«Vós sois os guardiães daquilo que temos talvez de mais importante, que é o nosso património natural. Guardam, fiscalizam a preservam um património fundamental, cujo imperativo moral nos obriga a legar, nas mesmas ou melhores condições, às novas gerações», disse.
Miguel Albuquerque falava durante as comemorações do Dia Nacional do Vigilante da Natureza, que decorreram na Centro de Artes “Casa das Mudas”, na Calheta. Onde sublinhou que o património natural a preservar «é transversal e vai ultrapassar o nosso tempo de vida», pelo que é preciso «garantir que esse legado é deixado às futuras gerações em boas condições». Esse é o nosso desígnio essencial, conforme advogou.
«E é esse o vosso trabalho ao longo do ano, muitas vezes em condições difíceis e adversas», reconheceu.
Daí, sublinhou, o gosto de estar naquela cerimónia, para reconhecer a importância do trabalho dos Vigilantes da Natureza e assegurar que o Governo continuará «a apostar no vosso profissionalismo e na vossa dedicação». E ainda expressar o reconhecimento do Executivo madeirense «à concretização do trabalho maravilhoso que todos os dias este Corpo faz em benefício de todos nós».
O Corpo de Vigilantes da Natureza é constituído por cerca de 40 elementos, que, conforme enfatizou, fazem todo um trabalho que não é visível e que exige um feitio especial. Para além, adiantou, do papel adjuvante na sensibilização e na pedagogia das populações.
«A este Corpo exige-se uma grande disponibilidade (estar duas semanas nas Selvagens, sozinhos, a exercer o seu trabalho, não é para qualquer pessoa) e uma grande vocação para o exercício da profissão», reconheceu. E garantiu que o efetivo do Corpo continuará a ser atualizado.
Miguel Albuquerque lembrou ainda o trabalho cada vez maior de preservação e salvaguarda do património natural que a Região vem fazendo, de forma até «a deixar este Património em melhores condições de ser usufruído, quer pelos residentes, quer por quem nos visita».
Um Património Natural que, assumiu, «tem de ser salvaguardado da pressão excessiva sobre a sua ecologia». «Temos de assegurar a fitodiversidade, temos de assegurar os equilíbrios na gestão desse património. E isso não é compatível com visões massificadas e extrativas do mesmo», defendeu.
Disse ainda que esta defesa do Património levou à aprovação recente do Programa Upgrade. «Que visa salvaguardar esses espaços da pressão, garantir o usufruto ordenado dos mesmos e, sobretudo para quem nos visita no exterior, fazer com que que não sejam os contribuintes madeirenses que assegurem, em exclusivo, s encargos com a manutenção e preservação dos mesmos».
Ou seja, explicou, «há aqui a aplicação importante do princípio do utilizador/pagador, que vai fazer com que o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza tenha fundos para assegurar a mobilidade desses percursos e a gestão dessas áreas protegidas e garantir condições de segurança, de boa sinalética, de utilização de espaços balneários e de repouso, possibilitando que quem usufruir dos nossos espaços poderá fazê-lo com qualidade».
O líder madeirense referiu-se ainda à Reserva das Selvagens, «que viu aumentada a sua extensão em 27 vezes, para 2.677 quilómetros quadrados, e é, neste momento, a maior Reserva do Atlântico Norte, o que impõe à Região obrigações que temos de cumprir e impõe ao estado português e à Europa também obrigações que muitas vezes não têm sido cumpridas».
Miguel Albuquerque disse estar-se a falar de «um património essencial, que visa servir a Humanidade, que pode ser testado na regeneração oceânica, na criação de um estudo aprofundado sobre os fundos marinhos, da poluição marítima, do aquecimento global» e que «todas as circunstâncias fazem que, neste momento, esteja ao serviço da Humanidade».
«Se está ao serviço da Humanidade, é importante que no quadro internacional e no quadro europeu – não podem ser só os contribuintes da Região – se contribua também para a
preservação deste espaço. E o mesmo se poderia dizer em relação às Desertas e a outras áreas protegidas que estão sobre a vossa jurisdição», avisou.
Desta forma, afirmou ser necessário que se continue «a trabalhar, sobretudo do ponto de vista científico, para que a Região consiga canalizar fundos suficientes para o desenvolvimento e para a preservação destes espaços». «São espaços que estão ao serviço da Humanidade, do País, da Europa e também da Ciência e do evoluir da Ciência para o bem da Humanidade», reforçou.