O EuroPride é o maior evento LGBTI+ europeu que, este ano, decorrerá em Lisboa, entre 14 e 22 de junho, compreendendo vários pequenos eventos, a maioria dos quais concentrados no Parque Mayer, Capitólio e Palácio das Galveias.
Adicionalmente ocorrerá a marcha entre o Terreiro do Paço e Saldanha, a 21 de junho.
Estima-se a presença de cerca de 200 000 participantes durante os 9 dias, dos quais 120 000 (60%) serão provenientes do estrangeiro.
Este evento de massas coincide com o festival Meo Kalorama de 19 a 21 de junho, que decorre no Parque da Bela Vista, e com as marchas do orgulho, o que potenciará a aglomeração de pessoas não só em Lisboa, como também em diversas cidades do país.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alerta para o aumento da interação social e dos encontros sexuais durante o verão, especialmente devido ao aumento de viagens e a eventos Pride, havendo uma maior possibilidade de disseminação de infeções sexualmente transmissíveis (IST).
Considerando os dados mais recentes da UE/EEE, a incidência das IST continua a aumentar.
Existem clusters/surtos de infeções transmitidas por contacto próximo íntimo, incluindo mpox, hepatite A e, mais recentemente, shigelose multirresistente.
O ECDC enfatiza a necessidade de práticas sexuais mais seguras, reforça a importância da vacinação (deve garantir-se a atualização do programa de vacinação, segundo país de origem, assim como a vacinação contra o sarampo, mpox, hepatite A e hepatite B) e da adoção de medidas preventivas, como o uso de preservativo e da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para prevenção da infeção por VIH.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) considera que, tal como para outros eventos de massas, no contexto do EuroPride25 os riscos para a saúde são potenciados pela elevada concentração de indivíduos, com inerente aumento de contactos interpessoais.
No período entre o início do evento e várias semanas após o seu término, será de prever um aumento do risco de doenças transmitidas pessoa-a-pessoa, em especial as com perfil epidémico atual ativo como o sarampo, mpox e hepatite A.
• Estas doenças têm sido reportadas noutros países, não se devendo descartar a eventual introdução pontual de casos infetados na Região.
• O risco de aparecimento de outras doenças evitáveis pela vacinação, como a doença meningocócica e a difteria, é de considerar, dadas as diferenças nos esquemas vacinais de outros países.
• A probabilidade de infeção por IST é elevada para as pessoas que praticam sexo com múltiplos parceiros, especialmente se não forem aplicadas medidas preventivas de forma consistente.
• O contexto de estruturas temporárias de restauração e instalações sanitárias pode acarretar maior risco de Toxinfeções Alimentares Colectivas.
• No contexto da previsão de mais 200 mil pessoas em Lisboa, num período de tempo muito curto, é de prever a eventual sobrecarga dos serviços de saúde, principalmente das instituições mais próximas dos locais do evento, por aumento da procura para resolução de situações agudas como traumatismos, efeitos do calor e questões de saúde mental associada a comportamentos de risco como uso de álcool e drogas.
A Autoridade de Saúde Regional irá acompanhar as informações e recomendações da DGS, do ECDC e da Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendando desde já as seguintes medidas: Medidas preventivas para participantes no evento
• Cumprimento do Plano Regional de Vacinação.
• Vacinação contra a hepatite A e contra o mpox, em contexto de pré-exposição, quando aplicável.
• Adotar as medidas de higiene e segurança alimentar para a prevenção de doenças transmitidas por água e alimentos, de forma a diminuir o risco de doenças gastrointestinais.
• Praticar sexo seguro, utilizando preservativo para prevenir IST, incluindo a infeção por VIH e as hepatites B e C.
Além disso, evitar a exposição fecal-oral durante a atividade sexual, a fim de prevenir outras infeções como a shigelose e a hepatite A (ou seja, utilização de preservativo ou dental dam para o sexo oral, de luvas de látex para fingering ou fisting, lavagem das zonas genitais e anais e das mãos antes e depois da prática sexual).
Medidas após participação no evento no mês seguinte após o regresso à Região, caso tenha tido contacto com algum caso com o diagnóstico de sarampo, mpox ou hepatite A, ou caso surjam alterações cutâneas (manchas ou pintas na pele), icterícia (coloração amarelada das mucosas/olhos) ou queixas ano-urogenitais, deverá procurar cuidados médicos, utilizando máscara facial quando se dirigir aos serviços de saúde.
Deverá referir as exposições ao risco que teve.
Em caso de suspeita, o médico assistente deverá notificar na plataforma informática de suporte ao SINAVE e seguir o as respetivas normas e orientação na gestão e controlo da infeção:
• Sarampo: o Norma DGS
• Mpox o Circular Normativa DRS o Norma DGS o Orientação DGS Todos os casos notificados serão alvo da investigação epidemiológica pela equipa da Unidade de Saúde Pública do SESARAM e das Autoridades de Saúde. Onde obter mais informação?
• DRS - https://www.madeira.gov.pt/drs/ • DGS – Direção-Geral da Saúde: www.dgs.pt
• OMS – Organização Mundial da Saúde: www.who.int
• CDC – Centers for Disease Control and Prevention (EUA): www.cdc.gov