Miguel Albuquerque deixou hoje uma garantia, aproveitando a cerimónia de entrega de apoios por parte do Governo Regional às sete associações humanitárias voluntárias da Região: «O Socorro na Madeira vai ser de vanguarda a nível do País. Não vamos estar aqui com brincadeiras. Vamos ser os melhores, os mais bem equipados e os mais avançados».
O presidente do Governo Regional falava na cerimónia de entrega dos apoios, por parte da Região, às sete associações humanitárias de bombeiros voluntários, no valor global de oito milhões de euros. Uma ocasião onde fez de garantir a continuidade do apoio do seu Executivo aos bombeiros e lembrar que o acordo que foi firmado estar a ser cumprido na íntegra.
«Nós fizemos uma coisa muito importante, que foi ouvir os representantes da Federação dos Bombeiros e as Associações de Bombeiros da Madeira da Malta. Algo que é importante em qualquer Governo: ouvir, auscultar. Lembro que a primeira reunião que tivemos foi na Quinta Vigia, onde tivemos a oportunidade de trocar impressões sobre a necessidade de atualizarmos e, sobretudo, dignificarmos a profissão de bombeiro», recordou.
O líder madeirense diz que «que a segunda variável fundamental do exercício de governação é ter capacidade de decisão e não estar dependente dos humores da opinião pública». «O que quer dizer que muitas vezes podemos tomar uma decisão não em função de uma maioria ou do que os sectores sociais, locais ou profissionais querem, mas sim em função do que é possível», explicou.
«Há um princípio fundamental que seguimos na Região: que é o da sustentabilidade financeira. Ou seja, nós não podemos entrar em derrapagens financeiras. E fizemos o acordo a três anos com os bombeiros, dentro do que podíamos fazer», destacou.
O governante lembra que «esse acordo foi literalmente cumprido», tendo para agradecer a grande compreensão da Federação de Bombeiros, das associações e dos profissionais das corporações «para este acordo realizado num horizonte de três anos, no sentido de atingirmos os objetivos». «E os objetivos estão atingidos», asseverou.
A propósito, recordou que o acordo permitiu aumentar em duzentos por cento a comparticipação entre 2024 e agora para as corporações. «Hoje é evidente que nós temos, quando em comparação com o território continental, muito melhores condições para os bombeiros ao nível da carreira e das remunerações», destacou.
«Queria por isso agradecer, na pessoa do presidente da Federação, a compreensão que tiveram e dizer que este objetivo não é do governo, este é um objetivo que é decisivo para a segurança da população da Madeira e do Porto Santo. Nós precisamos de bombeiros e profissionais de socorro qualificados, precisamos de profissionais do socorro conscientes do papel que desempenham, fundamental, na nossa sociedade», defendeu.
Miguel Albuquerque recorda que há vários desafios ainda pela frente, o primeiro dos quais são «estes fenómenos climáticos extremados, devido às alterações climáticas, que obrigam a termos as corporações de socorro da Madeira com capacidade operacional, com profissionais motivados e bem formados e com a capacidade destas corporações, como acontece aqui, terem um papel de cooperação com outras entidades (estamos a falar das Forças Armadas, da Polícia de Segurança Pública, dos Guardas Florestais, da GNR) no sentido de se ter uma abordagem transversal do socorro e da proteção.
«Hoje, o Socorro e a Proteção não é um legado dos bombeiros nem do governante. Todas as pessoas hoje têm um papel importantíssimo na defesa do Socorro e da Proteção. Nós temos de continuar a sensibilizar, desde as escolas, para os princípios do socorro e da proteção», apelou.
Paralelamente, apelou à colaboração das populações: «Temos de continuar a fazer uma grande ação de sensualização junto das pessoas no exercício prático de prevenção no dia-a-dia. Têm de limpar os seus terrenos, cortar as infestantes».
A outro nível, lembrou a importância de se continuar a apostar nas faixas corta-fogo, elencando o que o seu Executivo tem feito na matéria e sublinhando a aposta em nova estratégia, que consiste em aproveitar o gado ordenado, colocado em zona vedada, para combater o surgimento das infestantes.
Faixas corta-fogo e limpezas que vão acontecer em várias das freguesias do Funchal, nas zonas altas, mas também nos outros concelhos mais a sul.
O líder madeirense falou ainda dos novos desafios tecnológicos que a Região tem pela frente no combate aos incêndios. «Hoje, a Proteção Civil nada tem a ver com aquilo que eu conheci: atualmente é referência em termo de conhecimentos e de monitorização real, do que se passa no terreno. Com este POCIR temos uma maior capacidade de conhecimento do terreno, da orientação dos ventos ou do fogo. Temos os meios de socorro cada vez melhores», salientou.
A propósito, fez um aparte para «realçar o trabalho extraordinário que o helicóptero tem feito». E para confirmar: «Há um compromisso com o senhor ministro para a vinda do segundo helicóptero. Penso que este compromisso vai se realizar».
Depois, o anúncio de que será desenvolvido, na ARDITI, projetos que visarão reforçar a capacidade de resposta da Proteção Civil na Madeira. E que constam na construção de drones para a Proteção Civil, quer para a prevenção e vigilância, quer para ajudar no combate aos fogos.
Um dos projetos tem a ver com o desenvolvimento de um drone que permitirá combater incêndios urbanos. A semelhança de um já existente em Israel, para apagar fogos no centro da cidade.
O outro projeto passará por um drone, movido a combustão, para ajudar no combate aos incêndios florestais.
«São dois projetos que vamos desenvolver», asseverou.
A propósito, apelou a uma interação maior entre os centros de ciência e os centros de Socorro, «porque os cientistas sabem que tecnologia, mas não sabem nada de Socorro, precisam do conhecimento e da experiência que os bombeiros proporcionam».
«O Socorro na Madeira vai ser de vanguarda a nível do País. Não vamos estar aqui com brincadeira. Vamos ser os melhores, os mais bem equipados e os mais avançados. Podem continuar a contar comigo e um obrigado a todos pela vossa colaboração», concluiu.
Verbas hoje recebidas por associação:
- Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Porto Santo – 1 122 872,00€
- Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de São Vicente e Porto Moniz – 960 427,00€
- Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Santana – 834 374,00€
- Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Ribeira Brava e Ponta do Sol – 993 867,00€
- Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos – 1 088 919,00€
- Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta – 948 981,00€
- Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Madeirenses – 2 050 453,00€