O secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, defendeu hoje que a robótica e a inteligência artificial devem contribuir para aumentar a produtividade e a competitividade da economia madeirense, sem serem encaradas como fins em si mesmas.
Na abertura das Jornadas Regionais da Qualidade, que decorrem no Auditório da Reitoria da Universidade da Madeira, sob o tema “Robótica e Qualidade”, o governante sustentou que a tecnologia pode ajudar as empresas a ultrapassar limitações associadas à pequena dimensão do mercado, à insularidade e à ultraperiferia.
Uma economia insular “pode ser pequena e, simultaneamente, sofisticada”, afirmou, defendendo que a Madeira deve competir pela qualidade e pelo valor acrescentado, em vez de procurar fazê-lo exclusivamente pela escala.
José Manuel Rodrigues considerou que as ferramentas de automação e os sistemas de controlo permitem às pequenas empresas aceder a níveis de precisão, eficiência e qualidade que anteriormente exigiam estruturas de maior dimensão.
“É aqui que a robótica começa a deixar de ser uma questão exclusivamente tecnológica e passa a ser uma questão de política económica”, declarou.
O responsável pela Economia enquadrou a transformação tecnológica na necessidade de responder ao problema da produtividade, que classificou como estrutural na economia portuguesa.
“Portugal tem, há décadas, um problema de produtividade que não se resolve apenas com mais investimento nem com mais horas de trabalho”, afirmou, defendendo a necessidade de “produzir melhor, organizar melhor, qualificar melhor e incorporar conhecimento e tecnologia”.
Para o secretário regional, a questão central não é saber quantas máquinas existirão na economia dentro de cinco ou dez anos, mas perceber “que economia queremos ter quando essas máquinas fizerem parte, de forma natural, dos nossos processos produtivos”.
Na intervenção, associou também a competitividade a uma cultura de qualidade que ultrapasse a certificação e o cumprimento de procedimentos, assente na redução do desperdício, na identificação das causas dos erros e na melhoria contínua.
“A qualidade é uma forma de organizar o trabalho e de pensar a atividade económica”, sustentou, salientando que a tecnologia permite medir resultados com maior precisão, detetar desvios e antecipar falhas.
Advertiu, contudo, que essas capacidades não substituem a responsabilidade humana de decidir.
“Há uma tarefa que a máquina não pode fazer por nós e da qual nunca deveremos demitir-nos: definir o que deve realmente ser feito e com que propósito deve ser feito”, afirmou.
José Manuel Rodrigues reconheceu que a inteligência artificial e a robótica avançada vão alterar o paradigma do trabalho, ao abrangerem tarefas cognitivas, de análise, interpretação e apoio à decisão, defendendo uma aposta na preparação dos trabalhadores.
“A formação, a qualificação e a relação entre empresas e instituições de ensino são hoje uma questão económica de primeira importância”, declarou.
Neste contexto, apelou a uma maior proximidade entre a Universidade da Madeira, as empresas e as políticas públicas, considerando que a educação, a ciência, a formação profissional e a atividade empresarial não podem continuar a ser pensadas “como mundos separados”.
O governante estendeu essa exigência à Administração Pública, alertando para o impacto económico de procedimentos excessivamente complexos ou demorados.
“A burocracia também paga uma fatura”, afirmou, defendendo que a transformação digital não deve limitar-se à transposição de procedimentos existentes para plataformas digitais.
“A verdadeira transformação começa por questionar se determinado procedimento é mesmo necessário, se pode ser simplificado e se pode ser executado de outra maneira”, sustentou, acrescentando que a tecnologia deve servir “para mitigar a complexidade, não para a esconder atrás de um ecrã”.
O secretário regional defendeu uma abordagem à inovação afastada tanto do deslumbramento como do receio, reconhecendo que a tecnologia pode eliminar atividades e postos de trabalho, mas também criar profissões e alargar o acesso a novas capacidades.
Salientou que a região dispõe de empresas, universidade, centros de formação e instituições públicas que devem trabalhar em conjunto para transformar a inovação em produtividade, qualificação e valor.
“Da parte do Governo Regional, é esse o compromisso: preparar a economia madeirense para participar nesta transformação com capacidade própria, em vez de se limitar a acompanhá-la”, afirmou.
As Jornadas Regionais da Qualidade 2026 são promovidas pela Direção Regional do Comércio, Indústria e Qualidade, em parceria com a Associação Portuguesa para a Qualidade, e abordam a relação entre robótica, inteligência artificial, qualidade e transformação económica.