O Governo Regional está a reforçar as ações de gestão e proteção da floresta com trabalhos de limpeza e controlo de espécies invasoras no Paul da Serra, numa intervenção que abrange cerca de 40 hectares e que se integra na estratégia regional de prevenção de incêndios rurais para 2026. A iniciativa foi acompanhada, esta sexta-feira, pelo secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, e pela secretária regional de Saúde e Proteção Civil, Micaela Fonseca de Freitas, que visitaram os trabalhos realizados pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM (IFCN).
A intervenção decorre na área do Paul da Serra, com o objetivo de reduzir a carga de combustível vegetal, controlar espécies invasoras e criar descontinuidades na vegetação que dificultem a propagação de incêndios. No terreno, as equipas do IFCN estão a realizar operações mecanizadas e manuais de gestão florestal, com recurso a maquinaria especializada e às equipas de sapadores florestais da Região Autónoma da Madeira.
Durante a visita, Eduardo Jesus destacou a importância destas ações de silvicultura preventiva para a proteção do território e para a segurança das populações. “O Governo Regional tem vindo a reforçar de forma consistente a gestão ativa da floresta, porque sabemos que a prevenção é o instrumento mais eficaz no combate aos incêndios rurais. Intervir atempadamente, reduzir a carga de combustível e controlar as espécies invasoras permite-nos proteger o nosso património natural, salvaguardar as populações e criar condições mais seguras para a atuação das equipas de socorro”, afirmou o governante.
O secretário regional sublinhou ainda que estas intervenções assumem particular relevância numa região com características geográficas e climáticas exigentes. “A Madeira possui um património florestal de enorme valor ambiental, social e económico. Num território marcado por relevo acentuado e forte proximidade entre áreas florestais e zonas habitadas, torna-se fundamental investir de forma continuada na gestão da paisagem e na prevenção estrutural. Este trabalho no Paul da Serra é mais um exemplo de como estamos a preparar o território para responder melhor aos desafios que as alterações climáticas colocam”, acrescentou.
Também presente na visita, a secretária regional de Saúde e Proteção Civil destacou o papel da articulação institucional na estratégia de prevenção e combate aos incêndios. Micaela Fonseca de Freitas afirmou que “a prevenção de incêndios faz-se com esta articulação contínua entre a Proteção Civil e o IFCN. Estes trabalhos de gestão de combustível, executados pelo IFCN, são fundamentais para garantir que, num cenário de emergência, as nossas equipas de socorro consigam atuar com a máxima segurança. Ao reduzirmos a carga de vegetação nestes pontos estratégicos do Paul da Serra, estamos a criar barreiras que impedem que o fogo ganhe dimensão e se propague a outras zonas da ilha. Desta forma, protegemos as populações que se encontram em cotas inferiores e, crucialmente, potenciamos a eficácia do combate direto dos nossos operacionais no terreno. A Proteção Civil começa na prevenção e na preparação rigorosa do território”.
A intervenção integra um conjunto mais vasto de ações de silvicultura preventiva que o IFCN tem vindo a executar em áreas florestais públicas da Região Autónoma da Madeira. Estas operações incidem sobretudo no controlo de espécies invasoras de elevado potencial de combustão, com particular incidência na carqueja (Ulex sp.) e na giesta (Cytisus spp.), cuja rápida capacidade de regeneração compromete o equilíbrio dos ecossistemas e aumenta o risco de incêndio.
A remoção destas espécies permite não só reduzir a continuidade da vegetação, fator determinante na progressão do fogo, como também criar condições favoráveis à regeneração natural das espécies autóctones, contribuindo para o restabelecimento de um coberto vegetal mais resiliente e adaptado às características ecológicas da ilha.
De acordo com o IFCN, estas intervenções são realizadas em pontos estratégicos onde a presença massiva de invasoras coloca em risco a consolidação dos povoamentos florestais. A ação inclui o arranque da vegetação invasora, a limpeza de faixas de gestão de combustível e o tratamento dos sobrantes, garantindo simultaneamente a proteção do solo e a manutenção das condições necessárias à regeneração natural.
Para a execução dos trabalhos estão a ser utilizados diversos equipamentos mecânicos, designadamente um bulldozer Komatsu D51, essencial para a limpeza de grandes massas vegetais e abertura de faixas de gestão de combustível, uma escavadora Komatsu PC55, utilizada em intervenções mais cirúrgicas para remoção localizada de espécies invasoras, e uma bobcat Komatsu SK714, complementada por equipamento manual como motorroçadoras para limpeza fina das áreas intervencionadas.
Segundo os responsáveis do IFCN, esta combinação de meios permite adaptar a intervenção às características específicas do terreno, garantindo maior eficácia no controlo das invasoras e simultaneamente minimizando o impacto no solo e na vegetação nativa em regeneração.
A estratégia regional de prevenção de incêndios rurais tem vindo a intensificar-se nos últimos anos. Em 2025, as ações de silvicultura preventiva e controlo de espécies invasoras permitiram intervir em cerca de 95 hectares de áreas florestais públicas. Já em 2026, as operações em curso totalizam aproximadamente 40 hectares intervencionados, mantendo-se como critérios de prioridade a suscetibilidade ao risco de incêndio e o potencial ecológico das áreas a recuperar.
Com estas ações, o Governo Regional pretende reforçar a resiliência da paisagem florestal, reduzir o risco de ocorrência e propagação de incêndios e garantir a preservação de um dos mais importantes patrimónios naturais da Região.
Para Eduardo Jesus, o caminho passa por continuar a atuar na origem do problema. “Preparar o território é a forma mais responsável de proteger a floresta e as populações. Estas intervenções não só diminuem o risco de incêndio, como contribuem para restaurar os ecossistemas e valorizar o património natural da Madeira, garantindo que as gerações futuras possam continuar a beneficiar deste recurso essencial”, concluiu.