Uma verba que o presidente do Governo Regional considera insuficiente e que sequer cumpre com a rácio da população madeirense em relação à nacional, que é de mais de 2%. OU seja, no mínimo a Universidade da Madeira teria de receber mais do dobro dos 15 milhões de euros atuais.
O líder madeirense falava na sessão de abertura do Ano Académico da Universidade da Madeira, tendo feito questão de relevar o excelente trabalho realizado pela Reitoria, pelos professores e investigadores e demais comunidade educativa, ao longo destes 37 anos que a Universidade tem de existência. E pelo papel fundamental no desenvolvimento da Região.
Uma intervenção fortemente marcada por críticas ao subfinanciamento da nossa Universidade, mas que, lembrou, «está inserido num contexto natural num país centralista, que olha ainda para as universidades periféricas como um apêndice que deve ser tolerado e não assumido integralmente pelas responsabilidades do Estado português».
«A tutela e o financiamento das Universidades é do Estado português. E o Estado português tem de assumir, sem sombra de dúvida, uma correção no que diz respeito ao financiamento da Universidade da Madeira», exigiu.
Assim, anunciou que vai «interceder, ainda com mais veemência, junto do Governo central, no sentido de o Governo nacional assumir as suas responsabilidades constitucionais relativamente á Universidade da Madeira».
«Não é nenhum favor que estão a fazer a esta instituição, mas sim uma questão de reposição de equidade e de justiça face a um quadro de financiamento nacional», lembrou.
Por outro lado, defendeu que a Universidade da Madeira, «para além da quota no quadro do financiamento nacional, deveria ter um suplemento financeiro extra, dada a sua ultraperiferia e o papel decisivo que tem no desenvolvimento de uma região ultraperiférica como é a Região Autónoma da Madeira».
«Estou disponível para, com o senhor reitor e com a direção da Universidade, tomarmos todas as diligências junto do Governo nacional, e junto dos diferentes grupos parlamentares representados na Assembleia da República, no sentido de corrigirmos uma injustiça, que não se pode perpetuar», clarificou.
Uma Universidade que, destacou, «é muito importante para o nosso presente e para o nosso futuro coletivo: «é um alicerce importantíssimo na construção de um futuro onde os valores cimeiros da civilização e da educação estão bem presentes na nossa vida individual e coletiva».
Segundo o governante, não há universidades insulares, não há universidades regionais nem há, sequer, universidades nacionais. As universidades são cosmopolitas e são universais.
«Esta universidade quando foi criada foi nesse sentido: acompanhar a nossa Região na abertura ao mundo, na abertura a e na assimilação das culturas, na configuração da educação e da formação integral dos nossos jovens e dos nossos concidadãos como algo decisivo para alcançarmos os níveis de desenvolvimento que pretendemos. Esse papel tem sido cumprido plenamente pela Universidade», elogiou
Ness sentido, afirmou querer cumprimentar, na pessoa do Reitor, todos aqueles que, ao longo destes 37 anos, têm contribuído para a consolidação da Universidade da Madeira como uma instituição prestigiada e de elevada categoria.
Para além do subfinanciamento, Miguel Albuquerque abordou ainda outros assuntos. Um deles a continuidade da abertura dos Quadros Comunitários de Apoio ao reforço do investimento na investigação e inovação tecnológica.
Por outro lado, assumiu que se tentará encontrar uma solução para financiar a construção do novo edifício do Politécnico da Universidade da Madeira, igualmente no âmbito do próximo QCA.
«O projeto inicial, e à semelhança do que está a acontecer com as residências universitárias, estava inserido no PRR. Por razões técnicas e pelo hiato de tempo muito curto não foi possível inserir o projeto no PRR. Um projeto que hoje ascende já a 51 milhões de euros! Como não foi possível inseri-lo no PRR, vamos ter de encontrar uma solução nos próximos fundos», defendeu.
Desta forma, anunciou que o Governo Regional vai agora «diligenciar junto do Governo da República para a inclusão de verbas, no próximo QCA, para o financiamento daquela obra».
Paralelamente, «o Governo Regional continuará a apoiar os cursos tecnológicos, as bolsas de estudo e o alargamento do curso de medicina na Madeira até ao quarto ano».
Uma Universidade da Madeira que, salientou, vai ter um papel importantíssimo na futura, em 2029, abertura do Hospital Central e Universitário da Madeira.
«Esse Hospital pretende ser, do ponto de vista tecnológico e do ponto de vista da Medicina, um hospital de ponta. E a Universidade da Madeira terá aqui um papel determinante na alavancagem das parcerias nacionais e internacionais que serão estabelecidas, no desenvolvimento da investigação das ciências médicas, da biotecnologia, da robótica e da IA. De todas aquelas tecnologias emergentes que
vão modificar, por completo, o panorama do nosso mundo e também, como é óbvio, no campo da medicina», destacou.
Lembrou também a forte ligação, orgulho e confiança que todos os madeirenses e porto-santenses têm na sua Universidade. «Temos excelentes professores e investigadores, excelentes funcionários, uma excelente reitoria e uma associação de estudantes dinâmica», elogiou.
A concluir, deixou o repto: «Vamos para a frente, trabalhar para que a Universidade da Madeira seja uma universidade como deve ser, cosmopolita, universal e uma pedra angular do desenvolvimento integral da nossa Região».