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ARTESANATO MADEIRENSE: VALORIZE, compre o que é NOSSO

Barretes de Vilão 17-05-2020 Turismo e Cultura
ARTESANATO MADEIRENSE: VALORIZE, compre o que é NOSSO

Tendo em conta as contingências provocadas pelo vírus COVID-19 e os limites que foram impostos por esta situação, o museu tem procurado quebrar as limitações impostas pelo isolamento físico, com partilhas virtuais, que permitam manter o envolvimento com os seus públicos. Através do património, da Cultura, procura manter viva a nossa Identidade e alimentar a esperança, através da criatividade.

E porque é um momento crítico para a nossa economia, decidiu criar esta rubrica, “ARTESANATO MADEIRENSE – Valorize, compre o que é NOSSO”, procurando contribuir, desta forma, para a sua recuperação.

Através da partilha, de obras de artesanato, de produção regional, pretende dar a conhecer os artesãos madeirenses e incentivar a população em geral, a comprar o que é NOSSO.

Esta semana são divulgados os “barretes de vilão” ou “barretes de orelhas”, em lã de ovelha, confecionados por Maria de Jesus Gonçalves. A artífice, de 84 anos, é natural da Camacha e iniciou a sua atividade aos 23 anos, tendo aprendido esta arte com a sua madrinha de casamento.

A lã de ovelha era utilizada pelo povo madeirense, na confeção de um tipo de barretes tradicionais, os chamados “barretes de vilão” ou “barretes de orelhas”.

Os mais comuns, que ainda hoje se comercializam, possuem no alto uma pequena borla de lã e nos lados dois apêndices, que se levantam, ou se deixam cair sobre as orelhas. Segundo alguns autores, a confeção destes barretes constituía, antigamente, em algumas freguesias, uma indústria privativa dos homens dessas localidades. Atualmente trata-se de uma atividade feminina e muitas artesãs já utilizam lã de fabrico industrial.

As tosquias, para obtenção desta matéria-prima, constituíam um acontecimento de grande importância na vida da população rural, das zonas serranas. A florestação dos baldios, a diminuição das áreas de pastagens disponíveis e as medidas restritivas à pastagem do gado na serra, bem como o êxodo rural, contribuíram decisivamente para a diminuição da criação de gado ovino e, consequentemente, a lã deixou de ser utilizada como matéria-prima, na produção artesanal.

Embora hoje se comercialize apenas um modelo destes barretes, antigamente a sua morfologia era mais diversificada, existindo diferentes tipos, os quais, segundo alguns autores, variavam consoante as localidades.

Na Ponta do Sol, há referências a um barrete achatado no alto da cabeça, feito de lã grosseira e felpuda, borla ao centro e três orelhas curtas e eretas, uma atrás e uma de cada lado.

Em Santana, parece que este tomou a forma e o nome de ninho de pássaro, tão pequeno que ficava no alto da cabeça. Quando colocavam-no, apertavam-no na mão, contra a cabeça, ao mesmo tempo que o rodavam em meia volta para o prender no cabelo.

No Caniçal e em Machico, consta que eram confecionados com lã colorida, prolongando-se em longo apêndice de forma quase afunilado, e terminando em borla esfiapada de diversas cores. Eram muito usados pelos pescadores.

Nas outras povoações da ilha, era o típico barrete aguçado, hoje o mais comercializado, com duas orelhas, que no Inverno eram descidas e prendiam-se pelas pontas debaixo do queixo e no verão levantavam-se, ajustadas à carapuça, de cuja extremidade sobressai uma borla farta de lã.


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