A Região Autónoma da Madeira deu, esta terça-feira, um novo passo na sua estratégia de afirmação internacional no domínio da sustentabilidade e da inovação territorial, com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Secretaria Regional da Economia e o Urban Economy Forum (UEF), no âmbito do programa internacional Islands Beyond 2030 – Isolated by Sea, Connected by Vision.
A cerimónia, realizada no Salão Nobre do Palácio do Governo Regional, marcou o primeiro momento oficial da iniciativa promovida pela Direção Regional de Competitividade, Inovação e Sustentabilidade, organismo tutelado pela Secretaria Regional da Economia, em parceria com o Urban Economy Forum, estrutura integrada no ecossistema global associado à ONU-Habitat.
Com este acordo, a Madeira passa a integrar a rede internacional de cidades e ilhas sustentáveis promovida pelo UEF, assumindo o estatuto de “Frontrunner Island” — uma distinção que posiciona a Região como território de referência na experimentação e implementação de soluções ligadas à economia azul, à economia circular e à transição digital.
Na sua intervenção, o Secretário Regional da Economia, José Manuel Rodrigues, sublinhou que o memorando representa “um compromisso ético com o destino da nossa insularidade”, defendendo que a Madeira pretende assumir um papel ativo nos grandes processos de transformação global.
“Olhamos para a nossa condição ultraperiférica não como uma limitação, mas como uma vantagem estratégica”, afirmou o governante, acrescentando que “quem vive rodeado pelo mar aprende que o progresso depende da capacidade de estabelecer pontes, de ler os ventos e de partilhar horizontes”.
O governante destacou ainda que a adesão à rede internacional promovida pelo Urban Economy Forum permitirá à Região aceder à Global Platform for Urban Finance, plataforma orientada para a mobilização de investimento de impacto e para a articulação entre territórios e instrumentos financeiros internacionais.
Contudo, José Manuel Rodrigues salientou que a ambição do Executivo regional “vai muito além do investimento financeiro”, defendendo que a prioridade passa por transformar os princípios da sustentabilidade, da economia azul e da transição digital em benefícios concretos para a população.
“A Madeira tem vocação de universalidade. Ao longo da sua história foi um entreposto de mundos. Hoje, renova essa vocação ao afirmar-se como um laboratório vivo onde a tecnologia e a ecologia se encontram para servir a vida”, afirmou.
A sessão contou com a presença do presidente do Urban Economy Forum, Reza Pourvaziry, bem como de representantes do Governo Regional, dirigentes de institutos e empresas públicas, especialistas convidados e parceiros institucionais.
O programa Islands Beyond 2030 prossegue amanhã, no auditório do Hotel VidaMar, no Funchal, com uma conferência internacional dedicada aos desafios e oportunidades das regiões insulares no horizonte pós-2030. A iniciativa reunirá especialistas, decisores e representantes institucionais de vários países, em torno de temas como a sustentabilidade, a inovação territorial, a transição energética e digital e o futuro das economias insulares.
Andreia Collard, Diretora Regional de Competitividade, Inovação e Sustentabilidade explicou que a Região passa a integrar a rede Front Runner Cities, o que dá visibilidade internacional junto da ONU Habitat e facilita o acesso a redes de investidores e mecanismos de financiamento ESG, tudo sem encargos financeiros para o Governo Regional.
A responsável sublinhou que a iniciativa pretende transformar a insularidade num ativo competitivo, promovendo a economia sustentável, inovação, test labs e serviços de dados, além de promover a integração e qualidade dos dados regionais (em conformidade com o RGPD) para aumentar credibilidade junto de investidores. Foram anunciadas próximas ações como a criação de uma plataforma de dados regional e a realização de conferências, estudos e protocolos específicos com parceiros internacionais para operacionalizar o memorando.
O Presidente do Urban Economy Forum, Reza Pourvaziry, anunciou que a Madeira foi reconhecida como a primeira “Front Runner Island”, resultado de uma avaliação baseada em dados e critérios desenvolvidos com universidades e organizações internacionais, destancando o objetivo 11 (cidades sustentáveis) e a participação pública (ODS 17). Reza Pourvaziry vincou que a iniciativa pretende concretizar ações — não meras declarações — e partilhar as boas práticas com outras cidades, envolvendo as comunidades locais.