acesso mais eficaz, e sempre consoante o aluno, são igualmente realizadas configurações tais como, a título de exemplo, ao nível da resolução do ecrã dos computadores, o aumento dos ícones, bem como o ajuste do tamanho do cursor do rato e/ou, ainda, o ajuste da velocidade do rato. De referir ainda que equipa da DAAT forneceu este apoio PC4Dys a 6 alunos dos seguintes estabelecimentos de ensino: EB/PE Bartolomeu Perestrelo, EB1/PE Visconde Cacongo, EB1/PE do Covão e Vargem, EB1/PE do Caniço e EBS/PE/C Professor Dr. Francisco de Freitas Branco. Este apoio implicará, por parte da equipa DAAT, a dinamização de ações de formação junto dos envolvidos, que serão realizadas de acordo com as necessidades dos alunos. Um despertar colorido Coordenação da Equipa de Animação, Direção de Serviços de Educação Artística -DRE A Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional de Educação, promoveu a 2.ª edição do Jardim em Festa, uma iniciativa da Direção de Serviços de Educação Artística que celebra a chegada da primavera. Este evento teve lugar no auditório do Jardim Municipal do Funchal, no dia 21 de março de 2024. Este ano, o tema desta nova história infantil foi “Um despertar colorido”, protagonizado pela Equipa de Animação que contou, pela primeira vez, com a participação de 131 crianças da educação pré-escolar, das seguintes intuições: Escola Básica do 1.º ciclo com Pré-escolar (EB1/PE) da Cruz de Carvalho, Externato São Francisco de Sales - Centros Educativos da Apresentação de Maria – Gaula, EB1/PE das Figueirinhas, Infantário Dona Olga de Brito e Infantário Donamina. Sobre a temática: As cores são uma temática de grande importância no desenvolvimento das crianças. Por este motivo, é importante propiciar às crianças condições que permitam a estimulação visual, a sua exploração e o contacto com diferentes objetos, de modo a ajudar na sua identificação, bem como, na expressão de ideias e sentimentos. A observação das cores na educação de infância permite às crianças o desenvolvimento da coordenação motora, o despertar do raciocínio lógico, da criatividade, da memorização e da criatividade. Recorrer ao contar de histórias contribui para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, pois despertam diversos estímulos, tais como a capacidade de observação, a concentração e a memorização. A expressão dramática é um excelente recurso pedagógico para a aprendizagem de várias temáticas, pois através das dramatizações e do brincar ao faz de conta, contribui-se para o desenvolvimento cognitivo da criança, facilitando a assimilação de ideias e memorização dos conteúdos. Sobre a história: Uma grande aventura aconteceu no Reino Cintilante… um Reino mágico e encantado no qual habitam tantas criaturas… Numa bela manhã, os seus habitantes repararam que algo de diferente estava a acontecer e que viria a transformar para sempre aquele Reino: uma bela flor. Desde então, tudo começou a ganhar cor… muitas cores… Como reagiram os habitantes ao arco-íris em que se transformou o seu Reino? Vem assistir à história e deixa-te embalar por esta aventura colorida! Esta é a história de um reino encantado onde viviam muitas criaturas mágicas. Este reino tinha uma particularidade: ao nascer, todos os habitantes trazem consigo um dom e quando o descobrem, recebem um segundo nome. Foi assim que este lugar recebeu o seu segundo nome… o Reino Cintilante, bem como a fada Rosa, que veio despertar um olhar colorido em todo o seu redor – a fada Rosa Íris – a fada das cores! Os habitantes do Reino Cintilante estavam curiosos com o nascimento de uma nova flor. Desde que começou a crescer, tudo à sua volta começou a mudar… algo diferente estava a acontecer. É assim que entra em cena a fada Rosa Íris, responsável pelas cores do reino, que, numa aventura colorida, transforma todo o jardim para receber a Primavera. Com algumas das pétalas da sua flor, a fada Rosa Íris ensina os nomes das cores e mostra que, ao misturá-las, conseguimos criar novas cores. É assim que começa a lição das cores primárias e secundárias, muito bem representadas pelas crianças que participaram neste enredo e abrilhantaram o jardim deste reino, trazendo vários adereços alusivos às cores que representavam: o azul, a amarelo, o vermelho, o verde, o laranja e o roxo, celebrando assim, com todo este colorido, a chegada da Primavera. Sobre a Equipa de Animação: A Equipa tem vindo a desempenhar, nestes últimos 38 anos de existência, um trabalho intensivo e permanente, nas áreas das expressões musical e dramática, dirigido às crianças com idade pré-escolar, dos 3 aos 5 anos. Esta atividade é operacionalizada através das suas animações pontuais, nas instituições de educação e ensino da Região Autónoma da Madeira. Ao longo destes anos, a Equipa de Animação tem vindo a apresentar um manancial de histórias com o objetivo de tentar transmitir valores basilares para a vida em sociedade: estimular o gosto pela leitura e desenvolver a linguagem oral, entre outros. Nos últimos anos, a Equipa tem pautado a sua atividade na faixa etária do pré-escolar, alargando-a aos alunos dos 1.º e 2.º anos. A Equipa cria e recria as suas histórias, e idealiza e confeciona os adereços, cenários e guarda-roupa utilizados nas suas intervenções. A evolução do seu trabalho tem sido uma constante, quer na criação das histórias, nas composições musicais, na confeção dos materiais, bem como, nas diversas técnicas de apresentação. A rentabilização de recursos também é uma das apostas desta Equipa, apelando à sua criatividade e sentido estético, os materiais são reutilizados e adaptados, pensando na durabilidade e apresentação. Os recursos utilizados para contar as histórias, nomeadamente, os fantoches e as marionetas, têm vindo a evoluir mediante as necessidades sentidas ao longo destes anos. Concerto Liberdade na Melodia da Voz Maria João Caires - Direção de Serviços de Educação Artística - DRE Atualmente, a voz humana é reconhecida como uma ferramenta de expressão, não só de liberdade, como foi o caso na Revolução dos Cravos, mas também de expressão artística