Novo túnel alternativo ao Túnel 4 dos Tornos está na fase final de projeto com investimento previsto de 35 milhões de euros
A novidade foi lançada pelo Secretário Regional de Agricultura e Pescas na abertura do Fórum “O Valor da Água”, promovido pela Águas e Resíduos da Madeira (ARM).
Trata-se de um investimento estruturante e absolutamente crucial para o funcionamento do Sistema Adutor dos Tornos, que constitui a principal fonte de abastecimento de água do concelho do Funchal.
O projeto de execução está praticamente concluído, o que permitirá avançar para o procedimento de contratação da construção de um túnel alternativo ao atualmente existente, cuja empreitada se estima rondar os 35 milhões de euros, mas que face à sua dimensão, se torna indispensável “assegurar financiamento europeu, de modo a viabilizar o lançamento da obra, cuja execução prevemos iniciar no final do próximo ano”, garantiu Nuno Maciel.
Durante a sua intervenção, o Secretário Regional de Agricultura e Pescas destacou os avanços já alcançados com os investimentos executados, como a renovação de 152 km de condutas de água potável, 185 km de canais de rega, a construção e recuperação de cerca de uma centena de reservatórios, a implementação de 191 zonas de medição e controlo da rede, e a modernização das estações elevatórias e de tratamento de águas residuais.
Menos perdas nas redes de distribuição de água
Com isso, foi possível alcançar resultados positivos na redução das perdas de água. “Nos cinco concelhos aderentes à ARM, em média, as perdas caíram de mais de 70%, em 2015, para 61,3%, em 2025. Apesar da evolução, ainda perdemos cerca de três quintos da água injetada nas redes, o que representa 11 milhões de euros, calculados a partir do valor do m3 tarifado pela ARM”, sustentou.
Quanto a investimentos futuros, Nuno Maciel adiantou que, no Orçamento Regional para 2026, estão previstos cerca de 31 milhões de euros para o sector da água, incluindo 16,5 milhões para abastecimento em alta, 12,5 milhões para distribuição e drenagem, 1,5 milhões para rega e fins múltiplos, e 500 mil para saneamento em alta.
Madeirenses e Porto-santenses pagam um dos mais baixos valores nacionais pela água que consomem
No Fórum “O Valor da Água, Nuno Maciel abordou ainda o valor económico da água, ao relembrar que a tarifa praticada pela ARM, de 0,3562 cêntimos por metro cúbico, é uma das mais baixas do país.
O governante comparou este valor com o de outras entidades nacionais, como a EPAL (0,6719 cêntimos) e as Águas do Vale do Tejo (0,6627 cêntimos), ambas quase com o dobro do custo aplicado na Região.
“Para quem diz que a água na Madeira é cara, basta comparar”, afirmou, sublinhando ainda que a água para rega é subsidiada em 86%, medida que visa apoiar o sector primário, preservar a paisagem e reforçar a soberania alimentar.
Apesar dos indicadores positivos, o secretário reconheceu que há ainda “um longo e inevitável caminho a percorrer”, destacando a necessidade de sistemas de rega mais eficientes, melhor manutenção dos canais de distribuição e reforço das infraestruturas de armazenamento.
A finalizar, fez um apelo à consciência coletiva e à responsabilidade individual: “a água não é nossa, é um bem emprestado das gerações futuras, e cabe a todos cuidar dela”.