A Secretária Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, participou na conferência “Acesso Direto à Comissão Europeia: Financiamento e Parcerias para a Madeira”, que decorreu no Colégio dos Jesuítas, no âmbito do Madeira Digital Transformation Summit.
No contexto daquela temática, depois de o Presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, ter abordado o “Enquadramento político e relevância estratégica da ligação da Madeira à Europa”, e de o membro da Comissão Europeia, Graham Wilkie, ter apontado as “Prioridades políticas e enquadramento do programa Marie Skłodowska-Curie Actions”, Elsa Fernandes abordou a “Estratégia regional para o ensino superior e investigação no contexto europeu”.
Para a governante, aquele momento não constituiu apenas mais um evento, mas sim uma oportunidade única. «Uma oportunidade para termos, aqui na Madeira, acesso direto — sem intermediários — àqueles que desenham e implementam os programas europeus. E isso faz toda a diferença. Ficou claro que programas como as Ações Marie Skłodowska‑Curie não dizem respeito apenas a financiamento; dizem respeito a posicionamento, a visibilidade e a redes de colaboração», sublinhou.
A Secretária Regional vincou a convicção do Governo Regional. «O futuro da Madeira será construído com base no conhecimento, não em qualquer tipo de conhecimento, mas àquele que se liga à economia, que responde a desafios reais e que cria valor, numa estratégia assente em três pilares fundamentais: competências avançadas, investigação com impacto e colaboração», indicou, esmiuçando depois cada um daqueles pilares. «Para gerar competências avançadas, continuamos a investir no ensino superior, na formação doutoral e pós‑doutoral, através da ARDITI, e na criação de condições para carreiras científicas sustentáveis na Região. Queremos mais investigação mas, acima de tudo, queremos mais impacto, mais ligação à indústria, mais transferência de conhecimento e mais inovação com aplicação no mundo real. Tudo isto para o que talvez seja o mais importante: queremos mais colaboração. Entre universidades e empresas, entre atores regionais e redes internacionais e entre a Madeira e a Comissão Europeia», assumiu.
Elsa Fernandes apresentou ainda as áreas prioritárias da Estratégia de Especialização Inteligente da RAM, nomeadamente o Oceano, a Sustentabilidade, a Saúde, a Transição Digital e o Turismo Inteligente. «Mas mais importante do que os setores é a ambição. Queremos que a Madeira seja um parceiro ativo no Espaço Europeu da Investigação e Inovação e isso exige uma mudança de mentalidade, de deixar de encarar os programas europeus como oportunidades distantes para os reconhecer como instrumentos estratégicos centrais», defendeu, a Secretária Regional dirigindo-se à comunidade empresarial. «Permitam‑me ser muito clara: a inovação já não é opcional. A Europa está a investir fortemente na transição digital, na transição verde e na resiliência económica. E estes investimentos precisam de empresas que participem, que colaborem e que assumam riscos. Queremos mais empresas da Madeira em projetos europeus, não apenas como participantes, mas como cocriadoras de inovação», desafiou.
O tom ambicioso de Elsa Fernandes estendeu-se aos investigadores. «A ciência produzida na Madeira é de elevado nível, mas tem de ser global. Precisamos de mais participação, mais liderança, mais ambição. Porque a qualidade já existe, precisamos é de escala», considerou, dirigindo-se depois aos representantes da Comissão Europeia. «Permitam‑me dizê‑lo de forma clara: a Madeira não quer ser apenas beneficiária de financiamento. Queremos ser um parceiro – na criação de soluções, na experimentação de ideias e na concretização da inovação em contextos reais. É por isso que este momento é tão importante. Porque cria algo único: proximidade. Mas a proximidade só é relevante se conduzir à ação», constatou.
A concluir a sua alocução, a Secretária Regional elegeu os próximos passos como o mais importante daquele contacto direto com a Comissão Europeia. «O verdadeiro impacto deste momento depende daquilo que fizermos a seguir; se construirmos parcerias, se formarmos consórcios, se submetermos projetos. Mais importante ainda, se a Comissão Europeia compreender a nossa realidade e desenhar instrumentos melhor ajustados à dimensão e capacidade das nossas empresas, então este momento terá realmente significado. Porque o futuro da Madeira não se constrói em isolamento; constrói‑se em redes, em parcerias e com ambição europeia.»