incomparável. A Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional de Educação, levou a efeito um concerto comemorativo do Dia Mundial da Voz intitulado Liberdade na Melodia da Voz, uma iniciativa da Direção de Serviços de Educação Artística, no passado dia 16 de abril, no Auditório do Jardim Municipal do Funchal. Este evento associou-se às comemorações dos 50 anos de um dos momentos mais marcantes da história de Portugal – A Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974. Para o efeito, um coro de 120 alunos provenientes de 4 estabelecimentos de educação e ensino da Região, acompanhado pela orquestra DSEA, constituída por docentes de expressão musical e dramática e de educação musical, composta por uma variedade de instrumentos (voz, braguinha, viola de arame, saxofone alto, bateria, piano elétrico, entre outros) e alguns convidados, deu voz a 11 das canções mais emblemáticas da época, incluindo obras de Zeca Afonso e Paulo de Carvalho, relembrando não só o impacto significativo do 25 de abril na história portuguesa, mas também o seu valor artístico e cultural. Este concerto simbolizou igualmente uma homenagem global à arte da voz na sua plenitude, através da voz falada, cantada e interpretada, com pequenos monólogos que contextualizaram as canções apresentadas, a época e a sociedade portuguesa de então. De referir ainda que a celebração do Dia Mundial da Voz deve-se à iniciativa do Professor Mário Andrea, diretor do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Santa Maria e da Faculdade de Medicina de Lisboa. A visão do Professor Andrea ganhou reconhecimento internacional, tornando o dia 16 de abril uma data de celebração em todo o mundo. Atualmente, a voz humana é reconhecida como uma ferramenta de expressão, não só de liberdade, como foi o caso na Revolução dos Cravos, mas também de expressão artística incomparável. Assim sendo, no Dia Mundial da Voz é importante lembrar a importância do cuidado e da saúde vocal, sendo esta também uma ferramenta de inclusão e diversidade, pois cada indivíduo possui uma voz única e valiosa. É nestes momentos que devemos celebrar essa diversidade através de performances que destacam diferentes estilos musicais, idiomas e culturas. Também é importante promover a inclusão de pessoas com deficiência vocal, oferecendo oportunidades para que todos, numa voz conjunta, participem de celebrações de maneira significativa. A Região Autónoma da Madeira tem atualmente cerca de 2000 alunos nos estabelecimentos de educação e ensino dos ensinos básico e secundário que frequentam a modalidade artística de canto de conjunto/canto coral. Nesta modalidade, é trabalhada a voz cantada e a educação auditiva, de forma a que os alunos, através dela (a voz) e em conjunto com outras vozes, possam se expressar por meio de performances musicais, como foi o caso neste concerto que destacou a beleza e a diversidade da voz humana. Esta modalidade artística exige cooperação e trabalho de equipa, pois os alunos precisam de se ouvirem uns aos outros, ajustar a sua própria voz para se “encaixar” com as outras e trabalhar em harmonia para alcançar um objetivo comum. Esta entreajuda tem o poder de promover habilidades importantes, como a comunicação, o respeito mútuo, a perseverança e a autoconfiança. Além disso, oferece uma oportunidade para crescerem como indivíduos, desenvolvendo capacidades de escuta ativa, empatia e autoconsciência. À medida que o concerto acabava, éramos lembrados da poderosa conexão entre a voz e a história, da importância de usar a voz para criar mudanças significativas, construir pontes para um mundo onde todos possam ser ouvidos, onde todos possam ser livres. Pois é através da nossa voz que moldamos o futuro, um verso de cada vez... Este concerto foi uma experiência inesquecível, unindo vozes, música, história e celebração, num final de tarde memorável para todos os presentes. Piquenique Saudável promove Educação Alimentar e Diversão Equipa de Coordenação do Projeto de Educação Alimentar - DRE É essencial aprender desde a tenra idade os hábitos que levarão a uma vida saudável e equilibrada. No passado dia 19 de abril, os Jardins do Lido foram palco de uma celebração dedicada à saúde e ao bem-estar das crianças. O evento, intitulado Piquenique Saudável, foi organizado pela Direção Regional de Educação, através do Projeto de Educação Alimentar DRE. O encontro reuniu 202 crianças, do pré-escolar e alunos do 1.º ciclo do ensino básico, numa manhã repleta de diversão e aprendizagem, com uma variedade de atividades lúdico-desportivas dinamizadas pela equipa de nutrição do Projeto de Educação Alimentar e pela equipa da Direção de Serviços do Desporto Escolar. O evento centrou-se na promoção de uma alimentação equilibrada e de hábitos saudáveis, fundamentais para uma vida plena, já que é essencial aprender desde tenra idade os hábitos que levarão a uma vida saudável e equilibrada. A programação incluiu momentos de dança, orientados pela professora Noémi Freitas, que deram lugar a circuitos preparados especialmente para o dia. Desde desafios a jogos, as crianças foram incentivadas a aprender, brincar e desfrutar dos alimentos nutritivos que trouxeram nas suas lancheiras, preparadas com carinho pelos seus encarregados de educação. Estes lanches foram compostos por uma variedade de alimentos saudáveis, como frutas frescas, frutos secos, sanduíches integrais e outros petiscos nutritivos, proporcionando uma experiência gastronómica rica em sabores e nutrientes. Os educadores e docentes que os acompanharam desempenharam um papel crucial ao facultar informações sobre o que deve constituir um lanche adequado, exercendo aqui um importante papel de mediação entre a escola e a família e garantindo que as lancheiras estavam preenchidas com alimentos saudáveis e nutritivos para o piquenique. De referir que o apoio e dedicação dos educadores e docentes é crucial no desenvolvimento de atividades no âmbito da promoção da literacia alimentar, destacando-se a sua relevância na implementação deste projeto, que visa a promoção de hábitos alimentares saudáveis entre os alunos. A sua participação ativa não