A secretária regional de Saúde e Proteção Civil, Micaela Fonseca de Freitas, participou esta manhã na abertura do Encontro Nacional de Enfermeiros Gestores de Urgência, um evento que reúne 28 especialistas de todo o país, incluindo as regiões autónomas e o continente. Organizado localmente pelo enfermeiro gestor do Serviço de Urgência de Adultos do Hospital Dr. Nélio Mendonça, Nicolau Pestana, o encontro tem como objetivo o debate sobre estratégias de resolução para problemas comuns que afetam as unidades de urgência médico-cirúrgicas e polivalentes no país. Na ocasião, a governante destacou a importância deste grupo, nascido em 2024, como uma resposta à necessidade de união entre serviços que representam a face mais visível e pressionada de qualquer unidade hospitalar.
Na sua intervenção, Micaela Fonseca de Freitas assumiu com transparência que não existem serviços de urgência perfeitos, apontando o "afunilamento" provocado pelas altas clínicas como um dos maiores desafios estruturais da atualidade. Este fenómeno, que transcende a realidade da Madeira e se assume como um problema de âmbito nacional, exige uma articulação constante entre o Serviço Social do SESARAM e o Instituto de Segurança Social. A Secretária Regional sublinhou o peso que esta situação coloca nas equipas, que diariamente procuram conciliar o tratamento de quem entra com a garantia de dignidade para os doentes que permanecem a aguardar transferência para internamento ou respostas sociais adequadas.
Para mitigar estas dificuldades, a governante referiu a melhoria das condições físicas do espaço de trabalho através de uma obra já iniciada, orçada em meio milhão de euros. Esta intervenção vai permitir melhorar a área de apoio ao Serviço de Urgência, incluindo novos vestiários, instalações sanitárias, zonas de iluminação, áreas de pausa e descanso para os profissionais, bem como um espaço para pequenas refeições. Paralelamente, anunciou que foi ontem adjudicada a obra de reabilitação geral do Serviço de Urgência, num investimento do Governo Regional, através da SREI, estimado em 1,3 milhões de euros. Esta empreitada prevê intervenções nos sistemas de climatização, reforço da rede elétrica e de comunicações, substituição de pavimentos e revestimentos, além do reforço do sistema de segurança contra incêndios.
Enquanto o futuro Hospital Central e Universitário da Madeira continua em construção, "é necessário assegurar que as infraestruturas atuais garantam condições dignas de trabalho para os nossos profissionais e utentes", aditou.
A par do investimento físico, a Micaela Fonseca de Freitas destacou o reforço dos recursos humanos, notando que o Serviço de Urgência do Nélio Mendonça conta atualmente com o seu maior efetivo de sempre, composto por 115 enfermeiros. Esta aposta surge num contexto de mudança demográfica e clínica, onde o envelhecimento da população e o aumento das doenças crónicas tornam os episódios de urgência mais complexos.
A responsável pela tutela da Saúde na região encerrou com um voto de confiança nos profissionais que "não se limitam a apontar falhas", mas procuram ser parte ativa da solução para a sustentabilidade do sistema de saúde.