A Região Autónoma da Madeira apresenta a maior taxa de implementação do Programa Eco-Escolas nas escolas públicas do País, com 77% dos estabelecimentos de ensino envolvidos, um resultado que reflete o compromisso continuado da comunidade educativa regional com a educação ambiental e a sustentabilidade. Os dados foram destacados esta sexta-feira, 6 de novembro, pelo secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, na sessão de abertura do XIX Seminário Regional Eco-Escolas, que decorre no auditório do edifício do Campo da Barca, no Funchal.
Na sua intervenção, o governante sublinhou a importância da educação ambiental enquanto instrumento de consciencialização coletiva, salientando que a escola assume um papel determinante na transmissão de valores e comportamentos sustentáveis às novas gerações e, por essa via, à sociedade em geral. «A preocupação com a educação ambiental é transversal. Diz respeito às escolas, diz respeito às famílias, mas, acima de tudo, está focada num grande princípio que tem a ver com a consciencialização das pessoas para estas matérias e para uma prática que seja continuada no tempo», afirmou Eduardo Jesus, defendendo que este trabalho deve produzir efeitos duradouros e contribuir para «garantir um futuro melhor a todos nós e às gerações vindouras».
O secretário regional destacou o papel privilegiado das escolas neste processo, considerando que são espaços de proximidade onde as crianças e os jovens passam grande parte do seu tempo e onde podem adquirir conhecimentos e comportamentos que depois transportam para as famílias e para as comunidades. «Os alunos constituem, sem dúvida alguma, um veículo na sociedade com grande importância para a difusão de mensagens», observou, salientando a capacidade das gerações mais jovens para influenciar positivamente os comportamentos dos adultos.
Eduardo Jesus fez questão de reconhecer publicamente o contributo dos professores coordenadores do Programa Eco-Escolas, destacando a dedicação de quem, frequentemente, ultrapassa as responsabilidades e os horários profissionais para desenvolver projetos de educação ambiental. «São pessoas que, muitas vezes, para além do seu horário normal, para além da sua obrigação normal, do seu dever profissional, dedicam ainda mais horas a programas como este», afirmou, deixando uma palavra de «reconhecimento» e «gratidão» a todos os docentes envolvidos.
O governante valorizou igualmente o envolvimento dos municípios, considerando que o seu contributo financeiro e a capacidade de mobilização das escolas são fundamentais para a consolidação desta rede de sustentabilidade.
No ano letivo 2025/2026, o Programa Eco-Escolas envolveu 31.332 alunos na Região Autónoma da Madeira, contando com uma taxa de implementação de 77% no ensino público. Um indicador que coloca a Região na primeira posição nacional, bastante acima dos 54% registados pelo distrito de Portalegre, que ocupa o segundo lugar.
Para Eduardo Jesus, estes números traduzem um compromisso regional consistente, construído ao longo dos anos, e demonstram a capacidade de mobilização das escolas, das autarquias e das comunidades em torno de objetivos ambientais comuns.
Nesta edição do seminário foram distinguidas 116 escolas, distribuídas pelos 11 concelhos da Região, mantendo-se o número de estabelecimentos galardoados relativamente ao ano letivo anterior. Foram também reconhecidas 28 instituições regionais pelos resultados alcançados em 15 projetos e desafios de âmbito nacional promovidos pelo Programa Eco-Escolas.
O secretário regional chamou ainda a atenção para os grandes desafios ambientais da atualidade, nomeadamente as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a crescente pressão sobre os recursos naturais. Neste contexto, destacou a relevância dos temas de trabalho definidos para o ano letivo 2026/2027: Espaços Exteriores, Restaurar a Natureza e Ação Climática, defendendo a necessidade de transformar o conhecimento e a sensibilização em práticas concretas do quotidiano.
A importância da educação ambiental foi também sublinhada por Eduardo Jesus através de um exemplo pessoal: a primeira mensagem sobre separação de resíduos que chegou a sua casa através do filho, ainda em idade de creche. Um episódio que, segundo o governante, demonstra como as crianças podem ser agentes de mudança dentro das próprias famílias. «Qualquer um de nós não consegue ficar indiferente à mensagem de uma criança», afirmou.
A concluir, deixou um apelo à continuidade do trabalho desenvolvido, considerando que o seminário deve constituir um momento de reconhecimento dos resultados alcançados e, também, uma oportunidade para renovar o entusiasmo e o compromisso de todos os intervenientes.
Margarida Gomes destaca a Madeira como exemplo de sucesso
Também na sessão de abertura, a coordenadora nacional do Programa Eco-Escolas, Margarida Gomes, manifestou a satisfação por regressar à Madeira, destacando o trabalho desenvolvido na Região e os resultados alcançados ao longo dos anos.
A responsável, que participou em 18 das 19 edições do seminário regional, considerou que a Madeira constitui um exemplo de implementação bem-sucedida do programa, sublinhando a elevada adesão das escolas e a capacidade de concretização dos projetos. «É uma região onde o programa Eco-Escolas tem tido muito sucesso, tem sido muito bem trabalhado», afirmou, apontando como evidência desse desempenho a taxa de implementação próxima dos 80% nas escolas públicas e o facto de quase todas as escolas que formalizam a inscrição conseguirem levar o programa até ao fim.
Para Margarida Gomes, este envolvimento demonstra a adesão das comunidades educativas e, também, a consistência do trabalho realizado na Região, que se reflete nos resultados e nas distinções atribuídas às escolas.
A coordenadora nacional assinalou ainda que 2026 é um ano particularmente significativo para o Programa Eco-Escolas em Portugal, que assinala duas décadas de implementação nacional. São 20 anos de trabalho, evolução e renovação de estratégias, com novos projetos e iniciativas a desenvolver, mas sempre assentes nos princípios fundamentais do programa.
O XIX Seminário Regional Eco-Escolas constitui um espaço de encontro e partilha entre os professores coordenadores do programa, promovendo a troca de experiências, a divulgação de boas práticas e o aprofundamento de conhecimentos em diferentes áreas da educação ambiental.
A iniciativa permite ainda reforçar a articulação entre escolas, municípios e entidades parceiras, contribuindo para consolidar uma rede regional que tem vindo a afirmar a Madeira como referência nacional na promoção da sustentabilidade através da educação.