A crise energética internacional e os seus potenciais efeitos sobre a economia regional dominaram a primeira reunião do Conselho Consultivo de Economia da Madeira (CCE), novo órgão criado pelo Governo Regional, para reforçar a capacidade de análise, acompanhamento e resposta aos desafios económicos da Região Autónoma.
A sessão inaugural, presidida pelo secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, decorreu no Salão Nobre do Governo Regional e reuniu representantes institucionais, parceiros sociais e agentes económicos, num encontro centrado na avaliação da conjuntura internacional e das suas repercussões na Madeira.
No final da reunião, José Manuel Rodrigues deixou um aviso claro sobre o atual contexto externo, defendendo a necessidade de prudência, capacidade de antecipação e respostas rápidas perante um cenário internacional “instável e imprevisível”. O governante sublinhou que o Conselho Consultivo de Economia nasce com o propósito de “ouvir para decidir”, reforçando a articulação entre o Executivo regional, os setores empresariais e os parceiros sociais.
O secretário regional destacou particularmente a crise energética associada à escalada de tensão no Médio Oriente, alertando para o impacto direto nos preços dos combustíveis, na inflação e no custo de vida das famílias. Segundo afirmou, o Governo Regional trabalha atualmente sobre dois cenários possíveis: um agravamento prolongado do conflito internacional, com consequências severas para a economia regional, “um cenário que queremos afastar”, vincou, ou “uma situação temporária, embora ainda com efeitos relevantes, mas cingida ao ano de 2026.”
José Manuel Rodrigues garantiu que o Executivo já implementou medidas destinadas a minimizar o impacto da subida dos combustíveis sobre empresas e consumidores, mantendo mecanismos de controlo administrativo dos preços como forma de contenção. Defendeu ainda que a evolução da situação internacional obriga a uma monitorização permanente e a uma atuação pública ajustada “dia a dia”, perante riscos económicos que considerou difíceis de prever.
Além da análise da conjuntura internacional, o governante sublinhou que o Conselho Consultivo de Economia terá igualmente uma dimensão estratégica, vocacionada para discutir problemas estruturais da Região. Entre os principais desafios identificados apontou a forte dependência do turismo, a reduzida dimensão do mercado regional, os constrangimentos da ultraperiferia, o envelhecimento demográfico e a burocracia administrativa.
No âmbito dos futuros trabalhos do CCE deverão ainda ser analisadas matérias relacionadas com a produtividade, o investimento público e privado, a modernização da administração pública e da justiça, a habitação, a transição digital e o reforço da competitividade da economia madeirense.
Para o secretário da Economia, a criação deste órgão representa um instrumento adicional de apoio à decisão política numa conjuntura marcada pela acumulação de riscos económicos e pela necessidade de maior coordenação entre instituições públicas, parceiros sociais e agentes económicos.