O presidente do Governo Regional anunciou hoje – durante a cerimónia de assinatura do memorando de entendimento entre o Executivo madeirense, a Startup Madeira e a Startup Portugal – que a Secretaria da Economia vai ser parceira num capital de risco, que será essencial para o financiamento das empresas e designadamente das startups, quando quiserem crescer.
«Vamos assumir o capital de risco. Esse capital de risco será tutelado pela Secretaria de Economia e diretamente ligado à Invest Madeira», explicou.
Mas, Miguel Albuquerque tinha ainda outra grande novidade a revelar, também importante «para o futuro, no desenvolvimento do nosso ecossistema de startups na Madeira». É que o Governo Regional entendeu «reformular o projeto do centro de inovação que vai ficar adstrito ao Tecnopolo» e que servirá de sede para a Startup Madeira e para a ARDITI.
Um novo projeto que, sublinhou, olhará «para a realidade e para a necessidade de se ser pragmático». «Porque nós apresentamos um projeto, há uns tempos, para esse centro de inovação, de um edifício maravilhoso e muito bonito, mas caríssimo. Caríssimo e não funcionou», lembra.
Desta forma, é preciso alterar e executar, defende, «uma estrutura modular, mais simples, mais funcional, com capacidade de adaptação às necessidades de desenvolvimento das nossas startups e que vai custar 1/4 ou um 1/5 do preço».
Ou seja, «vamos fazer mais, mais funcional, mais barato e sem mais megalomanias, como os países ricos fazem; só os países pobres é que têm a mania de fazer megalomanias que não são funcionais».
«Vamos fazer uma infraestrutura modelar, vamos avançar com isso, vai ser mais rápido, vai ser mais barato, mais eficaz, mais racional e toda a gente vai beneficiar com isso», resumiu.
Miguel Albuquerque disse ainda já ter falado com o secretário regional dos Equipamentos e Infraestruturas para articular com as duas entidades o futuro projeto, garantindo que o mesmo será para avançar o mais rapidamente possível, na zona do Tecnopolo.
E reforçou a ideia: «Vamos ter equipamentos de expansão e de funcionamento das startups mais eficazes, mais baratos, mais adaptáveis e mais consoantes com aquilo que precisamos. Nós não precisamos de gabinetes luxuosos. Precisamos é de gente a pensar, o que interessa é o conteúdo».
Na sua intervenção, o líder madeirense defendeu anda que «as condições de progresso das startups de Madeira estão diretamente ligadas ou devem estar também diretamente ligadas aos desafios que vamos ter pela frente».
Desta forma, lembrou que a Madeira tem uma obra que é a maior do país, que é a do novo Hospital Central e Universitário da Madeira, e que essa obra vai necessitar de tecnologia de ponta agregada.
«Vai ser um hospital com cerca de 171 mil metros quadrados, está já em estado avançado de construção. Mas, a tecnologia no âmbito da Saúde será uma área de desenvolvimento potencial para as Startups», sublinhou.
Para além desta apontou ainda outras sugestões: «Há duas áreas que, atualmente, são também prioritárias no quadro europeu e no quadro nacional (e obviamente que nós temos de aproveitar o quadro europeu e o nacional, sobretudo através das estruturas de financiamento», que são, sem sombra da dúvida, a segurança e a defesa.
«Aplicando muitas dessas aplicações ou muitas dessas infraestruturas também no âmbito de proteção civil, que será muito importante», acrescentou.
Mas, há ainda outras áreas a aproveitar: «As infraestruturas e, sobretudo, os avanços que temos tido na economia do mar, nomeadamente através do trabalho extraordinário que tem sido feito através da ARDITI, é algo que também tem de ser considerado. Temos sempre espaço para complementar a nossa investigação e as empresas de startup neste quadro de desenvolvimento fundamental».
Outra área apontada pelo presidente do Governo Regional como mais uma porta que se abre às Startups é a do Turismo, onde estão a ser dados passos, aliando o investimento à nova tecnologia, «designadamente no projeto de upgrade que é a requalificação da oferta e da melhoria da qualidade dos espaços turísticos, com preservação dos ecossistemas e a expugnação dos congestionamentos, acabando com uma certa desorganização nesses mesmos espaços».
Estas são, segundo Miguel Albuquerque, algumas das áreas, «onde há grandes hipóteses de desenvolver a nossa capacidade de inovação, a nossa capacidade de avançarmos no quadro científico de investigação».
O presidente do Governo Regional fez ainda questão de elogiar o discurso do presidente da Startup Portugal, concreto, como gosta, aproveitando para agradecer a Miguel Aguiar a sua presença e a sua disponibilidade para trabalhar com a Região.
A concluir, dirigiu-se a Carlos Lopes e demais colaboradores da Startup Madeira: «A região só tem de agradecer o trabalho que têm feito. São um bom exemplo daquilo que acabei de dizer. Têm funcionado com muito pouca gente. Vocês são um grupo pequeno, mas desde 97 que têm feito um trabalho extraordinário. Parabéns a todos».