A secretária regional de Saúde e Proteção Civil, Micaela Fonseca de Freitas, acompanhou hoje, no Centro de Salvamento Costeiro do SANAS Madeira, a vertente prática daquela que é a primeira formação realizada na Região especificamente dedicada a ‘Serviços Mortuários em Cenários de Multivítimas’. A iniciativa, sob responsabilidade do Serviço Regional de Proteção Civil (SRPC), visa testar a montagem e o funcionamento de necrotérios provisórios em contexto de catástrofe.
O dia de hoje marca a componente prática e o teste setorial do Plano Regional de Emergência. Durante a manhã, as equipas procederam à instalação e montagem do Necrotério Provisório (NecPro) nas instalações do Aeroporto Internacional. No período da tarde, o exercício evolui para a movimentação de meios reais, focando-se na coordenação técnica entre serviços e agentes de proteção civil, entidades cooperantes e peritos forenses e a logística no transporte de vítimas mortais.
Segundo a governante, este treino é fundamental para "testar todos os procedimentos previstos no Plano Regional de Emergência e Proteção Civil". Para garantir o rigor metodológico nesta área de intervenção, a Região conta com a colaboração estratégica do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e do Ministério Público.
Micaela Fonseca de Freitas sublinhou que a gestão de vítimas mortais em incidentes de grande dimensão vai muito além da logística operacional. "É um ato de humanidade. É a forma como, enquanto sociedade, honramos aqueles que perderam a vida e apoiamos os que ficam", afirmou.
A Região Autónoma da Madeira detém uma experiência singular e infraestruturas únicas no país neste âmbito, tendo sido testadas em eventos reais como o '20 de fevereiro'. Importa referir que a Madeira dispõe do único necrotério em Portugal construído de raiz para este efeito. O exercício de hoje serve, assim, para consolidar esta capacidade de resposta e a coordenação interinstitucional entre as áreas da saúde, forças de segurança, proteção civil e autoridades judiciais.
A formação, que conta com o contributo de peritos internacionais e nacionais, encerra hoje com uma reunião de debriefing para avaliar o desempenho das equipas e a eficácia dos protocolos de instalação do NecPro.