O governo regional vai reforçar em 25% os apoios à produção do mel de cana. Dos atuais 120 euros, por 100kg de mel-de-cana produzido expresso em açúcar branco, a Secretaria Regional de Agricultura e Pescas decidiu atribuir já este ano, via POSEI, 150 euros (+30 euros), estimando-se que esse apoio possa render aos engenhos cerca de 87 mil euros.
A notícia foi avançada pelo Secretário Regional Nuno Maciel, numa visita à Fábrica de Mel de Cana do Ribeiro Seco, o principal produtor da Região, com 77,5% da produção regional (119.469 kg), que para o efeito adquire, aproximadamente, 1.100 toneladas anuais de cana-de-açúcar, destinadas à transformação em mel.
A produção anual, em 2025, rondava o 154.093 kg de mel de cana (58.220kg expresso em açúcar branco*), mais 7% que no ano anterior, que a preços de mercado, apontam para um volume de negócio a rondar os 2 milhões de euros.
Nuno Maciel não tem dúvidas que estamos a falar de um produto com um património histórico e cultural relevante, que faz parte da nossa identidade e da nossa culinária tradicional. “Proteger a produção de mel de cana é também proteger a cultura da cana sacarina e do agricultor que se dedica ao seu plantio”, adianta o Secretário Regional de Agricultura e Pescas.
“Esse é o nosso foco”, refere Nuno Maciel. “Queremos alavancar a produção regional, valorizar a matéria-prima e o trabalho dos nossos agricultores, e estimular a indústria de transformação, de maneira a agregar mais valor ao setor primário”.
Na transformação da matéria-prima, para além do mel de cana convencional, produto que mereceu, em 2020, 2 estrelas e a distinção de “excecional” na 2.ª edição do concurso gastronómico ‘O Melhor Sabor – Great Taste’, a Fábrica do Ribeiro Seco alargou, desde 2012, a sua oferta ao mel-de-cana biológico e subprodutos do mel, como o bolo-de-mel, as broas-de-mel, as trufas, os chocolates e as compotas, entre outros.
Produtores de cana vão receber mais 20 euros à tonelada
Essencial para a produção de mel, a cana-de-açúcar sofrerá já este ano um ajuste no preço mínimo, que passará para os 620 euros por tonelada, mais 20 euros (+3,3%), quando comparado com o ano anterior.
A decisão, como o Diário deu conta na semana passada, surge após reunião entre o Governo Regional, operadores económicos, ACIF e representante dos agricultores.
Dos 620 euros/tonelada, 370 representam o auxílio público, através do POSEI (153 euros da União Europeia e 217 euros do Orçamento da Região), sendo os restantes 250 euros pagos pelos operadores económicos.
Recorde-se que, nos últimos cinco anos, o preço paga pela cana-de-açúcar mais do que duplicou, passando de 280 euros/tonelada para 620 euros/tonelada. Já a “variante canica” terá como preço mínimo de referência os €650/tonelada e a cana produzida em modo biológico os €670/tonelada.
Paralelamente, há o compromisso dos engenhos de valorizarem o preço médio ao produtor de acordo com a qualidade e o brix da produção apresentada por cada agricultor, numa economia livre de mercado, que procura elevar a rentabilidade do produto por via a excelência da cana cultivada, de modo que com menor quantidade se possa ter mais rendimento.
Este ano, a safra da cana-de-açúcar deverá acontecer a partir de 23 de março, sendo que em 2027, por decisão unânime, ficou acordado que será no início de abril, de forma a obter um produto com melhor amadurecimento, permitindo assim maior rendimento ao produtor.
Recorde-se que, ao nível da promoção, no último fim de semana deste mês terá lugar a tradicional Mostra Regional da Cana e seus derivados, na freguesia dos Canhas, enquanto o Madeira Rum Festival, na Avenida Arriaga, decorrerá entre 14 e 18 de abril.
* Mel de cana expresso em açúcar branco refere-se à quantidade de açúcar refinado que seria necessária para igualar o teor de açúcar total presente no mel de cana, sendo uma métrica usada principalmente para fins de produção, controlo e comercialização.