Miguel Albuquerque quer que se continue a antecipar os problemas na Madeira, a encontrar soluções inovadoras. Como a que foi hoje apresentada pela Associação Garouta do Calhau: o Lugar de Vivências. E também que se reformule e adapte as instituições e os serviços do Estado ao novo desafio que é o aumento exponencial da esperança média de vida.
O presidente do Governo Regional falava durante a abertura oficial do Lugar de Vivências I, junto ao Centro de Dia das Murteiras, em Santa Maria Maior. Um dos dois espaços (o outro é em Santo Amaro) que a Associação Garouta do Calhau criou para acolher pessoas com mais de 65 anos (num máximo de 16 utentes) durante o período em que os cuidadores (familiares ou outros) estão a trabalhar.
Na ocasião, o governante começou por sublinhar que «a vantagem que temos em haver na Região uma política social moderna é a de poder antecipar os problemas». «E, normalmente, quando se antecipa os problemas é preciso ter pessoas na sociedade civil e nas IPSS que os percebam. O Estado não tem essa capacidade», acrescentou.
A propósito, recordou que, nos anos de 1994/1995 – quando estava na Câmara junto com Ricardo Silva, hoje presidente daquela Associação, que era seu vereador – fez-se uma
coisa espantosa, que foi um ginásio sénior. O primeiro foi o da Barreirinha. «E toda a gente ficou espantada. Abrir um ginásio para quê, questionavam», recordou.
«Foi a primeira antecipação que tivemos acerca do que seria o envelhecimento da população. Depois, fizemos um conjunto de obras que na altura espantou muita gente. Por exemplo, na altura ninguém corria, pouca gente andava a pé em lazer, e uma dessas obras foi a promenade entre o Lido e a Praia Formosa. Também toda a gente questionou o que é que estávamos a fazer ali», lembrou também.
Duas recordações de obras que marcaram, para defender que «é preciso antecipar os problemas e isso implica ter visão e coragem de os entender».
Neste momento, sublinhou, «a Garouta do Calhau é um parceiro fundamental, como quase todas as IPSS, do governo». E, acrescentou, « essas parcerias assentam no princípio de cooperação entre as instituições, ou seja, não se pode estar de costas voltadas uns com os outros».
Desta forma, perfilhou que «o sucesso da Garouta do Calhau é o sucesso dos seus responsáveis, mas é também um sucesso do princípio básico que é o de cooperarmos uns com os outros».
Ou seja, «colabora com governo, colabora com a Câmara e colabora com outras instituições, com as IPSS e com a Igreja, que tem um papel decisivo e fundamental na política social e educacional da região»
Dirigindo-se aos que estavam presentes na abertura do espaço, Miguel Albuquerque disse estarmos «perante mais uma inovação».
«As famílias hoje têm a sua vida e os idosos não podem ficar em casa sem fazer nada. Nem têm condições para ficar em casa. Portanto, temos de criar condições para as pessoas reformadas, mais experientes como eu costumo dizer, tenham um centro onde possam conviver, possam interagir, possam fazer trabalhos (como se vê aqui) e desenvolver parcerias sociais e na educação», defendeu.
Ali, complementou, as pessoas «podem fazer tudo aquilo que durante a vida ativa não tiveram tempo para o fazer, como a pintura». «Este é apenas um exemplo do que se pode fazer sem ser ficar em casa, a assistir a palermices na televisão, fazendo coisas criativas, interessantes», aconselhou.
«Em terceiro lugar, acho que é muito importante estarmos cientes daquilo que o Ricardo Silva disse: Nós vamos, nos próximos anos, graças à evolução científica e aos avanços na medicina – quer preventiva, quer efetiva – ter um aumento ainda maior da esperança média de vida», alertou.
A propósito, reiterou que o aumento da esperança média de vida é uma bênção. «Eu lembro-me que ainda há alguns países onde a esperança média é de 40 anos, nós já ultrapassámos os 80 anos», ufanou-se.
Nos próximos anos, «com a evolução que está a ver na biotecnologia sintética e na IA, a esperança de média deverá ser superior à atual do Japão (que é de 92 anos) e possivelmente vamos chegar perto dos 100 anos».
Isso significa que, avisou, ter-se-á de «reformular e adaptar as instituições e os serviços do Estado a esta novo desafio».
Segundo Miguel Albuquerque, na Madeira vai-se continuar a trabalhar em parceria, para anteciparmos os problemas, lembrando que, neste caso, até é um bom problema.
«Acho que temos condições para continuar a prosseguir uma política de vanguarda, importantíssima para este desafio que temos pela frente, que é um dos melhores desafios que nós tivemos», reforçou.
Isto porque «a grande bênção que nós temos é a vida». «Aumentar a esperança de vida foi uma conquista das sociedades civilizadas. Por vezes ouço as pessoas dizer que temos muitos velhos. Ainda bem que os temos. Antigamente, morriam aos 35 e aos 40 anos, atualmente passam largamente os 80 anos…. Ainda bem!», congratulou-se.
A concluir, disse estar muito satisfeito com o que viu, recordando que já não visitava aqueles espaços há algum tempo e que ficou muito impressionado com a evolução muito positiva nos mesmos.