Ano Novo, Política Nova

Para nós, madeirenses, será um ano muito importante, se não, um dos mais importantes da nossa história democrática e autonómica, pois estamos sobre fogo cruzado, de artilharia pesada, e comandado por um certo socialismo luso. 04-01-2019 Secretaria Regional dos Equipamentos e Infraestruturas
Ano Novo, Política Nova

Começou um novo ano e como se costuma dizer, ano novo, vida nova. Esta perspectiva optimista de encarar a vida e o seus intervalos gregorianos, tem um efeito muito positivo em todos nós, permite um virar de página, permite tomar grandes ou pequenas decisões, de formular votos e de aceitar novos desafios...e 2019 será um ano repleto de desafios. 

 

Para nós, madeirenses, será um ano muito importante, se não, um dos mais importantes da nossa história democrática e autonómica, pois estamos sobre fogo cruzado, de artilharia pesada, e comandado por um certo socialismo luso. Quanto à questão autonómica, está bem de ver quais são as ameaças e não vou aqui enumerar as fragilidades que radicam da subserviência crónica dos nossos partidos mais socialistas...agora mais moderninhos, dissimulados e politicamente correctos. 

 

Mas, infelizmente, não é apenas a nossa autonomia e todo o esforço de décadas que está em jogo, existem outros perigos que rondam assustadoramente todo o processo democrático regional. Um destes perigos, na minha opinião, consiste na sobreposição do parecer, relativamente ao ser...da forma, sobre o conteúdo, da conversa (a maioria das vezes, fiada), sobre a realização e a acção, enviesando assim, uma correcta leitura política dos factos e dos respectivos actores. 

 

Este vírus, para mal dos nossos pecados, já infectou o sistema democrático nacional. Temos um governo geringonceiro, irresponsável e incompetente a passar pelos pingos da chuva (com direito a trovoada, labaredas, roubos, legionella, greves e de tudo um pouco), e sem se molhar. Para tal, tem contado com a ajuda preciosa de uma certa imprensa sonâmbula e/ou avençada, e de uma letargia e passividade quase generalizada dos coitados dos portugueses. A forma como lhes é vendida a realidade é quase obscena, mas muito profissional e convincente. 

 

Infelizmente, este vírus, que assola o país de norte a sul, também infectou o sistema político regional, e os madeirenses estão também sob acção destes métodos de propaganda concertados e concentrados que elevam a forma e deturpam o conteúdo (claro, partindo do principio que este existe).

 

Ora vejamos, temos um certo partido, com uma desastrosa liderança bicéfala (estou a ser simpático, pois estou a contar com pelo menos, dois cérebros), e é como se nada fosse...zzz. Temos um autarca que também é candidato e que baralha consistentemente a suas responsabilidades de presidente da câmara (também estou a ser simpático) com as de candidato, alguém repara?...zzz. Quando, após um tragédia que ceifou a vida a 13 pessoas (sim, pessoas…), e assistimos a manobras de dissimulação e ocultação de provas, sacudindo a responsabilidade para outros, o que sabemos?...zzz. Quando assistimos diariamente, a profundas (é força de expressão, claro) e sempre bem divulgadas intervenções do mesmo candidato, que mais parecem discursos de uma candidata a miss universo (coitadas das pessoas e de mais alguns lugares comuns), alguém comenta?...zzz. Quando a nossa capital, é gerida (também é força de expressão, claro) de forma medíocre, à vista, e ao melhor estilo cata-vento,  alguém fala?...zzz.

 

Esta nova forma de estar na política e de fazer política, baseada em jogos de sombras, números de ventriloquismo e personagens vazias, não é de todo recomendável. Devemos atender ao conteúdo e ao compromisso e menos à forma e à retórica simpática e imediatista. Caro leitor, se este for um dos seus votos de ano novo, penso que estamos no bom caminho para um bom ano novo e para uma boa política nova.