O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, esteve recentemente no MUDAS.Museu, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, onde marcou presença na abertura de um projeto expositivo itinerante que assinala o décimo aniversário da transferência do Museu de Arte Contemporânea do Funchal para a Calheta e a sua reformulação na instituição que hoje todos bem conhecem como Museu de Arte Contemporânea da Madeira.
Intitulado (IN)FLUXO, trata-se de projeto de apresentação e partilha pública de uma seleção das obras adquiridas no âmbito do programa anual de aquisições da SRTAC/DRC para reforço dos acervos do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, sendo que a primeira mostra do ciclo já pode ser visitada na GALERIA.DOIS do MUDAS.Museu.
O (IN)FLUXO circulará por vários concelhos da Região Autónoma da Madeira, tendo a sua próxima apresentação no Museu Quinta das Cruzes, no Funchal, a partir de outubro. No próximo ano, continuará a sua itinerância passando pela Casa da Cultura de Santa Cruz, pelo Solar do Aposento (Ponta Delgada) e viajando até ao Porto Santo antes de regressar à instituição de origem para conclusão deste ciclo.
As cinco exposições que integram esta iniciativa contam com a curadoria e a direção técnica de Márcia de Sousa. Distintas entre si, estas mostras apresentam, em cada ponto de itinerância, circuitos expositivos diversificados e adaptados às condições de cada instituição que acolherá a iniciativa, permitindo à curadoria cruzar narrativas estéticas e simbólicas em torno das obras e autores que integram o núcleo adquirido.
Esta iniciativa, que terá a duração de um ano, integra também as comemorações dos 50 anos da Autonomia da Madeira.
Programa de aquisições reforçado desde 2015
Na base do referido programa de aquisições estão os princípios que norteiam a produção e a difusão da arte contemporânea e da atualidade artística, comportando um extenso leque de estilos, linguagens e técnicas, manifestadas sob uma perspetiva inclusiva e globalizante que integre todas as formas de expressão, apelando à reflexão e ao pensamento critico, seja por meio da pintura, do desenho, da gravura, da serigrafia, da fotografia, da dança, da música, do teatro, da escultura, da instalação, da performance, dos audiovisuais, do vídeo, dos têxteis, dos objetos, da cerâmica, da ilustração, da torêutica, etc. Do mesmo modo, são essenciais a este programa os fundamentos que deram mote à génese e crescimento da coleção do Museu de Arte Contemporânea desde a sua fundação.
Na sua estrutura, a coleção do MUDAS.Museu é composta por obras realizadas em diversos suportes, materiais e técnicas (pintura, desenho, gravura, serigrafia, fotografia, escultura, vídeo, cerâmica, litografia, instalação, etc.) e dedicada em exclusivo a artistas portugueses, apesar de possuir um núcleo de artistas estrangeiros provenientes de exposições organizadas na antiga Galeria da então Secretaria Regional de Turismo e Cultura.
No que respeita ao crescimento da coleção, entre 2015 e 2023 foram adquiridas obras de Lourdes Castro, António Barros, António Aragão, Martim Brion, Ana Vidigal, Pedro Cabrita Reis, Hélder Folgado, Carolina Vieira, Emanuel de Sousa, Miguel Ângelo Martins, Carla Cabral, Sérgio Benedito, Teresa Gonçalves Lobo, Bárbara Sousa, Daniel Melim, Paulo Freitas, Cristiana Sousa, Rui Pedro Berenguer, Cláudio Garrudo, Martinho Mendes, Nuno Henrique, Tiago Casanova, Isabel Santa Clara, Hugo Brazão, entre outros.
No plano das incorporações por doação o MUDAS.Museu recebeu obras de Élia Pimenta (acervo, doação da família), Ana Peréz-Quiroga, Ana Vidigal, Vítor Magalhães, Bruno Côrte, Silvestre Pestana, Emanuel Sousa, Martim Brion, Sandra Baia, Domingas Pita (acervo, doação da família), Ricardo Barbeito e Cláudio Garrudo. No plano dos depósitos/ comodatos o museu é o fiel guardião de grande parte do legado particular de Lourdes Castro e mais recentemente, de Guilhermina da Luz.
