O Secretário Regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, assinou, recentemente, um protocolo de cooperação com a Direção-geral das Artes (DGArtes), que envolve o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM), ao longo de 2026, num conjunto de iniciativas do Programa Nacional Saber Fazer Portugal, entendidas como sendo estratégicas para a salvaguarda, valorização e desenvolvimento sustentável da produção artesanal tradicional na Região Autónoma da Madeira,
Reconhecendo o papel estruturante do IVBAM na preservação e promoção das produções artesanais regionais, o Programa Nacional Saber Fazer Portugal pretende dar continuidade ao trabalho de levantamento, colaboração institucional e preparação de ações no território, à semelhança dos Laboratórios de Intervenção Territorial já dinamizados noutras regiões do país.
Entre os eixos de atuação previstos, destaca-se o Repositório do Saber Fazer, uma das medidas estruturantes do Programa, que reúne e dissemina conhecimento sobre a produção artesanal tradicional, através de uma plataforma digital. Neste espaço são organizadas e relacionadas informações sobre artes, matérias-primas, tecnologias, artesãs e artesãos, bem como locais onde é possível aprofundar o conhecimento sobre as práticas, como museus, instituições e outros projetos.
A Região Autónoma da Madeira já se encontra representada em várias Artes e Rotas, nomeadamente na Arte da “Tecelagem” e nas rotas “Ao Som das Violas de Arame”, “Cestaria de Vime” e “Do Oceano às Artes”. No âmbito deste trabalho, prevê-se a colaboração com o IVBAM para o estabelecimento de contactos com detentores do saber-fazer, a disponibilização de listagens de artesãos e entidades dedicadas à produção artesanal tradicional nas ilhas da Madeira e Porto Santo, a confirmação e eventual atualização de informação já existente, incluindo o apoio à criação de uma nova página dedicada ao Bordado da Madeira, bem como a partilha de recursos documentais, como publicações e materiais audiovisuais, a integrar no Repositório.
Paralelamente, encontra-se em processo de implementação a Rede Portuguesa Saber Fazer, uma estrutura destinada a promover a cooperação entre agentes e territórios ligados à produção artesanal tradicional. No âmbito desta rede, está previsto o apoio à dinamização do 2.º Encontro da Rede Portuguesa Saber Fazer, incluindo a organização de mesas temáticas e oficinas de partilha de técnicas, desafios e reflexões entre artesãos de diferentes artes tradicionais e de várias regiões do território nacional.
O programa contempla ainda a realização de atividades pedagógicas e informativas destinadas a incentivar o interesse pelo património artesanal, através de experiências criativas e de sensibilização para o valor da produção artesanal e para a importância da captação de novos praticantes. Estas iniciativas poderão assumir a forma de oficinas de experimentação em contexto escolar, oficinas especializadas com mestres artesãos e conversas temáticas sobre artes e ofícios, sendo desenvolvidas em articulação com entidades locais, com identificação das artes a destacar, dos formadores e dos espaços de realização.
A colaboração entre a DGArtes e a SRAP/IVBAM, estabelece as bases para o desenvolvimento de iniciativas de valorização do património artesanal, criação de recursos pedagógicos e ações de capacitação, com o objetivo de promover o conhecimento informado sobre a diversidade de processos, materiais e tecnologias artesanais ancestrais do país, bem como o seu reconhecido valor patrimonial, ambiental e económico.
Para o Secretário Regional de Agricultura e Pescas, com a tutela do IVBAM, “o artesanato representa a identidade cultural de um povo. Cada peça carrega tradições, técnicas e histórias que passam de geração em geração, e que temos a obrigação de preservar e divulgar. Mas isso não é apenas uma questão cultural. É também uma escolha política. Quando o Estado decide investir ou ignorar o setor artesanal, está, na prática, a definir que tipo de desenvolvimento quer promover. Políticas públicas que apoiam os artesãos, como programas de formação e valorização e profissional, acesso a novos mercados, prémios de qualidade, organização de eventos e feiras temáticas, demonstram um compromisso com a valorização das comunidades locais e com a proteção da identidade regional”, afirma Nuno Maciel, que deposita muita confiança neste programa nacional, “Saber Fazer Portugal, da DGArtes.
Arte em Bordado da Madeira dá forma a “A Ilha”
Nuno Maciel falava, esta sexta-feira, numa visita que fez ao atelier da artesã Vilma Florença que, em colaboração com a Bordadeira de Casa, Alice Rodrigues, e em estrita conformidade com os critérios de autenticidade da marca Bordado da Madeira, criou uma peça única, que celebra e valoriza a herança artesanal madeirense, intitulada “A Ilha”.
Inspirada na riqueza da flora regional e na tradição vitivinícola, a obra exalta o património botânico e paisagístico da Madeira, traduzindo séculos de história, através de um trabalho minucioso executado com rigor, mestria e dedicação. Cada elemento foi cuidadosamente pensado para refletir a identidade cultural da Região, resultando numa composição que alia tradição, sensibilidade artística e contemporaneidade.
Mais do que um bordado, “A Ilha” afirma-se como um verdadeiro mapa sensorial da Madeira, onde cada detalhe percorre símbolos e referências icónicas do território, evocando memórias, saberes e vivências que definem a cultura madeirense.
A peça integra diversos pontos tradicionais do Bordado Madeira - Bastido (Ponto Cheio), Granito, Caseado, Richelieu, Ponto Corda, Viúvas, Ilhós, Ponto Pau (Cordão), Matiz, Arrendado, Pesponto e Cavacas - evidenciando a riqueza técnica e artística de uma arte que permanece viva e em contínua valorização.
A obra de arte estará em exposição na Semana do Bordado, a realizar-se entre os dias 27 a 31 de julho, no Espaço Artes e Ofícios Tradicionais da Madeira.
Após apreciação técnica rigorosa, o IVBAM atribuiu à obra o Selo de Qualidade, reconhecendo a sua autenticidade, excelência de execução e fidelidade às tradições do Bordado da Madeira, contribuindo para a valorização do ofício e para a preservação de uma atividade profundamente enraizada na identidade cultural da Região Autónoma da Madeira.