apenas impulsiona o desenvolvimento de iniciativas como esta, mas também contribui significativamente para a transmissão de conhecimentos e orientações essenciais para o bem-estar físico e emocional dos alunos. A participação no projeto fortalece os educadores e docentes na concretização de ações específicas voltadas para a educação alimentar, colaborando assim para a criação de um ambiente educativo propício ao desenvolvimento holístico das crianças. O Piquenique Saudável não apenas proporcionou diversão, mas também serviu como uma valiosa oportunidade de educação alimentar, destacando a importância de escolhas saudáveis desde cedo, promovendo atividades que estimularam o corpo e a mente, repleto de opções saudáveis e nutritivas para recarregar as energias e continuar a aproveitar cada momento. Este evento cheio de energia certamente deixou memórias duradouras nas mentes das crianças, inspirando-as a adotar um estilo de vida saudável. Olimpíadas da Biologia Lucília Serralha - Escola Secundária de Francisco Franco Estimular nos alunos de biologia o interesse pelo ensino prático, laboratorial e experimental assim como aproximar o ensino secundário do ensino universitário. A Escola Secundária de Francisco Franco participou, no presente ano letivo, nas Olimpíadas Portuguesas de Biologia, tendo alcançado um resultado muito meritório nesta prova nacional. As Olimpíadas de Biologia são organizadas anualmente, desde 2010, pela Ordem dos Biólogos e visam estimular nos alunos de biologia o interesse pelo ensino prático, laboratorial e experimental assim como aproximar o ensino secundário do ensino universitário, introduzindo conceitos e práticas que facilitam a compreensão da realidade do ensino superior. As Olimpíadas visam também difundir a perceção da ligação da biologia a uma realidade económica e social complexa que exige licenciados em ciências biológicas para atingir os futuros desafios do País, promovendo assim o interesse dos alunos pelas ciências biológicas. As Olimpíadas são abertas a todas escolas do território nacional (continente e ilhas), públicas ou privadas, que lecionem as disciplinas de Ciências Naturais e/ou Biologia e Biologia e Geologia do 9.º ao 12.º ano. O concurso deste ano contou com a participação de 5500 alunos, sendo 3500 de 11.º ano. A Escola Secundária de Francisco Franco competiu com 25 alunos das turmas 1 e 2 do 11.º ano do curso de Ciências e Tecnologias. Estes alunos participaram num concurso muito competitivo que se realizou em 3 eliminatórias. As 1.ª e 2.ª eliminatórias consistiram em provas teóricas realizadas à distância. Em resultado da participação na 1.ª eliminatória, 17 alunos passaram à 2.ª eliminatória na categoria 11.º ano, tendo os alunos demonstrado um excelente desempenho e 4 deles ocupado os 3 primeiros lugares, nomeadamente: Ouro - Duarte Nunes; Prata - Eva Baptista; Prata - Mafalda Nunes; Bronze - João Pedro Freitas. O resultado obtido por estes alunos permitiu-lhes participar na final da categoria sénior, 12.º ano, que consistiu numa prova prática realizada no INIAVE, em Oeiras, nos dias 19, 20 e 21 de abril. Nesta final, os alunos, individualmente, executaram um conjunto de tarefas práticas e experimentais. Todos os alunos que participaram nas Olimpíadas Portuguesas de Biologia estão de parabéns e demonstraram grande interesse pela disciplina de Biologia e Geologia, tendo representado muito bem a Escola Secundária de Francisco Franco e a Região. A participação e preparação para as Olimpíadas foi supervisionada por mim, enquanto professora da disciplina de Biologia e Geologia. Na preparação para a prova final prática, os alunos tiveram o apoio e receberam treino na Faculdade de Ciências da Vida e no Centro ISOPlexis da Universidade da Madeira. Agradecemos à Escola todo o apoio concedido, particularmente nas deslocações dos alunos e da professora a Lisboa para participar na prova prática final e na entrega do prémio, através da aquisição das passagens aéreas. Dia Nacional da Educação de Surdos e da Juventude Surda Susana Vieira Spínola - Divisão de Acompanhamento à Surdez e Cegueira - DRE Iniciativa que privilegiou a possibilidade de oferecer um conjunto de atividades lúdicas e desportivas que promoveram o estabelecimento e desenvolvimento de relações interpessoais, neste grupo específico de alunos. O Dia Nacional da Educação de Surdos e da Juventude Surda assinala-se a 23 de abril. Por ser um dia significativo para a Comunidade Surda Portuguesa, a Direção Regional de Educação (DRE), através da Divisão de Acompanhamento à Surdez e Cegueira, apoiou a deslocação de um grupo de 11 alunos e 4 docentes surdos da Região Autónoma da Madeira, para participar na comemoração desta data, que teve lugar no Agrupamento de Escolas Eugénio de Andrade, na cidade do Porto. Este encontro contou com a representação de 23 escolas de referência (uma delas espanhola) e juntou mais de 1000 alunos surdos, numa iniciativa que privilegiou a possibilidade de oferecer um conjunto de atividades lúdicas e desportivas que promoveram o estabelecimento e desenvolvimento de relações interpessoais, neste grupo específico de alunos. A iniciativa contou com a colaboração de um grupo de docentes de língua gestual portuguesa, com o apoio de uma das escolas de referência, a EB1/PE/C Professor Eleutério de Aguiar, e de entidades externas à DRE, designadamente, as juntas de freguesia de Santa Maria Maior, de São Gonçalo, de São Martinho, de Santo António, do Estreito de Câmara de Lobos, de Santa Cruz e de Gaula que, em conjunto, contribuíram para os momentos inesquecíveis de convívio e de partilha vividos pelos alunos participantes. Abordar a temática da Educação de Surdos em Portugal tem sido uma tarefa algo complexa para todos aqueles que dedicaram, dedicam e pretendem continuar a dedicar, de forma empenhada, a sua prática profissional a esta área específica da educação. A investigação neste domínio tem exercido um papel fulcral na evolução das perspetivas de intervenção pedagógica e técnica, especializadas, no exercício da prática educativa com as crianças e alunos surdos. Em Portugal, o