A partir de agora, a Rede Regional de Bibliotecas Públicas da Madeira ganha maior valorização e amplitude ao trabalhar de perto com a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Este é um dos aspetos importantes do acordo de cooperação que foi celebrado recentemente entre a Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direção Regional dos Arquivos, Bibliotecas e Livro, a Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), e a Associação de Municípios da RAM (AMRAM).
O acordo tripartido pretende iniciar, com uma abordagem colaborativa, um percurso que conduza ao desenvolvimento dos serviços prestados pelas bibliotecas municipais na Região. Este aprofundamento do trabalho cooperativo entre as três entidades é entendido como essencial para criar, melhorar e potenciar as funções sociais e culturais que uma Biblioteca Pública Municipal deve providenciar à sua comunidade e a todos os cidadãos que a visitam. Assim, o acordo formalizado visa a integração dos equipamentos da Madeira e Porto Santo integrem a rede nacional e o melhoramento do serviço prestado aos munícipes e a todos os cidadãos, através da requalificação dos serviços das Bibliotecas Públicas, por meio de ações de disponibilização e atualização dos diferentes recursos e serviços.
Presente na cerimónia, o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, sublinhou “a enorme felicidade desta possibilidade de cooperação com a rede nacional”, acrescentando que “se há sector onde trabalhar em rede não é apenas um desejo, mas é uma obrigação, é o sector cultural. O trabalho em rede é fundamental na Cultura e, nesse sentido, este acordo é uma grande valia”.
No caso particular das bibliotecas públicas ou municipais, o governante disse que esta forma de trabalhar ainda é mais importante, porque, sendo um serviço público gratuito, implica que muito seja feito para que o mesmo se mantenha vivo e como uma oferta real. “E por isso trabalhar em rede é mais do que necessário: é uma obrigação. A possibilidade de cooperarmos e colaborarmos com a experiência da dimensão nacional e dessa forma também dar espaço à realidade regional permitindo, através dessa cooperação, que a Madeira e o Porto Santo tenham uma presença diferente no todo nacional, também é um elemento que deve de ser aqui valorizado”, salientou. Eduardo Jesus aproveitou ainda a ocasião para enaltecer a caminhada que tem sido realizada pela DRABL no sentido de expandir a Rede Regional de Bibliotecas “e que essa expansão signifique uma valia para a população”.
As bibliotecas públicas são fundamentais nas comunidades, afirma, “como elemento de proximidade, de formação, de crescimento, de educação”, refere. O trabalho de valorização destes espaços “tem sido feito com muita persistência pela direção regional, mas teve um acolhimento extraordinário por parte dos municípios”, acrescenta o governante, salientando que “existe uma consciência ampla e alargada da importância desta rede regional e da vantagem que existe na mesma para se chegar cada vez mais próximo à população e para a população chegar cada vez mais facilmente a esta oferta cultural”.
O Secretário Regional fez questão de agradecer o trabalho desenvolvido pelos profissionais das bibliotecas, aqueles que estavam presentes na sessão que decorreu na DRABL e a todos os que desempenham funções naqueles equipamentos, porque “não basta ter oferta cultural nas prateleiras das bibliotecas, ou no acesso informático que essas mesmas bibliotecas têm, mas muito passa pelas pessoas que trabalham nestes espaços.”
“E por isso eu queria vos agradecer, acima de tudo, o profissionalismo e o gosto que têm demonstrado no desempenho dessa função, porque o resultado de tudo isto depende muito do relacionamento que é estabelecido entre as pessoas que trabalham nas bibliotecas e aqueles que procuram as bibliotecas, ou a quem nós despertamos interesse pelas bibliotecas”, acrescentou ainda, deixando o repto para que, neste momento em que a rede regional ganha uma dimensão que vai para além da fronteira geográfica regional, “desejar que este seja um protocolo perfeito e que continue a incentivar a outras ideias e mais inovação a favor da cultura”.
