A Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura apresentou o Relatório do 3.º Inventário Florestal da Região Autónoma da Madeira (IFRAM3), um instrumento estratégico fundamental para o conhecimento, monitorização e gestão sustentável da floresta madeirense. A sessão decorreu na Casa Museu Frederico de Freitas e foi presidida pelo secretário regional, Eduardo Jesus.
O IFRAM3 atualiza a informação dos inventários realizados em 2008 e 2015, integrando novas metodologias e indicadores inovadores, com destaque para o recurso a inteligência artificial, garantindo dados rigorosos, comparáveis e compatíveis com o Inventário Florestal Nacional. O trabalho foi desenvolvido pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência da Região Autónoma da Madeira, no âmbito do projeto Digitalizar Florestas 4.0, tendo sido executado pela empresa VIAMAPA – Serviços de Topografia, S.A.
Na sua intervenção, o secretário regional sublinhou a continuidade e maturidade da política florestal regional, enquadrando o IFRAM3 como um investimento estratégico no futuro da Região. Eduardo Jesus destacou ainda a Laurissilva como património ambiental de valor mundial, recordando os dados recentes que indicam um crescimento da sua área em cerca de 6%, bem como a importância da inovação tecnológica e da informação científica para decisões responsáveis e sustentáveis.
Os resultados do IFRAM3 revelam que a Laurissilva ocupa 16.440 hectares, representando 98% da floresta natural da Região, mantendo 100% das parcelas em bom estado fitossanitário. A floresta natural corresponde a 44% da área florestal total, assumindo-se como uma componente estratégica do património natural insular, complementada pela floresta ripícola. A ilha da Madeira concentra 99% da área florestal, enquanto o Porto Santo apresenta 419 hectares, maioritariamente de pinheiro-de-alepo.
No que respeita à floresta cultivada, o eucalipto domina com 52% da área, seguido das acácias e do pinheiro-bravo. A análise das parcelas de campo evidencia densidades florestais diferenciadas, com a Laurissilva a apresentar os valores mais elevados, confirmando a sua robustez ecológica. Os dados de vitalidade indicam resultados globalmente positivos, embora identifiquem desafios específicos em algumas formações florestais, informação essencial para a definição de políticas públicas mais eficazes.
Uma das principais inovações do IFRAM3 é a análise detalhada da estrutura vertical da vegetação, fornecendo novos indicadores relevantes para a gestão do risco de incêndio, a conservação da biodiversidade e a adaptação às alterações climáticas.
O inventário baseou-se em coberturas aerofotográficas de 2018, 2019 e 2023, complementadas por trabalho de campo realizado em 2025, envolvendo a classificação de mais de 13 mil fotopontos e 318 parcelas de campo. O investimento total ascendeu a 68.816,13 euros, tendo os trabalhos decorrido entre março e dezembro de 2025.
O IFRAM3 consolida informação essencial para a gestão sustentável do património florestal da Madeira, reforçando o compromisso da Região Autónoma da Madeira com a preservação da biodiversidade, a valorização do território e a construção de políticas ambientais sólidas, baseadas em conhecimento científico rigoroso.