Entre recortes de musgo, cartão, flores naturais e flores em cartolina, duas escolas da nossa região transformaram o chão do Plaza Madeira em poesia. No passado dia 30 de abril, teve lugar a apresentação pública dos trabalhos.
Na terceira edição do concurso ‘Todas as Flores que Eu Sonhei’, integrado no projeto ‘Ponto e Vírgula’ promovido pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, com o apoio do Plaza Madeira, destacaram-se os tapetes florais da Escola Secundária de Francisco Franco, intitulado ‘Floresta Encantada’, e da Escola Básica e Secundária de Machico, ‘Calçada em Flor’ - o primeiro arrecadou o primeiro prémio, enquanto o segundo foi distinguido com uma merecida menção honrosa, entre os 94 trabalhos a concurso.
Ambos partilham a mesma essência: a de quem cria com o coração!
O Plaza Madeira premiou a dupla vencedora com 200 euros em cartão-oferta e atribuiu 100 euros à menção honrosa, igualmente em cartão-oferta.
Floresta Encantada: a serra que desceu à cidade

«Queríamos basear-nos nos elementos mais típicos da Madeira, sem ser apenas nos aspetos mais óbvios.» Foi com esta vontade que Júlia Dinis e Maria Vilhena imaginaram a ‘Floresta Encantada’, o tapete natural que venceu o concurso. Musgo, areia, calhau, hortênsias — tudo cuidadosamente composto para trazer ao centro comercial uma paisagem que mora no centro da ilha da Madeira. «Inspirámo-nos nas montanhas, nas flores típicas, no musgo, na levada... e quisemos trazer muita cor!», contou-nos a Júlia. «A ideia era que quem não tem oportunidade de ir à serra, a sentisse aqui mesmo, no Plaza», completou.
Maria, ainda surpreendida pela vitória, destacou a emoção que sentiu com todo o apoio: «Tivemos muitos amigos que se juntaram a nós, e isso também é importante. No fundo, sinto-me muito feliz por terem vindo ajudar-nos.»
O tapete surpreendeu pela sensibilidade e simbolismo. Foi representada uma levada como se a água corresse também ali, entre o mural do ‘Grande Ideia’, vitrines e os passos apressados de quem lá passa.
Sobre o trabalho realizado pelas alunas, a professora Isabel Lucas, orientadora da obra, refere que «a Júlia é muito criativa e expansiva, sempre com muita alegria. A Maria tem um toque equilibrado na execução, talvez com uma sensibilidade mais próxima da arquitetura. De um modo geral, trabalham com muita leveza, e isso é muito interessante, porque não encaram o trabalho como um obstáculo». Destacou também o trabalho de equipa: «Todos os colegas de turma vieram ajudar na execução do tapete. Para além das aprendizagens essenciais, falamos de partilha, de entreajuda. Defendo que é desta forma que também preparamos os nossos jovens para o mundo exterior!»
A professora acredita que projetos como este são fundamentais para a formação dos jovens. «A prática leva à criatividade e esta, por sua vez, precisa de tempo, de pesquisa, de vários esboços, e só depois vemos por que caminhos podemos seguir.»
É importante que os jovens aprendam a resolver problemas, a planear e a criar em conjunto. E, talvez por isso, a frase que melhor resume esta conquista seja uma citação do Papa Francisco, que a professora Isabel guarda com carinho: «Hoje estivemos todos, todos, todos.»
Calçada em Flor: quando o papel e a tradição se entrelaçam

Também exposto no PLAZA, um tapete feito apenas de papel e cartão cativou olhares pela delicadeza e pela consciência ecológica. Inspirado nos padrões da calçada madeirense, o trabalho da turma do 10.º 2 da EBS de Machico, orientado pela professora Alexandra Carvalho e pelo professor Ricardo Caldeira, recebeu a menção honrosa do concurso — mas, para quem participou, o verdadeiro prémio foi outro.
«Se não fosse a participação de toda a turma, este projeto teria demorado muito mais tempo, porque tivemos de recortar e colar muitas flores. Trabalhámos intensamente, houve momentos em que parecia que estávamos numa fábrica! Foi uma oportunidade de trabalhar em equipa e de sentir o valor da entreajuda», contou Constança Fonseca, entre sorrisos. «Este projeto foi uma forma de reunirmos todas as nossas qualidades e mais-valias.»
Clara Saldanha, autora da ideia inicial, encontrou num livro dedicado à calçada madeirense o ponto de partida: «Pesquisei os padrões mais tradicionais e os que podiam resultar melhor. Escolhi cinco desenhos que me pareceram interessantes, e tivemos a sorte de ser premiadas com este!» O resultado foi o exposto agora no Plaza.
A opção por materiais recicláveis foi consciente. «Logo de início decidimos que não iríamos usar flores naturais», explica a professora Alexandra Carvalho. «A ideia era apresentá-las, sim, mas sem cortar ou danificar a natureza. Foi uma forma de os sensibilizar para a importância de respeitar o meio ambiente.»
«Cada aluno foi desafiado a pensar em soluções para dar resposta a este projeto.» O resultado foi um tapete de padrões vibrantes, sustentado por uma ideia simples, mas poderosa: a beleza pode nascer do que normalmente se descarta. «O que se vê ali não é lixo: é uma criação organizada, cuidada, com preocupação visual. Por isso, o que sinto é mesmo…coração cheio!» — concluiu a professora Alexandra, emocionada.


