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Qualidade do Ar Ambiente do Funchal

Medir o efeito “COVID 19” 08-04-2020 Direção Regional do Ordenamento do Território e Ambiente
Qualidade do Ar Ambiente do Funchal

A Madeira está servida por uma rede de monitorização de qualidade do ar desde 2003. A rede gerida pela Direção Regional do Ambiente e Alterações Climáticas (DRAAC), a mais completa do país, permite obter informação rigorosa de diversos parâmetros indicadores da qualidade do ar.

A rede é extremamente sensível e qualquer variação na qualidade do ar, nos diversos parâmetros analisados, é automaticamente registada e quantificada.

A Madeira, incluindo os seus centros urbanos, tem uma qualidade do ar muito boa. Os valores limites de emissão são excecionalmente ultrapassados e, na maior parte das vezes, como consequência de fenómenos naturais como o “Leste” - massas de ar formadas sobre os desertos do Norte de África contribuindo para o aumento de partículas e poeiras em suspensão”, que nos têm visitado regularmente.



A repentina alteração aos nossos hábitos como consequência das medidas adotadas no contexto COVID 19 foi imediatamente detetada nos indicadores de qualidade do ar, particularmente na Estação de São João – Urbana de Tráfego, onde determinados indicadores associados ao trânsito automóvel, particularmente o monóxido de carbono, mostraram quedas abruptas, em alguns casos na ordem dos 80%, quando comparados com períodos homólogos. É possível também perceber as variações próprias do ritmo semanal (ao fim de semana os valores de emissão e logo os parâmetros medidos tendem sempre a baixar).


Observando a figura 1 verifica-se uma diminuição da concentração média diária de CO a partir do dia 14 de março de 2020 (entrada em vigor de medidas determinadas na sequência da declaração de estado de alerta na RAM).





Comparando o período após a entrada em vigor das medidas de confinamento (14 de março de 2020) com um período semelhante do ano anterior (12 a 17 março de 2019), observa-se uma redução de 77,14 % nos níveis CO. Se compararmos com a “semana” anterior deste mesmo ano, observa-se igualmente uma redução significativa, 74,48%.

Dióxido de azoto (NO2)






Analisando a figura 3, esta evidencia uma diminuição da concentração média diária de NO2 a partir do dia 10 de março de 2020, acentuando-se ainda mais após 14 de março. .





Partículas em suspensão (PM10)



Também é perfeitamente percebida a redução do trânsito automóvel no indicador PM10, com a curiosidade de observarmos um pico entre 18 e 19 de março, período coincidente com os avisos oficiais de ocorrência de “Leste”, evento natural de transporte de partículas atmosféricas provenientes dos desertos do norte de África.

Este pico não se verifica nos restantes indicadores, o que comprova a importância de serem medidos diferentes parâmetros pois, dessa forma, é possível distinguir e identificar diferentes fenómenos, diferentes causa-efeitos (alteração do tráfego e “Leste”).





Estes resultados permitem retirar ilações muito importantes: a Região está servida por uma rede de qualidade do ar de excelência; a queda das emissões do trânsito automóvel acompanha as decisões de confinamento determinadas na Madeira e, de certa forma, comprovam a sua eficácia; e, finalmente permite compreender que as atividades humanas têm impacto no ambiente.

Efetivamente a qualidade do ar urbano da Madeira é muito boa, deve-se em parte a menores emissões, quando comparado com outros centros urbanos, mas também não será alheio a uma malha urbana significativamente arborizada, um “cerco” florestal no perímetro urbano, e, naturalmente, uma frente oceânica.

A mensagem a reter da leitura fria dos instrumentos, segundo Ara Oliveira, Diretor Regional do Ambiente e Alterações Climáticas (DRAAC), “é que devemos continuar a nossa caminhada na adoção de boas práticas, no uso racional da viatura particular e no consumo doméstico de energia, na utilização dos transportes públicos, na melhoria da acessibilidade e mobilidade urbana, e continuar a investir na eletrificação da energia, nas energias alternativas, na reflorestação, no fundo, continuar a implementar as medidas com as quais a Região se comprometeu no contexto de mitigação e adaptação às alterações climáticas”.

Diversas organizações internacionais como a Organização Meteorológica Mundial (OMM), da ONU, alertam para o facto da redução da pegada ambiental observada em muitos países do planeta devido à pandemia da covid-19 não isenta a comunidade internacional de continuar a luta contra as mudanças climáticas.

Efetivamente, Petteri Taalas, da OMM, alerta para o facto que “após a redução nas emissões de gases de efeito estufa prevista nestes meses de quarentena massiva, é provável que haja um rápido aumento nos números de poluição, como já aconteceu em crises anteriores”.

Nesse sentido, Ara Oliveira, reforça a ideia de que “devemos ver esta crise como uma oportunidade para retirar alguns ensinamentos e reforçar ainda mais a caminhada que a Região tem sabido fazer, assumindo o seu papel na mitigação das alterações climáticas e na melhoria do ambiente e qualidade de vida da sua população”.

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