A doação do acervo do Padre Agostinho Jardim Gonçalves ao Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira foi formalizada em Machico, numa cerimónia marcada pelo reconhecimento do legado de um homem que, embora tivesse permanecido pouco tempo na paróquia local, deixou na terra um vínculo profundo e duradouro.
O secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, destacou que este é um momento de grande importância para a Região: “É com gosto que aqui estou, mas, acima de tudo, fruto da generosidade de todos os que se envolveram neste processo. O enriquecimento da nossa biblioteca fortalece e valoriza todas as bibliotecas ligadas à rede. A Madeira ganha mais conteúdo literário e através dele ganhamos todos nós”, afirmou.
Sublinhou ainda que, graças à rede de bibliotecas, esta coleção estará acessível não apenas a investigadores, mas, também, a qualquer leitor interessado, reforçando o acesso ao conhecimento como “um dos maiores desafios do nosso tempo”.
“Foi a vontade do Padre Agostinho que prevaleceu”
Coube a Luís Santos Costa, engenheiro e fiel depositário dos livros do Padre Agostinho, a missão de assegurar o cumprimento da vontade do sacerdote. Recordou que o processo se iniciou em 2017 e só agora se conclui com a entrega da totalidade do espólio, composto por mais de 8.000 volumes e documentação rara.
“Foram muitas vontades que se juntaram para concretizar o desejo do Padre Jardim. Ele esteve em Machico apenas em 1956, durante menos de um ano, mas foi tempo suficiente para criar uma ligação profunda à terra. Décadas depois, decidiu que era aqui que deveria ficar o seu acervo”, sublinhou Santos Costa.
O engenheiro fez questão de destacar o contributo de várias personalidades que se envolveram ao longo do processo, como o professor Vasco Nobre, responsável pela organização da biblioteca; o general Gabriel Olim, que primeiro contactou a Câmara Municipal; e o dr. Luís Miguel de Sousa, que garantiu o transporte dos milhares de livros. Recordou ainda a colaboração do historiador Marcelino Castro, cuja experiência foi decisiva.
Para Santos Costa, mais do que os livros, importa também valorizar a figura do Padre Agostinho: “Foi um homem do mundo, que deixou marcas relevantes, como a sua participação no Sínodo dos Bispos em 1974. O seu nome e o seu contributo estão ainda pouco conhecidos na Madeira e devem ser divulgados”.
“Um legado de conhecimento ao serviço do público”
O presidente da Câmara Municipal de Machico, Ricardo Franco, salientou que esta quarta e última entrega representa a concretização definitiva da vontade do sacerdote: “Estamos a falar de mais de oito mil livros, uma obra de enorme amplitude de conhecimento. A nossa biblioteca tem o dever de manter este espólio e disponibilizá-lo ao público, permitindo que seja consultado, levado para casa e partilhado”, afirmou.
Ricardo Franco explicou ainda que parte da documentação agora entregue, nomeadamente a relativa ao Sínodo dos Bispos de 1974, será depositada no Arquivo Regional, entidade com condições técnicas adequadas à sua conservação.
O autarca agradeceu a confiança do Padre Agostinho, que escolheu Machico como destino final do seu acervo, e enalteceu o apoio da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura neste processo de salvaguarda patrimonial.
Um legado para o futuro
O espólio agora incorporado no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira ultrapassa os 8.000 livros e inclui documentação histórica de grande valor, constituindo um património literário e documental ímpar.
Mais do que uma doação, esta é a afirmação de um laço entre o Padre Agostinho Jardim Gonçalves e a comunidade de Machico, que, décadas após a sua passagem pela paróquia, recebe agora o testemunho de uma vida dedicada ao conhecimento e à partilha cultural.