trajeto das políticas educativas, no que aos alunos surdos diz respeito, à semelhança do que aconteceu um pouco por toda a Europa, cumprindo decisões tomadas no Congresso de Milão, em 1880, colocou em prática uma política que interferiu na educação de surdos, assegurando o predomínio da língua oral, conhecido por Oralismo, sobre a língua gestual, remetendo a língua natural das pessoas surdas para um lugar obscuro, de onde começaria a sair aquando do seu reconhecimento pela constituição portuguesa, em 1997, como Língua Gestual Portuguesa, língua dos surdos portugueses e, consequentemente, como língua de referência na educação dos surdos. Desde este memorável marco, o bilinguismo tem tentado predominar, revelando impacto significativo no percurso académico e perfil dos alunos surdos, no acesso ao ensino superior, ou a outras formações mais avançadas, de forma cada vez mais comum. Historicamente, o Dia Nacional da Educação de Surdos e da Juventude Surda, está associado a dois acontecimentos: o primeiro, a criação da primeira escola de surdos em Portugal, o Instituto de Surdos-Mudos e Cegos, fundado a 20 de abril de 1823, pelo Rei D. João VI, a pedido da sua filha, a Infanta D. Isabel Maria. Por essa altura, o especialista sueco Per Aron Borg, então fundador e diretor do Instituto de Estocolmo, na Suécia, foi convidado pelo rei português, para criar o referido Instituto. Dava-se início à Educação de Surdos, em Portugal. Sabe-se que os primeiros alunos Surdos a integrar uma turma neste instituto eram oriundos da Casa Pia de Lisboa. Os registos falam em 4 rapazes e 8 raparigas, com idades compreendidas entre os seis e os catorze anos. Todos os alunos eram surdos, com exceção de um menino que era cego. O segundo acontecimento ocorreu a 23 de abril de 1996, na Escola Secundária José Gomes Ferreira, mais conhecida como Escola Secundária de Benfica. Nesse dia, um grupo de jovens alunos Surdos, liderado pelo Presidente do Centro de Jovens Surdos, Amílcar Morais, promoveu um encontro com o objetivo de debater a realidade escolar e defender o seu futuro, fosse para prosseguir para uma vida académica, fosse para uma imediata integração no mercado de trabalho, algo que, até essa altura, alguns dos seus professores afirmavam ser impossível, alegando não possuírem competências suficientes para serem integrados numa sociedade maioritariamente ouvinte. Estava dado um dos passos mais importantes na conquista do pleno direito de decisão destes jovens sobre a forma de perspetivar e projetar o seu futuro, enquanto cidadãos de pleno direito. A data de 23 de abril, representa portanto uma importante marca identitária, sendo-lhe atribuído um destaque significativo na Educação de Surdos, tendo como objetivo principal celebrar as conquistas educativas da comunidade surda ao longo dos anos e garantindo uma educação sem barreiras no acesso ao conhecimento. Acreditação Erasmus+ para Internacionalização e Inovação na Educação Leonilde Olim | Divisão de Ação e Inovação Pedagógica - DRE Implementação de projetos de inovação educativa, que privilegiam novos modelos organizacionais favoráveis à construção de cenários de aprendizagem de caráter transversal, multidisciplinar e inclusivos e que potenciam práticas pedagógicas colaborativas e o sucesso escolar de todos e de cada um. A Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia (SRE) tem vindo a adotar nos últimos anos, um conjunto de ações e medidas que convergem para o desenvolvimento de aprendizagens de qualidade e que sejam respostas às necessidades de todos os alunos. Neste sentido, a SRE, através da Direção Regional de Educação (DRE), num processo desenvolvido em harmonização com as escolas, tem vindo a apostar na implementação de projetos de inovação educativa, que privilegiem novos modelos organizacionais favoráveis à construção de cenários de aprendizagem de caráter transversal, multidisciplinar e inclusivos e que potenciem práticas pedagógicas colaborativas e o sucesso escolar de todos e de cada um. Nos últimos anos, a DRE desenvolveu projetos educativos internacionais, nomeadamente, projetos Erasmus+, com o intuito de promover a internacionalização da instituição e de criar redes de aprendizagem que proporcionem experiências e oportunidades para a modernização e inovação das práticas pessoais, profissionais, institucionais e interinstitucionais. Para incrementar a política de internacionalização educativa, a DRE, em outubro de 2023, construiu uma candidatura à acreditação Erasmus no domínio do ensino escolar. A aprovação desta candidatura 2023-1-PT01-KA120-SCH-000194810, poderá vir a ser um instrumento basilar no desenvolvimento dos profissionais da DRE e das organizações escolares que coordena. Acreditação Erasmus A Acreditação Erasmus é o instrumento que confirma que as instituições de ensino escolar, ensino e formação profissional ou de educação de adultos detêm uma estratégia para a implementação de atividades de mobilidade com elevados padrões de qualidade, assente num plano institucional de desenvolvimento europeu. Este instrumento permite que, no período de vigência da acreditação, apenas necessitem solicitar as subvenções necessárias às mobilidades planeadas a curto prazo. Uma instituição acreditada faz parte de um projeto maior, de uma ideia que visa o desenvolvimento e a melhoria do sistema de educação e formação na Europa de forma permanente e contínua. As instituições acreditadas são reconhecidas pelos seus parceiros pela qualidade das suas atividades, pela mais-valia que podem trazer ao programa, criando deste modo as bases para o estabelecimento de parcerias mais longas e duradouras. Repercussões da acreditação Erasmus para a formação dos profissionais da DRE e das escolas da Região Autónoma da Madeira e para a transformação dos alunos Com a obtenção da Acreditação Erasmus no domínio do ensino escolar, a partir de fevereiro de 2024 e até 2027, a DRE terá acesso regular a financiamento, para diversas mobilidades e atividades financiadas pela União Europeia. Isso significa que, durante os próximos anos, o pessoal docente e não docente desta Direção