Miguel Albuquerque lembrou hoje que a proteção da lapa, que esteve em riscos de extinção na Madeira, obrigou a um período alargado de proibição da apanha. Proibição que, recorda, foi levantada a partir de 1de junho, uma vez normalizada a população da espécie.
O líder madeirense falava na abertura da Festa da Lapa, que decorre hoje e amanhã no Paul do Mar, numa iniciativa da Casa do Povo local. Um evento que é retomado este ano, depois de no ano passado não se ter realizado, precisamente devido à interdição de captura da espécie.
O presidente do Governo Regional explica que a retoma da apanha decorrer até outubro e, neste momento, qualquer madeirense pode apanhar até dois quilos de lapa, por dia. «O profissional apeado, ou seja que não usa barco, pode apanhar até dez quilos e o com embarcação pode apanhar até 130 quilos por dia», explicou.
O governante salienta que o que se assiste, presentemente, é a uma maior procura da lapa , o que tem implicado uma subida no valor de venda na lota.
«Nós atingimos já mais de meio milhão de euros (576 mil euros) em volume de vendas, desde 1 de junho até ontem. E já foram capturadas 35,1 toneladas. Hoje, já ninguém vende lapas a preço de escravo», destacou.
Apesar da situação parecer estar normalizada, Miguel Albuquerque garante que os técnicos da Direção Regional das Pescas vão continuar a acompanhar a situação, frisando ser fundamental preservar-se esta espécie.
O líder madeirense tinha, contudo, um anúncio a fazer: «Há ensaios que estamos a realizar e que estão a decorrer muito bem, no sentido de dentro de dois a três anos, através do Centro de Maricultura da Calheta a lapa poder ser reproduzida, não em cativeiro, mas em ambiente controlado».
Segundo o governante, tal significa «também um potencial para investimentos por parte de empresários do mar na Madeira, que poderão produzir lapa em ambiente condicionado e ter uma indústria ligada a este maná, que faz a delícia dos madeirenses e de quem nos visita».
«Já estamos a trabalhar há cerca dois anos e meio a três anos no projeto e deverá demorar mais cerca de dois anos. Estamos a ultimar os testes, mas tudo indica que é viável produzir lapas em ambiente controlado, quando digo condicionado é no mar mas com um conjunto de estruturas agregadas que permitam a reprodução da lapa», explicou.
A propósito, Miguel Albuquerque vaticinou um grande sucesso para essa indústria, frisando ser mais uma oportunidade criada pelo seu Governo para desenvolver a Economia da Madeira.