O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, recebeu esta semana a Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República, em visita oficial à Região Autónoma da Madeira, sublinhando a importância da proximidade institucional para uma melhor compreensão das especificidades regionais.
Na sua intervenção, o governante destacou que “só vivendo a circunstância se entende verdadeiramente a dimensão da realidade que caracteriza cada região”, valorizando a deslocação dos deputados também ao Porto Santo, onde puderam contactar com o fenómeno da dupla insularidade e com os desafios concretos da mobilidade aérea e marítima.
Eduardo Jesus apresentou os principais indicadores da última década, classificando-a como “a melhor de sempre em crescimento económico e social” na Região. O Produto Interno Bruto duplicou, passando de quatro para oito mil milhões de euros, registando-se atualmente 56 meses consecutivos de crescimento. A taxa de desemprego fixou-se em cerca de 5%, em cenário de quase pleno emprego, com 131 mil pessoas empregadas em 2025. A dívida pública regional apresenta hoje uma relação de 61% face ao PIB, abaixo da média nacional e da zona euro.
O setor do turismo mantém-se como motor da economia regional, tendo 2025 encerrado com 12 milhões de dormidas e mais de cinco milhões de visitantes. Pela primeira vez, o mercado nacional lidera em número de hóspedes, ultrapassando os 600 mil visitantes provenientes do continente, um crescimento expressivo face a 2015.
No domínio ambiental, o Secretário Regional evidenciou a convergência entre crescimento económico e sustentabilidade, salientando o cumprimento de metas internacionais, a qualidade do ar e das águas e a aposta nas energias renováveis. Destacou o projeto “Porto Santo Sustentável – Smart Fossil Free Island”, que permitirá tornar o Porto Santo um destino 100% livre de combustíveis fósseis ainda este ano, com a entrada em funcionamento de novos sistemas de armazenamento de energia.
Foi igualmente sublinhada a criação de um novo modelo de gestão dos percursos classificados da Madeira — 42 trilhos num total de 420 quilómetros — com implementação de um sistema de reservas por “slots” temporais, desenvolvido com base em estudos da Universidade da Madeira, garantindo melhor distribuição de fluxos e maior qualidade da experiência.
No plano do ordenamento e da gestão territorial, Eduardo Jesus referiu ainda o trabalho desenvolvido em articulação com os municípios, com base em indicadores da Organização Mundial do Turismo, para monitorizar a intensidade e densidade turística nas 54 freguesias da Região, assegurando decisões mais informadas em matéria de alojamento local.
O governante concluiu reiterando que o percurso da Madeira assenta numa conjugação equilibrada entre desenvolvimento económico, responsabilidade ambiental e coesão social, defendendo que reconhecer as diferenças regionais é condição essencial para governar com eficácia e justiça territorial.