«A grande questão é saber como vamos pagar e como vamos garantir que os nossos mais experientes tenham um final de vida com qualidade, dignidade e cuidados adequados», alertou.
Falando durante a sessão de abertura do I Fórum Living Care, dedicado ao tema ‘Mais Anos, Mais Desafios’ (e que decorreu esta sexta-feira no Museu de Imprensa
da Madeira, em Câmara de Lobos), Miguel Albuquerque colocou ainda a ênfase na organização de iniciativas como as que o Atalaia Living Care promoveu.
Neste sentido, fez questão de, na pessoa do Tony Saramago (o presidente do Grupo Atalia Living Care), agradecer «todo o trabalho excelente que a associação, mas acima de tudo os profissionais desta associação têm desempenhado em prol dos cuidados dos nossos seniores».
«Acho que é um trabalho notável, visível e a região, o governo da região, agradece a esta IPSS este trabalho excecional que tem desenvolvido», enalteceu.
A propósito, sublinhou que «o trabalho de afinidade e de apoio aos nossos seniores é um trabalho exigente, é um trabalho contínuo, de todos os dias e a todas as horas». E, acrescentou, «é importantíssimo no quadro do que são as políticas sociais do Governo».
Na sua intervenção, Miguel Albuquerque defendeu que «não se pode olhar de forma depressiva ou negativa para a longevidade».
Porque, lembrou, «a longevidade é a maior conquista da modernidade, a maior conquista da Humanidade». «Estamos a falar do bem mais importante e a bênção mais importante do ser humano, que é a vida. Ou seja, durante séculos e séculos a humanidade pôs todo o seu saber, toda a sua capacidade técnica, todo o seu esforço no sentido de garantir uma extensão deste bem essencial que a vida», salientou.
Desta forma, defende que o principal desafio que atualmente todas as sociedades, todos os governos têm para gerir é «como é que os Estados, os contribuintes, vão conseguir gerir receitas do Estado para proporcionar aos nossos mais experientes um final de vida com plena facilidade, com saúde e com os cuidados adequados».
«Nós temos de pensar como é que vamos manter estruturas que custam muito dinheiro, que custam cada vez mais caro, como é que o vamos fazer no sentido de podermos mantê-las com eficácia e com racionalidade», instou.
O governante releva ainda ser necessário refletir sobre como ‘vamos ter carreiras na área social, de cuidadores nas suas diversas especialidades, que sejam estimulantes, para se poder fixar estas pessoas num trabalho que é desgastante». «São desafios que têm de ser enfrentados com coragem política e, sobretudo, com racionalidade», assume.
«Este é o principal desafio da Humanidade: Como é que vamos garantir capacidade financeira, a médio e longo prazo, para a manutenção dos serviços de prestação de cuidados com qualidade, com garantias de que vamos conseguir pagá-los. Esse é
o desafio, que é também para a Saúde, da Longevidade e dos cuidados aos seniores», resumiu.
Miguel Albuquerque alertou, durante o seu discurso, ainda para as pressões crescentes sobre os sistemas de saúde e sociais, num contexto de envelhecimento da população e de estagnação económica em vários países europeus, defendendo que os desafios da longevidade exigem coragem política, racionalidade e uma reflexão conjunta entre decisores, instituições e sociedade civil.
A concluir, falou da necessidade de se olhar para estes temas de forma mais otimista e responsável, sem alarmismos, reiterando que «viver mais é um sinal de progresso e de sucesso coletivo, que deve ser acompanhado por políticas públicas sustentáveis e ajustadas às novas realidades demográficas».