Diretor da Inspeção Regional de Educação defende inspeção "baseada no conhecimento, na justiça e no interesse público" no XIII Fórum Nacional do SIEE
O diretor da Inspeção Regional de Educação (IRE), Jorge Morgado, participou no XIII Fórum Nacional do Sindicato dos Inspetores da Educação e do Ensino (SIEE), que decorreu entre 22 e 24 de outubro, em Baião.
Na sua intervenção, defendeu que, numa sociedade marcada pela gestão por resultados e pela prestação de contas, a inspeção da educação não pode limitar-se ao controlo burocrático. Deve equilibrar regulação, supervisão, garantia da qualidade e melhoria das práticas educativas.
A ideia de qualidade concretizou-se em cinco dimensões. A primeira é a independência técnica e a credibilidade pública da inspeção. A segunda centra-se nos direitos dos alunos, com destaque para a equidade, a inclusão e o bem-estar. Segue-se uma avaliação contextualizada, capaz de interpretar os resultados à luz da realidade social e territorial de cada escola. A quarta dimensão assenta numa função preventiva, e não apenas sancionatória. Por fim, destaca-se a defesa da educação como bem público e direito fundamental.
Jorge Morgado sublinhou que o inspetor deve "questionar sem intimidar" e "exercer autoridade sem autoritarismo". Defendeu ainda a substituição da "lógica da suspeita" pela "lógica da evidência", a distinção rigorosa entre erro, dificuldade, negligência e irregularidade, e a valorização das boas práticas das escolas nos relatórios inspetivos.
A relação entre inspeção e escola, afirmou, deve assentar no respeito institucional entre entidades que servem o mesmo interesse público. Concluiu que "a finalidade da inspeção não é encontrar culpados, mas garantir que os alunos beneficiam de escolas cada vez melhores, em prol da melhoria qualidade das aprendizagens”