Na assinatura do acordo, o subdiretor-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Bruno Eiras recordou que a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, à data de hoje, inclui 261 municípios e 481 equipamentos, tinha já uma presença na Região com as bibliotecas municipais de Câmara de Lobos e de Machico que aderiram anteriormente ao programa.
O responsável sublinhou que o acordo de cooperação oficializado esta semana revela “este desejo comum de olhar para um equipamento público de proximidade, que é a biblioteca pública, que não se esgota nas suas valências culturais, nas suas valências educativas, mas que pretende explorar o seu lado social, de inovação, de coesão territorial e coesão social.”
Enaltecendo o projeto pioneiro que existe na Região (a Rede Regional de Bibliotecas), Bruno Eiras diz que o objetivo é o de “juntar estas boas vontades, para juntarmos os recursos, os meios, as intenções também, para procurar transformar aquele que é, provavelmente, um dos últimos serviços públicos de proximidade totalmente gratuitos”.
Acima de tudo, referiu, que “o que nós esperamos desta reunião da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas com a Rede Bibliotecas da Madeira, é que seja possível concretizar mais, e essencialmente também concretizar melhor. Concretizar melhor significa colocar à disposição, neste caso, dos municípios que já fazem parte da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, mas também à totalidade dos municípios da Região Autónoma da Madeira, o nosso conhecimento, os nossos técnicos e equipas, o nosso know-how, mas essencialmente também os meios que estão afetos à Direção-Geral do Livro e dos Arquivos das Bibliotecas para a concretização prolongada e continuada destes equipamentos”.
“É esse compromisso que fica aqui formalizado, aparentemente só num papel, mas que estamos certos que, com esta congregação de boas vontades, em breve teremos mais municípios da Região Autónoma da Madeira na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e teremos, com certeza, também aqui neste território tão especial, mais exemplos de projetos de serviços de Biblioteca Municipal inovadores, com impacto, e que naturalmente possam ser exemplos para os restantes 261 que integram a rede nacional de bibliotecas públicas”, disse ainda o subdiretor-geral.
Já Carlos Teles, presidente da Câmara Municipal da Calheta e da Associação de Municípios da Região, outra das partes signatárias, sublinhou que o acordo de cooperação “será fundamental para o futuro imediato das nossas bibliotecas”. Além de abrir uma porta para que as bibliotecas da Região que ainda não fazem parte da rede nacional, possam aderir à mesma, este protocolo é “o primeiro passo para que realmente se possa dotar também as nossas bibliotecas municipais com outras valências, promovendo a literacia, a inclusão, enfim, todo aquele papel cultural importantíssimo que as bibliotecas desempenham na nossa sociedade e na nossa educação”.
O autarca sublinhou que as bibliotecas são espaços que devem ser valorizados, “principalmente por aqueles que têm responsabilidades políticas na nossa sociedade”, sendo que as autarquias, defende, têm um papel essencial nesse processo que vai muito além da obra física e que abrange também a literacia, a educação, a coesão e a inclusão. “Quero também relevar o papel importante da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, que sempre manifestou essa proximidade e disponibilidade para que se possam dar passos importantes também neste sentido”, disse Carlos Teles, reforçando a disponibilidade da AMRAM em ajudar a concretizar os pressupostos do acordo firmado.
Mais uma parceria
Recorde-se que esta não é a primeira parceria oficializada entre a DRABL e a DGLAB. Em fevereiro de 2023 foi formalizado um protocolo entre as duas entidades com objetivo de promover a desmaterialização e acessibilidade digital dos materiais bibliográficos e acervos da Biblioteca Nacional que mais interessam ao conhecimento da história, cultura e património madeirenses. Desde então, a Biblioteca Nacional e a DRABL têm trabalhado em conjunto no sentido de submeter os acervos da Biblioteca Nacional a uma pesquisa criteriosa visando a localização e posterior digitalização de espécies bibliográficas e documentais que interessem sobremaneira ao conhecimento da cultura e história insulares.
O trabalho conjunto tem fortalecido as duas instituições e permite que mais público tenha acesso aos materiais bibliográficos que estão localizados ou em Lisboa ou na Madeira.