Miguel Albuquerque falava na inauguração da Unidade Renascer, mais um investimento do Instituto da Casa de Saúde de São João de Deus, na ordem dos quatro milhões de euros e que contou com um apoio PRR no valor de 3,2 milhões de euros e que vem permitir uma oferta de mais 40 camas na área da Saúde Mental.
Na ocasião, reiterou à direção da Instituição, «em particular ao meu estimado amigo Eduardo Lemos», que o Governo Regional tem extraído «enormes benefícios desta parceria com esta instituição». «Enormes benefícios porque o dinheiro que foi aplicado nos últimos anos nesta instituição não é gasto, é investimento!», destacou.
O governante realçou ainda o facto de aquela instituição saber gerir melhor do que ninguém os recursos que lhe são afetados, em benefício, obviamente, da população madeirense.
Neste sentido, afirmou a necessidade de se olhar para a saúde pública na Madeira numa perspetiva global.
Uma análise que começou logo por um anúncio: «As despesas de investimento na saúde, este ano, vão atingir cerca de 500 milhões de euros. Vou repetir: 500 milhões de euros! Estamos a falar de obras de investimento no sector, não tem nada a ver com obra do Hospital nem com a unidade de saúde do Porto Santo».
Valores que implicam que o grande desafio que há pela frente «é, sem sombra de dúvida, o do sistema público de saúde ter a capacidade de ter sustentabilidade financeira para o futuro».
«Ou seja, nós temos de ter a certeza de que cada euro que está afetado à prestação de cuidados de saúde da nossa população é bem aplicado. Por isso, temos de eliminar os desperdícios, eliminar as redundâncias, eliminar as disfuncionalidades, eliminar os abusos, eliminar o consumo excessivo num conjunto de bens e de atitudes que não são consonantes com aquilo que queremos para o futuro», preconizou.
Isto porque «as despesas, os custos na saúde pública na Madeira têm aumentado exponencialmente nos últimos anos: eu acho que é importante as pessoas saberem, por exemplo, que o preço dos medicamentos, nos últimos sete anos, aumentou 70% e que, também por exemplo, os custos dos medicamentos
oncológicos que são aplicados no serviço público de saúde, mesmo aqueles que são inovadores, aumentaram 170 por cento».
Desta forma, anunciou, «nós vamos passar dos cerca de 95 a 96 milhões de euros que pagávamos por medicamentos no sistema público, para os cerca de 130 milhões».
A propósito, recordou ainda o forte impacto da decisão do governo socialista de António Costa de passar o horário laboral para as 35 horas nos serviços de Saúde teve uma repercussão tremenda nas horas extraordinárias e no seu custo na Saúde.
«Vou-vos dar um exemplo: só no ano passado, só nas urgências nós gastamos mais de 10 milhões de euros em horas extraordinárias!», disse
Desta forma, reforçou, há que ter muito cuidado e garantir que todo este sistema tem de ser compatível com a capacidade de o governo poder pagá-lo e ainda que esse pagamento seja sustentável a médio e a longo prazo.
O governante falou ainda estarmos perante um outro grande desafio na Saúde, que é o facto de o sistema público de saúde, para ser compatível e ser competitivo, precisar de continuar a investir na inovação tecnológica e na formação dos seus profissionais.
Porque, avisa, «se isso não acontecer, nós vamos ter um sistema dual, como já acontece na maioria dos países na Europa, em que os mais ricos, os cidadãos de mais rendimento têm acesso ao sistema privado e o sistema público passa a ser um sistema residual para os mais pobres».
Isso, disse, é inaceitável!
Daí que perfilhe que é fundamental garantir que o sistema público de saúde da Madeira tem capacidade, não só para sustentar os seus custos correntes e as suas despesas de investimento, mas também para adquirir os melhores equipamentos e formar os seus profissionais na inovação.
«Vou-vos dar um exemplo. O nosso sistema público de Saúde na Madeira foi o primeiro sistema público que adquiriu o robô cirúrgico Da Vinci, que custou quase 4 milhões de euros, mais a formação agregada. Vamos agora adquirir um novo robô para a Ortopedia. Mas, tudo isto implica uma grande contenção e um grande sentido de rigor nos gastos», acrescentou.
Desta forma, anunciou que a Região terá a capacidade, até ao início de dezembro, «de ter uma aplicação que vai permitir ao Governo controlar a ficha de cada doente, de cada utente (os exames que faz, as receitas que são descritas) no sentido de se evitar redundâncias de tratamentos, de medicamentos e de exames».
«Nós não podemos continuar a ter pessoas que fazem exames todas as semanas, que isso custa muito dinheiro e não é necessário.
Da mesma forma que não podemos ter pessoas a consumir 4 e 5 medicamentos descritos por diversas entidades públicas e privadas, que isso significa que todos os anos deitamos fora medicamentos comparticipados por nós, pelos nossos contribuintes. Cerca de 19 toneladas de medicamentos são todos os anos deitados fora na Madeira!», sublinhou.
«Nós temos de continuar a fazer uma política rigorosa, para podermos manter um sistema público que é nosso e que nós temos todo o orgulho dele», disse
Neste sentido, continuou, «é dentro deste quadro político global que a casa de São João de Deus continua a ser um parceiro importante e rigoroso nas políticas públicas de saúde».
«Queria a agradecer a todos os profissionais o bom trabalho têm feito, queria agradecer todas as infraestruturas de inovação - estamos aqui a falar de inovação - que têm sido introduzidas nesta Casa, ao longo destes anos, e queria garantir a todos vós que a equipa da Saúde, que era o IA Saúde, quer o SESARAM, quer a secretária, estão aqui para falar a verdade», afirmou.
O mote para reiterar que «não vale a pena estarmos a camuflar aquilo que é uma evidência: ou nós conseguimos ter os meios para manter um sistema de saúde público de primeira qualidade, ao serviço de toda a população da Madeira, ou caso contrário, os sistemas públicos de saúde entram em decomposição e acontece o que está a acontecer em alguns países europeus». «Vejam o que está a passar em Inglaterra, que é uma autêntica catástrofe. E também em algumas áreas do continente», exemplificou.
Portanto, deixou claro, a ordem é «para manter o rigor, manter o controlo e manter aquilo que é essencial, que é a capacidade de assegurar que o sistema público de Saúde corresponda aos novos desafios da Madeira».
«Nós não estamos aqui para agradar a toda a gente. Há gente que não gosta, mas eu não tenho culpa porque eu não vim aqui também para agradar a toda a gente nem estou aqui para agradar a toda a gente. Estou aqui para cumprir uma missão, que é garantir que o Sistema de Saúde da Madeira continua a ser o melhor do país!», concluiu.