O Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) já procedeu à limpeza de mais de 120 hectares de área florestal em vários pontos estratégicos da Região Autónoma da Madeira, no âmbito da campanha de Defesa da Floresta Contra Incêndios (DFCI), desenvolvida ao longo do inverno de 2025/2026. Os trabalhos abrangeram zonas prioritárias como o Paul da Serra (Campo Grande, Estanquinhos e Bica da Cana), as Serras do Funchal, o Chão do Bardo (Porto Moniz), o Chão das Abobreiras e as Sorveiras (Perímetro Florestal do Poiso).
Esta sexta-feira, o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, visitou a área do Paul da Serra, acompanhado pelo presidente do IFCN, Manuel Filipe, e pelo presidente do Serviço Regional de Proteção Civil da Madeira, Richard Marques, com o objetivo de verificar de perto a execução dos trabalhos. A visita incidiu na zona do Campo Grande, onde foram limpos cerca de 60 hectares com recurso a maquinaria pesada, nomeadamente um bulldozer KOMATSU D51, com 14 mil quilos, destinado à remoção de vegetação invasora.
“Esta intervenção é um exemplo claro da estratégia que temos vindo a implementar, baseada na prevenção, na gestão sustentável do território e na preparação da floresta para resistir melhor aos desafios das alterações climáticas”, sublinhou Eduardo Jesus, reforçando que “os incêndios combatem-se, em primeiro lugar, com planeamento, ordenamento e ações como esta, que eliminam riscos e aumentam a segurança das populações e da biodiversidade”.
Na área dos Estanquinhos, também no Paul da Serra, foram intervencionados mais 40 hectares com os mesmos objetivos: reduzir a carga combustível, facilitar o acesso às zonas florestais e proteger as infraestruturas existentes. Já na Bica da Cana, onde o incêndio de agosto de 2024 deixou marcas significativas, os trabalhos concentraram-se em cerca de 6,4 hectares e visaram a remoção de material vegetal queimado, a estabilização do solo e a preparação do terreno para futuras ações de reflorestação com espécies autóctones.
Também nas Serras do Funchal foram limpos aproximadamente 7,7 hectares com recurso a uma máquina KOMATSU PC 170 giratória, com destaque para a melhoria dos acessos em áreas críticas e a proteção dos espaços naturais junto a zonas urbanas. No Porto Moniz, concretamente no Chão do Bardo, e no Perímetro Florestal do Poiso, nas áreas do Chão das Abobreiras e das Sorveiras, foram limpos mais cerca de 5 hectares no total, com o apoio de giratórias KOMATSU PC 55. Nestes locais, além da prevenção de incêndios, procurou-se também promover zonas adequadas de pastagem e valorizar a paisagem para fins agroflorestais.
A intervenção não se limitou ao uso de maquinaria pesada. Equipas de sapadores florestais intervieram diretamente em cerca de 50 hectares adicionais, distribuídos por áreas como o Montado da Esperança, as veredas e miradouros das Serras do Funchal, o Caminho dos Pretos, Palheiro Ferreiro, Paul da Serra – Fontes Ruivas, Cova Grande e Galhano, entre outras.
Para o secretário regional, “o trabalho do IFCN, com as equipas de sapadores e dos operadores de máquinas, é essencial para a construção de uma floresta mais segura, mais resiliente e com maior valor ambiental e económico”. Eduardo Jesus acrescenta ainda que “a valorização do território passa por intervenções como estas, que previnem tragédias, aumentam a biodiversidade e potenciam outros usos sustentáveis do solo”.
A campanha DFCI 2025/2026 continuará nos próximos meses com novas frentes de intervenção, assegurando que o território regional está cada vez mais preparado para enfrentar o risco crescente de incêndios florestais.