O Governo Regional vai disponibilizar 8 mil euros para o funcionamento do Centro de Desenvolvimento e Inovação Sociocultural e Agroflorestal (CDISA), através de um contrato-programa firmado esta semana.
O CDISA é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, de carácter sociocultural e científico, constituída desde 2022, que se dedica à conservação de várias espécies regionais, essencialmente de pêros, maçãs, cerejeira e cereais, criando as condições para a existência e funcionamento de bancos de sementes e cedência de plantas a agricultores interessados.
É na Quinta Leonor, no Jardim da Serra, num terreno com 3800 metros quadrados, que o professor Manuel Neto impulsiona a preservação de 30 variedades de pêros e maçâs, 15 variedades de cerejeiras e 8 de trigo.
“A preservação destas culturas, como o pêro regional, o pêro barral, o pêro domingos, dos canhas, da festa, de agosto a pêra do santo, entre outro, é a garantia de que o património genético e a diversidade criada e mantida pelos nossos antepassados não se irá perder”, assume o Secretário Regional de Agricultura e Pescas, que aproveitou a assinatura do contrato-programa para conhecer o projeto do CDISA e ver, no local, as sementeiras e os terrenos cultivados, em modo de produção biológica.
Manuel Neto, principal impulsionador do CDISA, não esconde que quer ir mais longe. Para além de contribuir para a preservação e sustentabilidade de variedades de espécies vegetais endógenas e promover a qualidade de produtos agrícolas e agroalimentares regionais, o seu sonho é transformar a Quinta Leonor em Quinta Ciência Viva, sendo já parceiro num projeto europeu, aprovado pela União europeia, cuja entidade promotora é o Município de Câmara de Lobos.
“O caminho é por aqui, se quisermos assegurar a continuidade daquilo que é nosso, que nos é intrínseco, que eleva a nossa identidade e a nossa cultura”, assume Nuno Maciel.
“Por essa razão, olho para este projeto com muito carinho, relevando o valor de quem a ele se dedica, pelo que o governo regional tem todo o interesse em apoiar e alavancar este projeto”, garante.
“A introdução de tecnologias, a investigação e a preservação das espécies é fundamental para uma agricultura mais sustentável e orientada para o futuro, que permitirá também ao agricultor aumentar o rendimento e reforçar a nossa soberania alimentar, algo que está na ordem do dia, face ao atual contexto mundial”, acredita o Secretário Regional de Agricultura e Pescas.
O contrato agora assinado permitirá ao Centro de Desenvolvimento e Inovação Sociocultural e Agroflorestal (CDISA) desenvolver as suas atividades que, para além da preservação das culturas, também incluem a presença em alguns certames como a Festa da Cereja e a Mostra da Sidra.