Entre 2021 e 2025, a produção de limão registou um crescimento em mais de 90%, passando de 832 toneladas para 1.600 toneladas.
Este ano estima-se que a produção seja semelhante à do ano anterior mantendo-se também inalterada a área cultivada.
Números dados a conhecer pelo secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, que visitou um produtor de limão no concelho de Santana.
Segundo fez saber, atualmente esta cultura é praticada por cerca de 720 agricultores ocupando uma área de aproximadamente 64 hectares dos quais 4 ha são praticados em agricultura biológica.
O concelho de Santana destaca-se nesta produção, concentrando 69,6% da área cultivada. É na freguesia da Ilha, onde se assinala no próximo fim-de-semana a tradicional Festa do Limão, que esta cultura assume particular relevância, abrangendo cerca de 21 hectares, o equivalente a 26% da área regional dedicada a esta fruteira. Uma iniciativa da Casa do povo local que assinala este ano a sua XXIV edição.
Santa Cruz (10,8%), São Vicente (4,9%) e Calheta (4,1%) são outros concelhos onde também há alguma expressão desta cultura.
Segundo fez saber o secretário regional, toda a produção tem o escoamento garantido revelando a grande procura por mais um produtor regional.
“À semelhança de outros produtos regionais, verifica-se que a totalidade da produção de limão tem sido escoada. A população reconhece que produzimos pouco, mas com qualidade que é isso que nos diferencia”, frisou Nuno Maciel que salientou a importância do apoio técnico prestado pela Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
Ao nível de rendimento, esta cultura aumentou significativamente, subindo de cerca de 807 mil euros em 2021 para mais de 1,4 milhões de euros em 2025 o que representa um crescimento na ordem dos 73,8% e consequentemente mais rendimento para o agricultor.
Modo de produção biológica
O modo de produção biológico já conta com 11 produtores, distribuídos por vários concelhos, representando 6,6% da área total.
Destaque para a libertação do parasitoide Tamarixia dryi para o controlo biológico da psila africana dos citrinos (Trioza erytreae) ocorreu no verão de 2021, tendo-se revelado bastante eficaz, não se observando atualmente sintomas nem a presença deste inseto.
O apoio técnico de proximidade também tem sido determinante para o sucesso deste citrino. Durante o ano agrícola 2024-2025, foram realizadas 2.929 podas e 86 enxertias em citrinos na região, beneficiando 61 produtores.
No presente ano agrícola, iniciado em outubro de 2025, foram até ao momento realizadas 533 podas em citrinos, beneficiando 24 produtores na Região Autónoma da Madeira.
Empresa familiar aposta em licores artesanais
Dando continuidade às vistas a operadores económicos na área do sector primário, o secretário regional de Agricultura e Pescas visitou a empresa SOULICOR.
Trata-se de uma empresa familiar criada por um casal com raízes no Curral das Freiras, que trabalha com a produção de licores artesanais inspirados em receitas tradicionais herdadas dos avós.
De entre as referências disponíveis destaque para o licor de limão, maracujá, ginja, tangerina ou do do tin-tan-tum, que contam já com vários prémios nacionais e internacionais, entre eles o 𝐺𝑟𝑒𝑎𝑡 𝑇𝑎𝑠𝑡𝑒 𝐴𝑤𝑎𝑟𝑑𝑠, considerado um dos maiores concursos de provas cegas do mundo, o que reconhece e destaca além-fronteiras a qualidade dos produtos produzidos por esta empresa.
Segundo destacou Nuno Maciel, é na produção agroalimentar que é possível obter maior rendimento.
“Através do agroalimentar é possível criar valor acrescentado transformando produtos locais em referências diferenciadas e com forte procura no mercado. Além de dinamizar a economia regional, promove os nossos produtos e a Região além-fronteiras”, explicou o secretário regional.
A criação desta empresa resultou de uma candidatura ao PRODERAM2020. Com um investimento elegível de 63 mil euros, contou com um apoio de 65% (34.963,20€ FEADER e 6.169,98€ ORAM).
A estratégia da empresa passa pela produção de licores artesanais, não industriais, à base de fruta regional, direcionados sobretudo ao canal HORECA (hotelaria, restauração e cafetaria) valorizando os produtos frutícolas da Madeira e transformando-os em produtos “premium”.