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«Futuro do mundo joga-se nos oceanos»

O presidente do Governo Regional diz que a Europa não se pode virar só para dentro das suas fronteiras e tem de continuar a manter e até reforçar as suas relações atlânticas, sobretudo com os Estados Unidos. Neste sentido, Portugal, enquanto porta da Europa e face à sua dimensão arquipelágica, tem papel fundamental a desempenhar. 16-11-2020 Presidência
«Futuro do mundo joga-se nos oceanos»

Miguel Albuquerque defendeu hoje que a Europa não se pode afastar da sua dimensão atlântica, lembrando o papel fulcral que Portugal pode ter, enquanto porta da Europa e face à sua dimensão arquipelágica, no fortalecimento da relação europeia com os outros continentes atlânticos

O presidente do Governo Regional falava, nesta tarde de segunda-feira, a partir da Quinta Vigia, via videoconferência, no âmbito da sessão de abertura de mais uma edição do Curso Intensivo de Segurança e Defesa, do Instituto de Defesa Nacional, que decorre intervaladamente na Madeira e nos Açores. Este ano cabe à Região receber a iniciativa, que está a decorrer por via digital, devido às contingências da pandemia.

O governante madeirense, na sua intervenção, defendeu a continuidade da Nato, bem como a sua importância no espectro geoestratégico mundial, lembrando a importância da cooperação militar e ao nível da diplomacia externa entre a Europa e os Estados Unidos. Recordou a Carta Atlântica e o papel de Winston Churchill nesse acordo e sublinhou que o afastamento da Europa dos Estados Unidos após a Primeira Guerra Mundial acabou por levar a uma segunda Guerra Mundial, defendendo assim a continuidade da relação de proximidade entre europeus e norte-americanos.

Ao longo da sua intervenção, o presidente do Governo Regional da Madeira enfatizou o facto de Portugal ter sempre estado no coração da Aliança Atlântica. «É membro fundador da Nato e um aliado chave a nível estratégico, ainda mais devido à sua dimensão arquipelágica no Atlântico», disse.

O líder madeirense sublinhou, aliás, por mais de uma vez, o geoestratégico e geopolítico crucial das regiões insulares portuguesas na dimensão atlântica do País e da Europa, defendendo que essa relação deve continuar a ser alimentada.

Realçando que a Nato não viu diminuída a sua importância no relacionamento bilateral, Miguel Albuquerque salientou que, com a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, a continentalização da integração europeia tenderá a acentuar-se, com forte predominância da Alemanha, bem como a crescente marginalização dos países periféricos como Portugal….

«Uma Europa afastada do Atlântico é uma Europa enfraquecida do ponto de vista geoestratégico, uma Europa amputada de uma fundamental dimensão construtiva e limitada na sua projeção pluricontinental», lembrou, a propósito.

Segundo Miguel Albuquerque, «enquanto país atlântico e europeu, com uma das maiores plataformas continentais do mundo, graças à sua dimensão arquipelágica, Portugal tem aqui uma oportunidade única para valer o seu peso no quadro europeu».

Neste sentido, acrescentou: «O mar é cada vez mais decisivo, não só em termos económicos, mas também geoestratégicos. Em parte, o futuro do mundo joga-se nos oceanos e a União Europeia não pode ignorar essa evidência».

Para o governante madeirense, «a verdade é que a projeção da Europa, enquanto poder mundial, joga-se também nos seus territórios ultraperiféricos (espanhóis, portugueses e franceses)».

Miguel Albuquerque defende, assim, que «o papel de Portugal como porta da Europa e como ponto de projeção para outros continentes atlânticos é hoje um desafio crucial para o nosso País e para a nossa diplomacia». «É fundamental chamar a atenção para a variável e a dimensão atlântico-europeia e assumir com outros países atlânticos, como por exemplo a Holanda, um fundo de projeção desta dimensão fundamental do poder europeu no presente e no futuro», acrescentou

«Esta é uma aposta decisiva que temos de vencer», concluiu.


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