Basta que sim!

É caso para dizer “Habemus Pamus”…mas sem fumo branco…só fumo de escape. 13-12-2018 Secretaria Regional dos Equipamentos e Infraestruturas
Basta que sim!

Há dias veio-me à memória uma expressão muito interessante do linguajar madeirense, e que ouvia frequentemente em São Jorge, o “Basta que sim!”. Esta expressão era muito utilizada por uma tia-avó minha, a tia Piedade, que com carinho lá ia colocando esta interjeição no meio das nossas conversas. Com uns bonitos olhos escondidos por uns óculos pequenos, mas significativamente graduados pelo bordado deste tenra idade, lá ia aturando o pequeno da cidade, (o filho do Delfino), que estava mais interessado nas ferramentas do tio José (marido) e nos bolos de rolão e de saboia que eram absolutamente deliciosos.

 

Esta expressão, além de muito madeirense e rural, tem um papel importante numa conversa, pois permite ao receptor acompanhar o diálogo com algum grau de interesse, mas também de incredulidade, colocando no emissor o sentido afirmativo do que está a dizer e logo da verdade do que este está a debitar. É pena esta interjeição já não ser muito utilizada, pois faria falta como conclusão de muitas tiradas de algumas estrelas ascendentes e reluzentes do panorama politico cá do burgo...

 

Por exemplo, quando a sumidade das Smart Cities e da Mobilidade Urbana e de tudo e mais qualquer coisa, (claro que estou a falar do edil superstar do Funchal em regime de meio tempo), afirma, e com a costumeira sobranceria, que os recentes problemas do trânsito da capital eram devidos às obras do Governo Regional, e que a decisão absurda de condicionar a Rua João de Deus pouco ou nada contribuíram para o imbróglio…nada a dizer, se não um sonante...Basta que sim!

 

A verdade é que  as obras do GR continuam e para desespero do homem, com a retirada dos estacionamentos e reposição da faixa de rodagem…o trânsito melhorou. Infelizmente, para quem tem que vir à cidade, o condicionamento definitivo da Rua do Bom Jesus será sempre um problema, mas isso não importa…nada que um sorriso e uma generalidade qualquer retirada do PAMUS não resolva. É caso para dizer “Habemus Pamus”…mas sem fumo branco…só fumo de escape.

 

Outra situação onde a minha querida tia Piedade utilizaria com toda a propriedade a sua frase, seria ao ouvir o frenético edil a debitar assunto sobre a Ponte Nova. Quando digo debitar assunto, estou a ser simpático, pois o esforço é quase sobre-humano na criação de uma verdade alternativa, ou para ser moderno, uma pós verdade. A criatividade “geringonceira”, a sem vergonha e o delírio são assinaláveis e assustadores. A velha máxima, “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, está incrustada neste espírito confiante, e com tudo o que representa, pois esta celebre frase tem como autor, Joseph Goebbels (um tipo também muito simpático, que por acaso foi ministro da Propaganda de outro tipo não tão simpático, chamado Hitler). 

 

E no delírio…o autarca afirma que foi ele que vislumbrou a necessidade de reforço estrutural da ponte…Basta que sim! Foi  sua santidade edílica que salvou a ponte perante a voracidade dos senhores do Governo…Basta que sim! Foi um chamamento divino que o obrigou a interceder pela retirada dos passeios e reposição da traça original da elegante ponte…Basta que sim! Foi, por quase se ter imolado em chamas, que conseguiu introduzir uma faixa de rodagem e um passeio para os peões…Basta que sim! 

 

Foi sua excelência, acreditem...num rasgo de pura clarividência que entendeu que uma ponte poderia servir de arma de arremesso politico e de chantagem, mesmo que para isso tivesse de infernizar a vida dos funchalenses durante dezassete meses…(esta parte até é verdade)…Basta que sim! Com tanta patranha e artimanha é caso para dizer, por favor, tenha piedade…

 


Anexos

Descritores