Regional pode beneficiar da participação no Programa Erasmus+, em diversas modalidades: job shadowing (acompanhamento no posto de trabalho), cursos estruturados (de desenvolvimento profissional), mobilidade individual e formação contínua com peritos convidados e outras atividades. As atividades previstas no projeto estão de acordo com as áreas prioritárias definidas e respeitam as normas de qualidade Erasmus+. Encontram-se alinhadas com o objetivo estratégico da DRE que visa a promoção e o desenvolvimento de uma política educativa inclusiva, implementada através de medidas inovadoras para a integração de todos os alunos, tendo por base três eixos: planeamento e implementação da transformação digital; ambiente, alterações climáticas, sustentabilidade e inclusão, e promoção da igualdade e a não discriminação. Esta acreditação permitirá a realização de várias mobilidades até 2027, por parte de todos os profissionais da DRE (dirigentes, docentes, não docentes, técnicos especializados de educação e outros), possibilitando a participação em atividades formativas em outros países europeus. Trata-se de um projeto inovador e agregador que envolverá todas as áreas de atuação das diversas áreas de ação da DRE (currículo, inclusão, artes, desporto escolar, tecnologia, psicologia, técnicos especializados, formação, investigação e projetos educacionais), de modo a dar a oportunidade a todos aqueles (com um olhar muito atento para os mais desfavorecidos) que, nestas diversas áreas, têm o perfil necessário para a participação neste projeto. O grande propósito desta candidatura é dar oportunidade a todos os profissionais nas diversas áreas, que possuem o perfil necessário para participar neste projeto, permitindo assim que a DRE, enquanto organização, possa continuar a acompanhar as tendências do mundo atual. Graças ao Erasmus+, qualquer profissional de educação motivado pela perspetiva de participar em formação no estrangeiro poderá contribuir para a transformação do currículo e para o avanço da formação e da educação na Europa. Estas novas qualificações, disseminadas na DRE e nas escolas da Região Autónoma da Madeira, sob a forma de boas práticas, serão um forte contributo, para o empoderamento dos profissionais da educação e constituir-se-ão como focos luminosos de uma cidadania europeia moderna, democrática, aberta à diversidade política, cultural, social, linguística e educacional dos diferentes povos, etnias e minorias. Esta Acreditação será um instrumento de operacionalização de estratégias fundamentais para a atualização, aperfeiçoamento e aprofundamento dos conhecimentos e competências profissionais de todos os profissionais da DRE, investindo na dimensão europeia e na internacionalização da DRE. Pretendemos que, após a realização das mobilidades, os participantes sejam mensageiros de transmissão de conhecimentos e experiências que sejam promotores de mudança, inovação e transformação, bebedouros do desenvolvimento da organização a que pertencem. Em síntese: reafirmamos a vontade do compromisso da partilha das aprendizagens realizadas com as partes interessadas: destinatários, parceiros e a comunidade em geral. Dessa forma, não apenas daremos bom uso aos recursos alocados, mas também contribuiremos para a disseminação das boas práticas e experiências vividas, enriquecendo-nos e bem assim o ambiente educacional dos nossos alunos. Além disso, acreditamos que o impacto deste projeto se estenderá para além das fronteiras da nossa organização. Os participantes terão a oportunidade de, não apenas adquirir novas competências e conhecimentos, mas também se tornar intelectuais emancipadores na organização e na sua comunidade. II Seminário de Saúde e Bem-Estar no Trabalho Anita Figueira, Filipa Serrão e Maurília Cró - Núcleo de Saúde e Bem-Estar no Trabalho - DRE As práticas de autocuidado podem ter efeitos diretos e indiretos no bem-estar individual, o que se reflete nas diferentes dimensões de vida do indivíduo. O II Seminário de Saúde e Bem-Estar no Trabalho: A relevância do Autocuidado na vida das pessoas e das organizações, realizou-se nos dias 9 e 10 de maio, no Centro Cultural e de Investigação do Funchal (CCIF), numa coorganização entre a Direção Regional de Educação e a Câmara Municipal do Funchal (CMF). É hoje plenamente reconhecida a ligação entre a saúde e o bem-estar e a realização pessoal e profissional do indivíduo. Na literatura atual, os dados são consistentes e indicam que as práticas de autocuidado podem ter efeitos diretos e indiretos no bem-estar individual, o que se reflete nas diferentes dimensões de vida do indivíduo. Em contextos profissionais saudáveis, os trabalhadores tornam-se mais capazes de concretizar as suas capacidades e potencial, gerir o stress e incrementar a sua produtividade. O investimento na promoção de ambientes de trabalho saudáveis é já uma realidade em algumas organizações portuguesas, que reconhecem o seu impacto positivo no colaborador. Neste âmbito, o II Seminário surgiu com o objetivo de promover a reflexão e o debate acerca da promoção da saúde mental e do bem-estar dos trabalhadores nas organizações e partilhar conhecimento científico que fundamenta a importância do autocuidado, tendo em vista a maximização do potencial produtivo e criativo dos trabalhadores. Para a condução desta reflexão e do debate, contamos com o contributo de duas especialistas nesta área, a Dra. Liliana Dias, psicóloga e membro do conselho de especialidade de Psicologia do Trabalho, Social e das Organizações da Ordem dos Psicólogos Portugueses, que se debruçou sobre a relação entre a saúde e o bem-estar organizacional, e a Dra. Helena Marujo, doutorada em psicologia, Professora Associada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, que abordou o tema “Sinais de esperança e reptos dos programas de bem-estar e saúde no trabalho: pontes entre a ciência e a prática.” Neste Seminário pretendeu-se ainda realçar o papel ativo que cada pessoa tem na construção de uma vida mais plena e saudável, apostando numa reflexão conjunta sobre a importância do autocuidado individual e coletivo, com