Miguel Albuquerque enalteceu hoje a importância do livro “Manuel Nicolau, Retratos” para deixar às novas gerações o testemunho das vivências duras e sofridas e da adversidade que os nossos antepassados sofreram, mas também das transformações económicas e sociais que, entretanto, ocorreram na nossa Região.
O presidente do Governo Regional falava durante a cerimónia de lançamento do livro “Manuel Nicolau, Retratos”, o qual reúne uma seleção de fotografias do vasto acervo do repórter fotográfico acumulado durante os imensos anos de atividade. O evento decorreu na Casa-Museu Frederico de Freitas. A edição da obra póstuma do conhecido fotojornalista do Diário de Notícias é da Secretaria do Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direção Regional de Cultura.
O líder madeirense, dirigindo-se à família do fotojornalista falecido em 2020, sublinhou ser aquela uma singela homenagem a Manuel Nicolau.
«O Ricardo Oliveira – o diretor do Diário de Notícias apresentou a obra – foi muito eloquente e muito incisivo relativamente ao percurso profissional do Manuel Nicolau, do que ele fez
e do que nos deixou, mas é importante sublinhar que esta obra, mais do que o resultado do trabalho selecionado de um repórter fotográfico, é, sem sombra de dúvida, o resultado ou o testemunho de um artista, de um homem que conseguiu olhar para a realidade de uma maneira que o comum dos cidadãos não consegue», salientou.
O governante enalteceu, a propósito, que ao olhar-se com alguma atenção para aquele livro, «chamado e bem Retratos, vemos fotografias, por exemplo de uma agricultora a lavrar na Ribeira Brava, um conjunto de crianças sentadas no exterior de uma casa rudimentar na Ribeira Seca, uma criança a transportar lenha, ou um retrato muito vivo da faina da pesca…».
O que, na sua opinião, representa, no fundo, «o testemunho vivo de uma sociedade, onde cada rosto é o retrato de uma sociedade e do resultado de uma sociedade estratificada, atrasada e sofredora».
«Acho que é importante que as novas gerações tenham um testemunho vivo, presente significativo, do que os nossos antepassados sofreram, de vivências duras, de vivências cruas, de vivências de adversidade, de vivências de estratificação, de vivências de marginalização e sobretudo de sobrevivências», adiantou ainda.
Desta forma, salientou que a obra agora editada «é um estudo muito importante sobre o Estado Social, em termos das que foram as transformações económicas e sociais que ocorreram na nossa terra, como também ocorreram no nosso País».
O líder madeirense considera importante que se tenha «uma noção da nossa história, que se saiba de onde viemos, porque só assim conseguimos perceber o que somos e o e o que queremos ser no futuro».
Desta forma, perfilhou que «não vale a pena escamotear aquela que foi a tragédia, durante gerações e gerações, da vivência da maioria dos nossos conterrâneos, nesta terra».
«Está bem visível nesta obra, Este livro é bem um exemplo, cada rosto tem um mapa de sofrimento e de adversidade, mas também da força e coragem que a lente do Manuel Nicolau conseguiu captar», destacou.
Miguel Albuquerque lembrou que a última vez que esteve com Manuel Nicolau foi na Santa Casa da Misericórdia de Machico, a visitar uma exposição que o próprio tinha idealizado. «E achei o trabalho dele, sobretudo este trabalho, importantíssimo para a preservação da memória histórica e artística da Região Autónoma», elogiou.
Desta forma, fez questão de agradecer à família de Manuel Nicolau «ter disponibilizado estes retratos para a região e para a Região cumprir com a sua obrigação de preservar a sua memória e a sua arte para o futuro».
«Muito obrigado a todos, cumprimentos à família e é um grande prazer estar aqui hoje a realizar um sonho que era também o sonho do vosso pai», concluiu, dirigindo-se aos familiares do fotógrafo.