Registe-se que em 2024, foram compradas pela Região Autónoma da Madeira, com vista ao reforço dos acervos do MUDAS.Museu, cerca de cento e setenta e quatro obras de arte, sendo de nota particular o conjunto adquirido à família dos colecionadores falecidos Maria Eugénia e Francisco Garcia, que integra obras de Almada Negreiros, Menez, Júlio Pomar, António Pedro, Fernando Lemos, Joaquim Rodrigo, Cruzeiro Seixas, Marcelino Vespeira, Lourdes Castro, Paula Rego, Nadir Afonso, Jorge Martins, João Hogan, Sónia Delaunay, Fernando Azevedo, João Cutileiro, Alice Jorge, Teixeira Lopes, Nuno Siqueira, José Júlio, Artur Rosa, Jorge Barradas, António Areal, Maria Velez, Guilherme Parente, Eduardo Nery, António Sena, René Bértholo, Costa Pinheiro, Nikias Skapinakis, Espiga Pinto, Rui Filipe, entre outros autores.
Particular relevância tem também a aquisição de um conjunto de oitenta e quatro fotografias de Julião Sarmento, produzidas especificamente para a última exposição que este artista produziu em vida (2021) e apresentada na Madeira em 2022, após a sua morte. De igual modo, registem-se as aquisições de obras de artistas mais jovens, nascidos na Madeira, como Débora Rodrigues (projeto de residência GALERIA.DOIS, MUDAS.Museu), Cristina Perneta (projeto de residência Galeria Casa das MUDAS), Tony Jesus (projeto de residência GALERIA.DOIS, MUDAS.Museu), entre outros, como espelho das políticas públicas de apoio à produção artística de jovens com percursos em ascensão, levadas a cabo por esta instituição.
Museu é referência nacional
O trabalho realizado nos últimos dez anos, colocou o MUDAS. MUSEU no mapa como referência museológica nacional, com um programa vasto e dinâmico que, além das mais de sessenta oito exposições dinamizadas entre o Museu, as Galerias de exposições temporárias, os projetos partilhados com outras instituições do arquipélago (públicas e particulares), a que se juntou, mais recentemente, a gestão e dinamização programática da Galeria dos Prazeres.
Por outro lado, a grande aposta na mediação pedagógica, na formação de públicos e, mais recentemente, na formação das equipas internas da instituição que em 2024 teve o seu expoente com a participação da equipa do MUDAS.Museu num programa e formação especializada no âmbito do Programa Erasmus+ que aconteceu ao abrigo de uma parceria internacional e em estreita colaboração com a AMAC-Madeira, resultando em duas semanas de formação técnica num conjunto de instituições museológicas em Munique e em Paris.
Em complemento e tendo por base o auditório do MUDAS.Museu foi desenvolvido um programa aberto à comunidade que contemplou concertos, dança, teatro, performance, programas de formação, congressos, seminários, conferências, bem como uma programação de verão sistematizada (MUDASHOTSummer), interrompida temporariamente durante a pandemia e, presentemente em fase de reestruturação, prevendo-se o seu regresso em 2026.
Nas suas estruturas o museu integra, também, a Companhia de Arte inclusiva “Dançando com a Diferença”, como companhia de dança residente.
“Pilar de afirmação cultural”
O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, refere que o MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira representa “um dos pilares fundamentais da afirmação cultural da nossa Região. É um espaço que ultrapassa as fronteiras do território, posicionando-se ao nível nacional como uma referência incontornável na valorização e promoção da arte contemporânea portuguesa”, acrescenta, recordando a integração do Museu, desde a primeira hora, na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea.
"Este museu é muito mais do que um local de exposição. É um espaço de diálogo, de criação e de reflexão crítica. Tem desempenhado um papel essencial na formação de públicos e na dinamização cultural da Região, contribuindo para a descentralização da oferta artística e para a afirmação de uma identidade insular com voz própria no contexto nacional e internacional", salienta Eduardo Jesus.
Sobre a política de aquisições do Governo Regional, que tem permitido o enriquecimento e crescimento da coleção daquele museu, Eduardo Jesus adianta que esta tem sido pensada com um claro objetivo: “fortalecer a coleção pública de arte contemporânea e garantir que o MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira continue a crescer de forma consistente e representativa das várias linguagens artísticas do nosso tempo. Temos investido na aquisição de obras de artistas relevantes — tanto consagrados como emergentes — com ligação à Madeira ou com relevância no panorama artístico nacional."
E sublinha: "este esforço continuado tem permitido não só enriquecer o espólio do museu, como também criar condições para exposições mais abrangentes e diversificadas, consolidando o MUDAS como um espaço vivo, em constante evolução, atento ao que de mais significativo se faz na arte contemporânea."
Para o Secretário Regional, "a valorização da cultura é também uma valorização do nosso território. Investir no MUDAS.Museu é investir na educação, na criatividade e na capacidade da Madeira se afirmar como destino cultural de excelência."