A Secretária Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, participou, esta terça-feira, na sessão de abertura do 2.º Simpósio Internacional do Projeto REMORA, que reúne, durante três dias, investigadores da Madeira, Açores e Reunião.
Pretende-se com este projeto congregar recursos humanos, conhecimento e capacidade de inovação daquelas três regiões, para conquistar posicionamento estratégico e conexões com as principais redes da União Europeia através de uma estratégia conjunta de internacionalização.
Elsa Fernandes relevou precisamente a visão colaborativa dos parceiros do REMORA, pela qual se vem afirmando o valor das regiões ultraperiféricas como espaços de conhecimento, inovação e oportunidades. «Durante demasiado tempo, as ultraperiferias foram lidas sobretudo a partir dos seus constrangimentos como a distância, a insularidade e a fragmentação territorial. Hoje, felizmente, essa narrativa está a mudar. As regiões ultraperiféricas afirmam-se cada vez mais como territórios-laboratório, onde desafios específicos geram soluções inovadoras; onde biodiversidade, oceano, clima, energia, tecnologia e coesão social se cruzam para produzir conhecimento com impacto local e global. É precisamente neste contexto que o projeto REMORA assume particular relevância», sublinhou a Secretária Regional, referindo-se à investigação, cooperação internacional e valorização das especificidades destes territórios promovidas pelo projeto.
«O REMORA contribui para reforçar aquilo em que acreditamos profundamente: que as regiões ultraperiféricas não devem ser vistas como periferias do conhecimento, mas como centros estratégicos para pensar o futuro. Falar de explorar as regiões ultraperiféricas é, hoje, falar de explorar potencial. Potencial científico, através da investigação e da inovação. Potencial educativo, através da formação de novas gerações. Potencial tecnológico, através da transformação digital e das soluções emergentes. E potencial humano, através do talento que aqui existe e que queremos continuar a fixar, valorizar e projetar», enfatizou a governante.
Este caminho exige investimento consistente, por parte da Educação, Ciência e Tecnologia, em qualificação, em redes de investigação, em transferência de conhecimento e em políticas públicas capazes de transformar desafios em oportunidades, apontou Elsa Fernandes. «Precisamos de ciência feita com e para os territórios. Precisamos de educação que prepare os jovens para participar nos grandes desafios globais a partir das especificidades locais. Precisamos de tecnologia que reduza distâncias, combata assimetrias e amplifique capacidades. E precisamos, acima de tudo, de cooperação. Porque nenhuma região ultraperiférica constrói o seu futuro isoladamente. É através de projetos como o REMORA, baseados em parcerias, partilha de conhecimento e visão comum, que consolidamos um espaço científico mais integrado, mais resiliente e mais ambicioso.»
Elsa Fernandes sublinhou ainda que explorar as regiões ultraperiféricas não significa apenas estudá-las. «Significa reconhecê-las como territórios que produzem respostas para questões centrais do nosso tempo como a sustentabilidade, a transição climática, a gestão do oceano, a mobilidade, a inclusão e a inovação. Neste sentido, as ultraperiferias não são margens. São fronteiras avançadas de experimentação e futuro», concretizou, reafirmando o compromisso da Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia com iniciativas que, tal como aquela, promovam conhecimento, inovação e cooperação internacional ao serviço do desenvolvimento das regiões ultraperiféricas.