O presidente do Governo Regional falava no salão nobre do Executivo, à Avenida Zarco, onde foi concretizada a parceria com a Oceano Azul e com a National Geographic, que vai permitir à Região avançar com um programa de ação estruturado para avaliar, gerir e reforçar a Rede de Áreas Marinhas Protegidas, consolidando o seu posicionamento como referência europeia na conservação do oceano.
O líder madeirense disse ser este um desafio muito importante. «É um desafio que nós temos de trabalhar, em conjunto, no sentido de promover, desenvolver todas as
atividades de investigação, de ciência, de inovação, de prospeção, de monitorização, em diversos nichos que são cruciais para o futuro da Humanidade», advogou.
O governante referiu ainda ser «um orgulho a Madeira estar, mais uma vez, a liderar este processo, em colaboração com instituições altamente credíveis, com técnicos altamente referenciados». «E garantindo que, mais uma vez, as decisões que nós tomamos aqui são decisões não para as próximas eleições, nem sequer para os próximos tempos, mas para o futuro», destacou.
Um futuro que, na sua opinião, «tem de se construir com estas decisões de médio e longo prazo». Neste sentido, exortou: «Temos de ter uma visão estratégica.
A história passa e nada fica. E nós queremos deixar este legado em nome das futuras gerações da Madeira, do nosso País e do mundo».
Antes, aos representantes das instituições, tinha dado conta do seu prazer em estar naquele evento, frisando que «medidas como estas e decisões como as que tomámos ao longo das últimas dezenas de anos na Madeira, são decisões cujo efeito positivo, profícuo, em benefício da nossa comunidade, em benefício do País e do planeta, ultrapassam largamente a nossa esperança de vida, são decisões que visam beneficiar o futuro, as próximas gerações».
Ou seja, defendeu, «temos de deixar um legado para as próximas gerações, um legado de preservação, salvaguarda do nosso patrimônio natural que permitam às próximas gerações usufruir do mesmo».
A propósito, recordou algumas das decisões que vêm sendo tomadas na Madeira, para proteção da Natureza. «Hoje, temos 89% do nosso mar com estatuto de área protegida e 65 da nossa área terrestre também protegida. Isso significa que somos uma das regiões com mais áreas protegidas em função do seu território», enalteceu.
Nessas áreas, relevou, «temos feito um trabalho intenso, particularmente na proteção do oceano, na ciência oceânica – a ARDIT é hoje uma das mais prestigiadas instituições a nível nacional e internacional ao nível da ciência oceânica e da economia azul».
Entre as medidas tomadas, lembrou a criação da Reserva das Selvagens, a primeira reserva do País, em 1971. «E, em 1976, com a Autonomia, nós começámos a organizar toda aquela área, com a nossa guarda de Vigilantes da Natureza, em circunstâncias difíceis, mas fomos avançando nesse processo. Em 2022 e com o apoio da Fundação Oceano Azul e da National Geographic, nós tomamos a decisão de aumentar a área de reserva das Selvagens dos 95 km quadrados para 2. 2677 km quadrados», destacou.
Uma Reserva que é, neste momento, «a maior área protegida do Atlântico». «E esta zona é, sem sombra de dúvida, um legado, um laboratório que nós estamos a instituir para o futuro da Humanidade. Esta área está ao serviço de toda a Humanidade», lembrou.
A Reserva das Desertas foi também evocada, até por ter também «uma atividade de muito interesse, sobretudo relativamente à preservação do Lobo-Marinho». «Tem sido um trabalho intenso que temos tido», salientou.
Isto para além de «outras áreas que têm tido repercussão nacional e internacional, como as reservas do Porto Santo, que foram tão polémicas no início, mas que hoje permitem a regeneração de áreas naturais fundamentais para a nossa vida».
«Hoje, toda a gente já interiorizou que a existência de reservas cria mais espécies, favorece a proliferação das espécies e isso tem tido um efeito muito benéfico junto da população. O mesmo com as Desertas. Se nós formos ao norte das Desertas hoje, os bancos de peixe proliferam hoje, como é constatado pelas pessoas, quer as pessoas ligadas à pesca, a pesca desportiva, ao turismo natureza, toda a gente percebe isso», enalteceu
Miguel Albuquerque também recordou outras Reservas, como a do Garajau («toda a gente no país conhece a reserva e o seu célebre mero) ou a do Cabo Girão (que é para continuar a desenvolver).
Criação de reservas que, enfatizou, não estão dissociadas de «uma estratégia global que a Região está a desenvolver no sentido de cumprir aquela que é a estratégia do mar.
«Uma estratégia do mar que está ligada à ciência. A ARDITI é a comunidade de desenvolvimento científico e trabalha em parceria com outras instituições nacionais e internacionais. Neste momento, é uma instituição com um trabalho consolidado e continuado e com grande prestígio, sempre colaborando com cientistas e instituições de renome nacional e internacional», referenciou.
Mas, lembrou, a estratégia da Região passava também, no que se refere ao mar, «por desenvolver uma tradição portuguesa que é a indústria naval e o desenvolvimento da Marinha». «E aproveitamos o Centro Internacional de Negócios para desenvolver, com grandes dificuldades burocráticas entretanto ultrapassadas, e criámos o Registo Internacional de Navios da Madeira», explicou.
«Neste momento, podemos dizer que o nosso Registo de Navios é o terceiro na Europa. Temos 1337 navios, mais de 30 milhões de tonelagem de arqueação bruta e mais de 18 mil tripulantes», regozijou-se. Até porque «todos os negócios e as sociedades agregadas a esta indústria permitem proporcionar empregos qualificados e bem pagos às novas gerações».
Outra área onde a Região, disse, foi pioneira foi na criação do primeiro centro de investigação e desenvolvimento de aquacultura. «Hoje é dos mais avançados e não há dúvida de que esta infraestrutura também se insere naquilo que é a necessidade de nós assegurarmos uma indústria que é fundamental, em termos de preservação ambiental, que não é poluente, e que é decisiva para o futuro da Humanidade », destacou
Outra área que a Região tem apostado é ao nível do afundamento de navios, com a criação de recifes artificias nos nossos mares e que tem sido muito importante para os ecossistemas marinhos e a diversidade marinha.