uma mesa-redonda composta por convidados de várias áreas do saber, que debateram o tema “Desvendando os caminhos para uma vida mais equilibrada”. Para o efeito, contamos com o contributo de Cláudia Bilou, Chefe de Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal; Cristina Andrade, psicóloga; Francisco de Faria Paulino, gestor cultural; Hugo Araújo, osteopata; Mónica Vasconcelos, neuropediatra; e Nádia Brazão, nutricionista, com a moderação de Renato Carvalho, psicólogo da Direção Regional de Educação. Ao longo de dois dias decorreram dez workshops onde, através de dinâmicas vivenciais, os participantes foram convidados a refletir sobre a importância do autoconhecimento nas suas diferentes dimensões, olhando para o corpo e para as suas necessidades, mas também reconhecendo-se como seres emocionais. Deu-se importância a temáticas como a nutrição, o exercício físico, o sono, o descanso e as pausas conscientes, bem como o impacto que as relações positivas têm na saúde e no bem-estar dos indivíduos. Os participantes tiveram a oportunidade de experienciar momentos de criatividade, de sentir a importância das práticas artísticas através das manualidades e de apreciar o impacto da dança e da respiração, ferramentas essenciais para a otimização da qualidade de vida. Para finalizar este seminário, e tendo consciência dos desafios que o ser humano encara, os participantes foram convidados a realizar, no dia 11 de maio, uma caminhada na floresta, por acreditarmos que a ligação entre o ser humano e a natureza é regeneradora para ambos. Um agradecimento a todas as entidades que contribuíram de forma relevante para a concretização deste evento, especialmente à CMF e à equipa do CCIF, pela união de esforços, bem como a todos os oradores e formadores que aceitaram o convite para partilhar as suas ideias e conhecimentos. Às nossas chefias um muito obrigada, por continuarem a acreditar e a confiar no Núcleo de Saúde e Bem-Estar no Trabalho, que tem como objetivo promover a reflexão sobre a importância dos ambientes de trabalho saudáveis, como forma de potenciar a produtividade e o bem-estar de todos os colaboradores. Vozes de todos os tempos - O Regresso à excelência Direção de Serviços do Desporto Escolar - DRE “Sonho com o dia em que todos se levantarão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.” (Nelson Mandela) A Festa do Desporto Escolar 2024, uma organização da Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional de Educação, operacionalizada pela Direção de Serviços do Desporto Escolar, ficou marcada pelo regresso da Cerimónia de Abertura ao seu palco de excelência: o Estádio do Club Sport Marítimo. Este evento, que decorreu no dia 17 de maio, levou perto de 10 mil pessoas ao Estádio que assistiram a um grandioso espetáculo que, indubitavelmente, ficará na memória de todos. Intitulado “Vozes de todos os tempos”, a inspiração de Manuela Vieira que percorreu o relvado durante pouco mais de uma hora, é um álbum de memórias da Humanidade. O espetáculo mobilizou mais de 2000 participantes, dos 9 aos 90 anos, e ofereceu um desfolhar de vozes que, em nome da esperança, confirmaram as palavras de Marie Curie: “Devemos manter a nossa certeza de que depois dos dias maus, os bons virão novamente". Memórias em vozes que fazem a diferença e que se tornaram universais, que apelam a novas sensibilidades: “As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração”, declarou Helen Keller, a primeira pessoa surdocega a conquistar um bacharelato. Que nunca se desgastam, pois quanto mais lembradas, melhor se eternizam em nós: “Um vencedor é um sonhador que nunca se rende.”, decretou Nelson Mandela, e, "Um cientista no seu laboratório não é apenas um técnico: é, também, uma criança colocada à frente de fenómenos naturais que impressionam como se fossem um conto de fadas.", afirmou Marie Curie. Outras há, que nos impulsionam para uma vida melhor, que dão sentido às palavras de Nelson Mandela: “Sonho com o dia em que todos se levantarão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.” E porque não falar da voz da família? Porque não falar da família como berço do progresso? Como cuidar? Onde se encontram os nossos avós, na linha do tempo? Como entender as nossas ações em família? Fazendo jus à citação da Marie Curie: "Quanto mais velhos ficamos, mais sentimos que o presente precisa de ser aproveitado, comparado a um estado de graça." Sem esquecer a famosa inscrição do Templo de Apolo em Delfos, “Conhece-te a ti mesmo!”, sobre autoconsciência e autoconhecimento, do período clássico da Grécia. A Cerimónia de Abertura da Festa do Desporto Escolar 2024 dividiu-se em 3 atos: 1.º Ato - Abertura - Do imaginário infantil à história da Humanidade Coreografia 1 - Chegada da menina das estrelas; primeira leitura da história da Humanidade Coreografia 2 - Grécia Antiga - Conhece-te a ti mesmo 2.º Ato - Acontecimentos notáveis Coreografia 3 - Helen Keller e Anne Sulivan Coreografia 4 - “Apontamentos” Coreografia 5 - 46664 - Nelson Mandela – A luta pelos Direitos Humanos 3.º Ato - Avós na linha do tempo Coreografia 6 - Avós sem netos, netos com avós virtuais Coreografia 7 - “Transição” Coreografia 8 - “Pomba Branca” O espetáculo encerrou com a canção “Pomba Branca”, interpretada por várias vozes madeirenses, em homenagem ao grande artista madeirense, Max, que, segundo Carlos Amaral, “vai para além do género humano, porque ele transcendeu tudo o que poderíamos esperar de um homem sem letras, mas que se revestiu de letras, um homem sem instrução e que se revestiu de educação pura e um homem que soube traduzir a alma de um povo”. Concurso NutriChefe com Sabor e Criatividade Equipa de Coordenação do Projeto de Educação Alimentar - DRE Incentivar práticas alimentares saudáveis e sustentáveis entre os alunos das escolas básicas e secundárias A Direção Regional de Educação (DRE), no âmbito do Projeto de Educação Alimentar, promoveu o concurso NutriChefe com o objetivo de incentivar práticas alimentares saudáveis e sustentáveis entre os alunos das escolas básicas e secundárias. O evento, que decorreu no dia 17 de maio, na Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira, desafiou 14 talentosos participantes a demonstrar as suas habilidades culinárias. Centrado no tema "O Pequeno-almoço", o concurso estimulou os alunos a criar propostas nutricionalmente equilibradas, culminando numa emocionante Prova Final onde os estudantes apresentaram as suas criações ao vivo. Trata-se, portanto, de um concurso que não promove apenas a educação alimentar, mas também inspira os alunos a explorar a sua criatividade na cozinha, incentivando-os a cultivar hábitos saudáveis para um estilo de vida equilibrado. Na competição final, participaram quatro equipas da Escola Básica e Secundária (EBS) Bispo D. Manuel Ferreira Cabral, duas equipas da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos (EB23) Dr. Horácio Bento de Gouveia e uma equipa da EBS da Ponta do Sol. Os vencedores foram apurados da seguinte forma: 1.