Miguel Albuquerque enalteceu hoje a importância da Medicina Familiar, da medicina preventiva, nos sistemas públicos de Saúde, elogiando, a propósito, a constância das Jornadas de Medicina Geral e Familiar da Madeira e Continente que vão já na sua 35ª edição.
O presidente do Governo Regional – que falava na sessão de abertura daquelas Jornadas, que decorrem no Funchal, no hotel Vidamar, numa organização do SESARAM – fez questão de recordar que a Madeira tem, neste momento, uma taxa de cobertura de 100% ao nível dos médicos de família.
«Foi um objetivo que traçámos em 2015. Isso implicou a contratação de profissionais para a área e passámos de uma taxa de cobertura de 65% em 2015 para 100%. Passamos de 130 para 200 Médicos de Família», destacou.
Uma medida que considera fundamental, lembrando a importância da Medicina Familiar: «Porque previne a doença, consegue antecipar o diagnóstico da doença a montante poupando recursos a jusante, garantindo aos utentes, sobretudo àqueles da rede de centros de saúde, uma melhor qualidade de vida e uma melhor prevenção relativamente aos riscos de Saúde».
O governante fez questão ainda de convidar os médicos continentais a visitar a maior obra do País, que é o Hospital Central e Universitário da Madeira», e de agradecer a todos os profissionais da área «o trabalho dedicado que todos os dias realizam nos nossos centros de Saúde».
Miguel Albuquerque defendeu ainda que «a Medicina preventiva e familiar é uma Medicina essencial para os objetivos de sustentabilidade do Sistema Público de Saúde». E, a propósito, lembrou «a subida exponencial dos custos, devido ao alargamento dos cuidados de saúde à população, ao envelhecimento (que é um bem) da população e à circunstância de os processos terapêuticos, os medicamentos, a tecnologia usada e os recursos serem cada vez mais caros».
Neste sentido, advogou que «um dos grandes desafios, do ponto de vista político, é saber como é que poderemos manter sistemas públicos de saúde, a prestar cuidados de de Saúde qualidade à população, com um financiamento sustentável e se corremos o risco de ter um sistema dual (um para ricos, outro para pobres) ou universal (sistema onde todos têm acesso a cuidados de excelência)».
«Teremos de investir em tecnologia, nos incentivos aos profissionais. Para evitar a desconstrução do nosso Sistema de Saúde, que passaria apenas a ser para os pobres e remediados», instou. Sob pena de «a Coesão Social, que defendemos desde a II Guerra Mundial, deixe de existir, com implicações, por exemplo, na esperança de vida, com os mais ricos a viverem mais anos e os remediados a viverem menos», alertou.
Daí a insistência: «O grande desafio é continuarmos com um sistema de saúde que garanta cuidados de saúde de excelência aos nossos cidadãos e que esse sistema esteja a par do sistema privado, em evolução tecnológica, em investimento de ponta, em investigação, na fixação de bons médicos, de bons quadros e de bons técnicos. Este é que o desafio!».
Contudo vai avisando que se será necessário investir mais a montante, haverá que reduzir custos a jusante. E exemplificou: «Não há razão para um utente do SRS fazer quatro ressonâncias magnéticas por ano, não há qualquer razão para deitarmos ao lixo, por ano, 19 toneladas, muitos deles sem serem abertos e todos eles comparticipados».
Segundo Miguel Albuquerque, todos temos de olhar para toda esta realidade, «não apenas com os olhos de um político decisor». Mas, acrescentou, «há também aqui uma função muito importante das associações, das Ordens dos profissionais de Saúde».
«O desafio essencial é como é que nós, daqui a 10 anos, temos um Serviço Público de Saúde em Portugal com cuidados de Saúde de excelência para os nossos concidadãos e como é que não constituiremos, a partir das falhas desse sistema, uma Sociedade polarizada e uma Sociedade com desfasamentos. Não podemos permitir que isso aconteça, não podemos voltar para o passado», sintetizou.