Num gesto simbólico e significativo para a conservação do património natural da Madeira, foi celebrada no Parque Florestal do Ribeiro Frio, no âmbito do Dia da Conservação da Natureza, a assinatura de uma adenda ao protocolo de cooperação entre o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) e a TRIVALOR. Esta adenda reforça e alarga a intervenção já em curso no Miradouro do Juncal, num projeto que alia a responsabilidade social empresarial ao compromisso ambiental.
Presente na cerimónia, o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, realçou a relevância desta colaboração como exemplo de uma forma de agir em rede, em que o setor público e o setor privado se unem em prol de objetivos comuns. “Estamos aqui a constituir uma referência e é muito importante que a TRIVALOR seja um modelo. A empresa ilumina e vai à frente. Há sempre alguém que guia e inspira e, neste caso, é a TRIVALOR que mostra o caminho”, sublinhou o governante, reforçando que a conservação da natureza “não é uma opção, é uma exigência. Um dever que deve ser assumido por todos, com clareza e determinação.”
A TRIVALOR é uma holding de capital 100% nacional, especializada no segmento Business & Facility Services, orientada para servir bem-estar e criar valor para o futuro da sua empresa. Na Madeira, tem cerca de 400 colaboradores.
A iniciativa inseriu-se num momento de celebração que vai muito além da data simbólica. O local escolhido — o emblemático Parque Florestal do Ribeiro Frio — é parte integrante da Laurissilva da Madeira, classificada como Património Mundial pela UNESCO há 25 anos. A floresta milenar, um verdadeiro símbolo da identidade madeirense, foi recentemente alvo de uma intervenção de melhoria no âmbito dessas comemorações, com o objetivo de potenciar a fruição pública e promover a sensibilização ambiental.
Para Eduardo Jesus, este projeto espelha a importância do envolvimento da sociedade civil e do tecido empresarial nas grandes causas ambientais: “A TRIVALOR, com o envolvimento direto e voluntário dos seus colaboradores, demonstra como o setor empresarial pode, e deve, assumir um papel ativo na transição para uma sociedade mais sustentável. Este é o tipo de responsabilidade social que queremos ver replicado por outras empresas.”
“Devolver à sociedade uma parte
daquilo que ela nos dá”
Por seu lado, o administrador da TRIVALOR, Joaquim Cabaço, enalteceu o valor do compromisso assumido pela empresa e pelos seus trabalhadores: “É uma tradição que fazemos com gosto. Estamos aqui por vontade própria, com sentido de missão. Sentimos que devemos devolver à sociedade uma parte daquilo que ela nos dá. Este é um projeto que acolhemos desde o primeiro momento e que queremos continuar a fazer crescer.”
O administrador destacou ainda o apoio técnico do IFCN como fundamental para garantir que o trabalho no terreno decorre com segurança e eficácia. “Desde a escolha dos equipamentos à formação em primeiros socorros, tudo foi pensado para proteger quem intervém e salvaguardar os próprios ecossistemas”, sublinhou.
A visão de longo prazo foi também referida pelo Presidente do IFCN, Manuel Filipe, que considerou este protocolo “um passo em frente” na forma como as empresas se envolvem na conservação da natureza. “Não se trata de um ato isolado, mas de um compromisso prolongado. Este trabalho exige técnica, equipamento, formação e continuidade. O voluntariado é essencial, mas precisa de ser complementado por profissionalismo. E a TRIVALOR trouxe esse profissionalismo ao terreno”, afirmou.
O projeto em curso no Juncal começou em 2023, com a recuperação e manutenção de uma área de 1 hectare de floresta. Com a assinatura da adenda agora formalizada, essa intervenção será ampliada, passando a integrar o Programa Carbon Off Set e contribuindo ativamente para os objetivos regionais de neutralidade carbónica e adaptação às alterações climáticas. O novo compromisso inclui a possibilidade de desenvolver ações adicionais que promovam a biodiversidade e aumentem a capacidade de captação de carbono.
A agenda do dia incluiu momentos de visita às áreas intervencionadas, como o percurso do Ribeiro Frio e o Centro de Truticultura, bem como uma ação de sensibilização sobre primeiros socorros promovida pela AMPES — Associação Madeirense Promotora de Eventos Seguros. À tarde, a comitiva deslocou-se ao Miradouro do Juncal para definir a nova área a intervencionar no âmbito do reforço da parceria.
Binómio utilizador-conservador
Este esforço insere-se num quadro mais amplo, que inclui projetos como o Life Freiras, a gestão de faixas corta-fogo e ações transversais de restauração ecológica. Para o Secretário Regional, “o utilizador dos nossos recursos naturais deve ser também o seu conservador”. A ideia de que “usufruir implica cuidar” permeou todo o discurso, numa lógica de responsabilidade partilhada.
“Que este dia sirva de inspiração. Que mais empresas sigam o exemplo da TRIVALOR. Que mais cidadãos se juntem ao esforço coletivo de cuidar da nossa natureza. Porque proteger a natureza é proteger o nosso futuro comum”, concluiu Eduardo Jesus, deixando um apelo ao envolvimento de todos.