º Sabrina Andrade e Rita Rocha - EBS da Ponta do Sol 2.º Constança Gomes e Lia Ramos - EB23 Dr. Horácio Bento de Gouveia 3.º Mariana Santos e Eva Daniela - EBS Bispo D. Manuel Ferreira Cabral A cerimónia de entrega de prémios contou com a presença do Diretor Regional de Educação, Marco Gomes, juntamente com representantes da Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira e da Direção Regional de Educação. As vencedoras do 1.º lugar receberam, além do reconhecimento, uma garrafa de água térmica em aço. O evento contou com o apoio da Escola de Hotelaria e Turismo da Madeira, que acolheu a prova final, da VMT Madeira, que atribuiu vouchers para viagem de observação de cetáceos, e da Frente MarFunchal, que disponibilizou entradas para as piscinas dos complexos balneares. Semana Regional das Artes – Pequenos Grandes Artistas em Ação Natalina Cristovão Santos - Direção de Serviços de Educação Artística - DRE A arte não se explica, sente-se! A Semana Regional das Artes é a Festa das Artes! É o evento artístico que reúne o maior número de crianças e jovens dos estabelecimentos de educação e ensino da Região Autónoma da Madeira (RAM), proporcionando excelentes momentos de fruição, onde é possível observar, escutar e vivenciar, em vários palcos da cidade do Funchal, práticas artísticas diversificadas - música, canto, expressão dramática, teatro, dança, artes plásticas e multimédia. As suas raízes remontam a um passado com 4 décadas, através dos eventos MUSICAEP, Encontros de Grupos Corais e Instrumentais, de Dança e de Expressão Dramática promovidos em diferentes espaços da nossa Ilha. Mais tarde, com a concretização da exposição de Expressão Plástica na “galeria a céu aberto” da Avenida Arriaga, paulatinamente, optou-se por reunir as diversas formas de Expressão Artística numa semana – a Semana Regional das Artes – a qual recebeu a aclamação do nosso público e da comunidade escolar! Neste discorrer de ideias, a Semana Regional das Artes (SRA) é um meio através do qual se evidencia que a Educação Artística é uma prática efetiva no desenvolvimento curricular dos nossos alunos, maravilhando e surpreendendo quem se decida a percorrer a baixa funchalense quer sejam madeirenses, quer sejam visitantes. O Programa deste ano compreendeu 24 momentos artísticos, entre espetáculos, concertos e exposições que, entre os dias 4 e 9 de junho, dinamizaram vários espaços da cidade do Funchal, nomeadamente, o Auditório do Jardim Municipal, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, a Praça da Restauração, a “Placa Central”, a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Horácio Bento de Gouveia e o Centro Comercial Madeira Shopping. De entre os vários momentos artísticos, evidenciamos: O Concerto de abertura da SRA 2024, intitulado Ao toque da Rádio, protagonizado por alunos do ensino básico e secundário da RAM e pela Orquestra DSEA, no Jardim Municipal do Funchal, com emissão na rádio da JMFM - 88.8. A Exposição Les Cubes sur l'Avenue na Placa Central da Avenida Arriaga, que explorou pedagogicamente o Cubismo e os artistas associados a este estilo artístico. Para o efeito, os docentes trabalharam com os alunos as técnicas e os materiais associados ao Cubismo, o contexto histórico e cultural, os fundamentos artísticos, assim como a vida e obra de um artista específico e desenvolveram atividades que permitiram a produção de uma obra plástica, num suporte específico, através da utilização de técnicas de pintura e desenho e colagens. A Festa no jardim, que tem como principais intervenientes as crianças da educação pré-escolar. Não obstante a sua tenra idade, o interesse pela participação neste evento tem vindo a aumentar ano após ano, sendo que foram dinamizados, nesta edição da SRA, dois espetáculos. Fazendo jus ao ditado popular “De pequenino se torce o pepino”, o à-vontade com que se apresentam em palco é digno de registo. As Modalidades Artísticas, projeto que consiste na agregação de várias áreas artísticas - canto coral, instrumental, cordofones tradicionais madeirenses, dança, expressão dramática/teatro, artes plásticas, cinema e arte digital, produção áudio digital - cujas atividades são desenvolvidas, a nível do 1.º ciclo do ensino básico, no enriquecimento curricular e, a nível dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e ensino secundário, na componente extracurricular. Esta oferta artística diversificada permite aos alunos do ensino genérico experienciarem, desenvolverem e aprofundarem as competências artísticas em áreas mais específicas, sendo a Semana Regional das Artes um bom reflexo de todo esse trabalho. A 4.ª edição do Festival Infantil Vozes da Nossa Escola, que decorreu na Praça da Restauração – um evento cujo principal objetivo consiste em divulgar vozes de alunos solistas do 1.