As secretárias regionais da Saúde da Madeira e dos Açores, Micaela Fonseca de Freitas e Mónica Seidi, reuniram-se hoje no Funchal para concertar uma estratégia comum junto do Governo da República e do Conselho Nacional do Internato Médico. O encontro serviu para conjugar estratégias que garantam que os médicos internos, cuja formação é financiada pelas Regiões Autónomas em hospitais do continente, regressem aos seus arquipélagos de origem após a conclusão da especialidade.
Micaela Fonseca de Freitas sublinhou que, atualmente, o Serviço Regional de Saúde assegura o pagamento da formação destes profissionais mesmo quando esta ocorre fora da região por falta de idoneidade formativa em determinadas áreas. No entanto, a governante apontou a inexistência de garantias de que estes clínicos venham a contribuir para o Sistema Regional de Saúde no futuro. Nesse sentido, as duas regiões pretendem agora apresentar uma posição conjunta junto da Ministra da Saúde para estabelecer compromissos de permanência e incentivos que acautelem as necessidades das populações insulares.
Por sua vez, a secretária regional dos Açores, Mónica Seidi, defendeu que a união entre os dois arquipélagos dá mais força às reivindicações junto da República. A governante sublinhou a falta de médicos em várias especialidades e lembrou que, como a formação de um especialista demora vários anos, é urgente agir agora para garantir o futuro da saúde nas Regiões.
O encontro serviu também para reforçar os laços de solidariedade institucional já existentes. Mónica Seidi aproveitou a ocasião para agradecer publicamente o apoio da Madeira aquando do incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) em Ponta Delgada, lembrando que o SESARAM acolheu doentes de hemodiálise, grávidas e recém-nascidos. Esta parceria estende-se a áreas técnicas diferenciadas, como as trombectomias para tratamento de AVC, que trouxeram cerca de 80 doentes açorianos à Madeira em 2025. Com esta reunião, as duas Regiões Autónomas reafirmam que a proximidade e a partilha de recursos são fundamentais para superar os desafios da ultraperiferia na saúde.