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| N.º 59 - Avaliação das Aprendizagens

Julho a dezembro 2021 16-02-2022 Direção Regional de Educação
| N.º 59 - Avaliação das Aprendizagens

Este número da Revista Diversidades, sobre “Avaliação das Aprendizagens”, surge ainda num cenário de pós-pandemia que vem desafiar a persistência de “dificuldades em implementar uma avaliação efetivamente formativa (para as aprendizagens), reguladora do ensino e da aprendizagem”.

É apresentado um diversificado conjunto de artigos, reflexões e análises centrado na avaliação, no processo e práticas de avaliação, tendo em conta que esta temática tem sido campo fértil de investigação e de inúmeras reflexões e debates sobre a “sua natureza, fundamentos, funções, potencialidades e limites” e os cada vez maiores desafios que o conceito e a realidade de uma “escola digital” e o uso das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, colocam. Trata-se, sobretudo de assumir a “perspetiva” da “avaliação ao serviço do ensino e da aprendizagem”, do “avaliar para melhorar aprendizagens e resultados” dos alunos cujas conclusões do estudo de Black e Wiliam, (1998), destacados no 1.º artigo deste número, são de oportunamente destacar: a) as práticas sistemáticas de avaliação formativa melhoram significativamente as aprendizagens de todos os alunos; b) os alunos que mais beneficiam de tais práticas são os que revelam mais dificuldades; c) os alunos que frequentam as aulas em que predomina a avaliação formativa obtêm melhores resultados em provas de avaliação externa (exames) do que os alunos que frequentam aulas em que a avaliação é essencialmente sumativa”. Importa, por isso, assumir (de uma vez por todas) que a avaliação “não é um fim, mas sim um meio, um poderoso processo pedagógico, que pode influenciar significativamente o que e como os alunos aprendem, bem como o que e como os professores ensinam, e, nesse sentido, constitui uma ferramenta para melhorar o ensino, as aprendizagens e os resultados”.

Porém, constata-se que “se tem verificado um fracasso na melhoria efetiva das práticas avaliativas das escolas”, em termos gerais, o que pode estar relacionado, “pelo menos em parte, com a falta de consistência na implementação da avaliação formativa”, pois existem e persistem, de modo predominante, práticas de ensino que continuam a enfatizar “os resultados e a focar-se na certificação da aprendizagem no final do período ou semestre”. Só é possível, então, mudar a avaliação se for igualmente mudada a forma de organização do ensino e da aprendizagem. E essa mudança, como todos bem sabemos, “não é algo que aconteça de modo automático”, mas deve acontecer e as soluções têm de ser criativas, diversas e “exigem reflexão, discussão e trabalho colaborativo, no sentido de ser possível fazer uma gestão adequada do currículo” e envolvendo os alunos no processo avaliativo.

Fica, portanto, o desafio de uma “reflexão pedagógica”, em torno desta questão central aos processos de ensino e aprendizagem, que posteriormente se deve concretizar em práticas pedagógicas capazes de criar condições para que todos e cada um dos alunos possam aprender mais e melhor.

 

Marco Gomes 

Diretor Regional de Educação