º ciclo do ensino básico da RAM, possibilitando uma experiência única e memorável de palco em formato de concurso. O Festival Juvenil Vozes da Nossa Escola, um evento dedicado à celebração e promoção do talento jovem nas áreas do canto e da performance que se realizou pelo terceiro ano consecutivo e contou com a presença de 12 concorrentes solistas dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico da RAM. Estes e outros eventos que integraram o vasto Programa da Semana Regional das Artes 2024 contaram com 205 participações de estabelecimentos de educação e ensino, 228 participações de docentes e 6670 participações de crianças e jovens. Parabéns a todos! A Arte não se explica, sente-se! Projeto FOLHEANDO EMOÇÕES… Ana Vieira e António Pimenta - Coordenação dos Técnicos Superiores de Bibliotecas Escolares Sensibilizar para a importância da literatura infantil no desenvolvimento emocional das crianças, permitindo-lhes explorar e aprender a gerir diferentes sentimentos e emoções. O Projeto "Folheando Emoções…" é uma iniciativa da Direção Regional de Educação desenvolvida nas escolas do 1.º ciclo com pré-escolar pelos Técnicos Superiores de Bibliotecas Escolares (TSBE), com o objetivo de sensibilizar para a importância da literatura infantil no desenvolvimento emocional das crianças, permitindo-lhes explorar e aprender a gerir diferentes sentimentos e emoções. Este projeto, que contou com a participação ativa de cerca de 50 estabelecimentos de ensino e 52 técnicos superiores de bibliotecas escolares, foi implementado em articulação com outros profissionais de educação nas escolas do 1.º ciclo com pré-escolar da Região Autónoma da Madeira. A operacionalização do projeto passou pela dinamização de múltiplas atividades nas escolas, nomeadamente, leituras performativas, produções de texto em vários registos, teatro, ilustrações, encontros de autor, canções e outras expressões artísticas dos alunos das turmas e/ou grupos envolvidos, terminando com a divulgação dos trabalhos dos alunos, numa exposição pública que esteve patente entre os dias 11 e 13 de junho, no Museu de Eletricidade - Casa da Luz. A par da exposição, teve lugar, também no dia 11 de junho, o colóquio "A importância das histórias infantis na gestão das emoções", destinado aos profissionais da educação, pais e encarregados de educação, que teve o intuito de abrir horizontes e promover reflexões pertinentes sobre o desenvolvimento e crescimento emocional das crianças através do debate. A sessão de abertura foi presidida pelo Diretor Regional de Educação, Marco Gomes, que reforçou quer o contributo dos profissionais de educação, quer o papel da literatura infantil, no trabalho da gestão das emoções e da inteligência emocional junto das crianças. Esta iniciativa contou com os contributos de diversos atores da área da educação e da psicologia, nomeadamente, Sofia Henriques, Mariana Martins e Inês Ferraz, que trouxeram reflexões valiosas sobre a importância da literatura e das emoções no desenvolvimento infantil. A moderação ficou a cargo de Andreia Baptista, garantindo uma discussão dinâmica e envolvente. Este evento público foi uma oportunidade para divulgar o trabalho das Bibliotecas Escolares e envolver a comunidade. A exposição temática mostrou os trabalhos realizados pelas escolas participantes, destacando a criatividade e o empenho dos alunos participantes. Houve ainda espaço para um momento artístico, apresentado por alunos do 3.º ano da EB1/PE Visconde Cacongo, que cativaram o público com um espetáculo que combinou música, declamação e expressão corporal. Além disso, a contadora de histórias Leda Pestana encantou a audiência com uma sessão de contos, transportando crianças e adultos para o mundo mágico da literatura infantil. O sucesso do evento destacou o papel fundamental da literatura para a infância no desenvolvimento emocional das crianças. Os participantes saíram inspirados e com uma maior compreensão da importância da literatura infantil na formação dos valores e afetos das novas gerações. A Direção Regional de Educação e os TSBE agradecem a todos os participantes, parceiros e à comunidade por tornarem este evento um sucesso. Juntos, continuarão a promover a leitura e o desenvolvimento emocional das crianças. XXIX Encontro Regional Ensino Básico Recorrente - 1.º Ciclo Coordenação do Ensino Recorrente - DRE Os cursos do 1.º ciclo do Ensino Básico Recorrente, na RAM, têm sido fundamentais para que adultos de todas as idades adquiram competências básicas de leitura, escrita e cálculo. No passado dia 21 de junho, realizou-se, no Parque de Santa Luzia, o XXIX Encontro Regional do Ensino Básico Recorrente do 1.º Ciclo. Alunos e professores celebraram o culminar de mais um ano letivo no ensino recorrente. Para além da confraternização, os participantes tiveram a oportunidade de participar numa aula Gi Qong e outra de Ioga. Seguiu-se a cerimónia de entrega de Certificados de Conclusão do 4.º ano de escolaridade, a distinção dos melhores classificados nos concursos “Ortografíadas”, “Matematicando” e “Memorizando” com os troféus respetivos e, para terminar, um momento de poesia que assinalou o final do ano letivo. Os cursos do 1.º ciclo do Ensino Básico Recorrente (EBR), na RAM, têm sido fundamentais para que adultos de todas as idades adquiram competências básicas de leitura, escrita e cálculo. Esta oferta educativa tem possibilitado, por um lado, a alfabetização de discentes adultos e, por outro, garantido o aperfeiçoamento das competências de literacia e numeracia. Apraz referir que os 39 cursos do 1.º ciclo do EBR são lecionados em 19 escolas, num total de 545 alunos, e em 10 instituições de solidariedade social, casas do povo, casas de saúde e centros comunitários, perfazendo um total de 214 discentes, nos diversos concelhos da Madeira. Os 759 discentes destes cursos são essencialmente adultos que não frequentaram a escolaridade obrigatória ou a abandonaram precocemente e encontram nos cursos do ensino recorrente uma segunda oportunidade de educação e certificação. Outros há, ainda, com o 1.º ciclo do ensino básico, que frequentam estes cursos com o propósito de atualizarem as competências adquiridas. A organização, a cargo da Secretaria Regional da Educação, Ciência e Tecnologia, através da Direção Regional de Educação, contou com o apoio da Instituto das Florestas e da Conservação da Natureza e, ainda, com a colaboração de câmaras municipais e instituições de solidariedade social no transporte dos alunos e professores.