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Conciliar engenharia e sustentabilidade é um dos grandes desafios dos nossos tempos

A sustentabilidade tem de ser sempre uma prioridade na estratégia tanto da ação executiva dos governos e demais entidades públicas, como da ação das entidades privadas e da sociedade em geral 16-10-2021 Equipamentos e Infraestruturas
Conciliar engenharia e sustentabilidade é um dos grandes desafios dos nossos tempos

“Conciliar engenharia e sustentabilidade é um dos grandes desafios dos nossos tempos”. Esta foi uma das principais mensagens deixadas pelo Secretário Regional de Equipamentos e Infraestruturas, Pedro Fino, hoje na sessão de encerramento da conferência organizada pela Ordem dos Engenheiros, “Porto Santo 600 anos: Energia e Sustentabilidade”.

 

Pedro Fino considerou o “tema atual” e “extremamente pertinente a vários níveis - pela enorme pressão que circunstâncias várias, como a Geografia e o Tempo, exercem sobre uma pequena ilha resiliente, embora ferida, de uma dupla insularidade, de uma periferia sazonalmente multiplicada, às vezes para além do aceitável”.

 

“A sustentabilidade tem de ser sempre uma prioridade na estratégia tanto da ação executiva dos governos e demais entidades públicas, como da ação das entidades privadas e da sociedade em geral”, defendeu, apontando que “o Porto Santo não pode ser visível a partir de Lisboa apenas no Verão”. “Os seus pouco mais de cinco mil habitantes vivem cá todo o ano, necessitam de uma economia sustentável todo o ano”, salientou, vincando que, à ilha “falta-lhe, incompreensivelmente, o complemento do elemento nacional dessa política”. “A nossa companhia de bandeira, de capitais maioritariamente públicos, só se lembra do Porto Santo quando lhe dá jeito, isto é, três ou quatro meses por ano, falhando assim as suas obrigações de serviço público e de promoção de uma efetiva coesão nacional”, defendeu.

 

O governante referiu que, “apesar das dificuldades acrescidas, provocadas pela descontinuidade territorial, o Governo Regional tem vindo a dotar o Porto Santo de todas as infraestruturas e todos os meios humanos e técnicos necessários ao bem-estar da população residente na ilha” e que, por isso, “o Porto Santo está ao nível dos outros concelhos da Região em termos de qualidade de vida da sua população”.

 

Pedro Fino recordou que, “dotada de sistemas autónomos de produção de energia, a ilha do Porto Santo tem vindo a desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento e implementação de novas soluções tecnológicas”. São disso exemplo os projetos de Contadores Inteligentes e Redes Inteligentes, instalados com sucesso em todos os consumidores do Porto Santo (Cerca de 4.000 Clientes), e a instalação da primeira bateria de grande potência no Arquipélago da Madeira que este ano entrou em Serviço no Porto Santo, com a potência de 4 MW.

 

“O sucesso obtido permitiu avançar de imediato para a instalação de uma bateria de maiores dimensões, com 15 MW, que neste momento se encontra em fase de instalação pela EEM, na ilha da Madeira”, disse, lembrando muitos outros projetos que se encontram em curso enquadrados no

projeto “ SMART FOSSIL FREE ISLAND “ que persegue o objetivo de, a médio prazo, conseguir tornar a ilha do Porto Santo autossustentável do ponto de vista energético, e que foi criado a pensar no aumento da qualidade de vida dos habitantes da ilha e daqueles que a visitam. “Esperemos que estes projetos e medidas possam inspirar outras ilhas ou outras cidades”, sublinhou.

 

O Secretário recordou também que “o Governo Regional vem dando outro enorme contributo para a descarbonização do Porto Santo, com a criação de importantes incentivos financeiros à aquisição de carros elétricos, tendo a EEM suportado um projeto piloto de demonstração que esteve disponível para vários segmentos administrativos e económicos da ilha”.

 

“A sustentabilidade, insisto, tem de ser um conceito operativo, um conceito condutor de políticas que tenham como fim último um desenvolvimento social e humano equilibrado, compatível e em harmonia com as circunstâncias ambientais”, enfatizou, recordando importantes medidas políticas que foram abordadas ao longo desta conferência, como a Reflorestação do Porto Santo, a Central Dessalinizadora do Porto Santo, a resolução do problema do Porto de Abrigo, a Recarga do Cordão Dunar e na área da saúde que, no ano passado, esteve particularmente em foco pelas razões conhecidas. “E porque sabemos que o Porto Santo, para se manter como destino turístico sustentável, tem de ter uma Unidade de Saúde Local moderna de grande qualidade, de referência, e que garanta uma prestação dos cuidados de excelência à população, teremos em breve no terreno o arranque desta obra”, avançou.

 

Pedro Fino realçou ainda que “o sector da construção civil e das obras públicas assumiu um papel preponderante na infraestruturação da Região, garantindo à população, modernas infraestruturas de saúde e de educação em cada Concelho, melhores acessibilidades, encurtando distâncias e permitindo a mobilidade e transportes mais sustentáveis, promovendo a coesão territorial e conferindo mais segurança à população”. “Chegados aqui, sabemos que as principais carências ao nível das infraestruturas da Região encontram-se prática e generalizadamente superadas, não obstante, o trabalho em prol dos Madeirenses e Porto-santenses nunca estará concluído”, frisou.

 

“Um dos desafios novos é garantir a sustentabilidade das infraestruturas construídas, através da reabilitação energética das mesmas”, continuou, explicando que “o Governo Regional tem como uma das suas orientações estratégicas na área dos equipamentos e infraestruturas, o reforço do investimento público, de forma a assegurar a adequada conservação e reabilitação das infraestruturas e equipamentos públicos em serviço, nas melhores condições técnicas de utilização e de segurança, bem como a sua exploração sustentável, em termos ambientais, sociais e económicos”.

 

“Por outro lado, dadas as características naturais da nossa Região, muito desfavoráveis no que diz respeito à exposição a determinados riscos naturais, em especial num contexto de alterações climáticas aceleradas, é prioritário para o Governo Regional assegurar uma resposta pública continuada, integrada e multissectorial, no sentido de mitigar os seus efeitos”, ressalvou, salientando que “todos estes fatores têm de ser necessariamente tomados em consideração ao planear as obras públicas na nossa Região”.

 

“Conciliar engenharia e sustentabilidade é um dos grandes desafios dos nossos tempos”, defendeu. “Mais do que nunca, os engenheiros têm de encontrar soluções holísticas e eficazes, no sentido de proteger as populações e todos os sistemas vitais de apoio à vida, numa perspetiva ecológica, ambiental, económica, cultural e social enquanto, ao mesmo tempo, atendem às necessidades de uma população em crescimento e desenvolvimento”, sustentou.

 

Para o governante, “a sustentabilidade na construção é mais do que um conceito, é uma realidade, falar de sustentabilidade no setor da construção civil em geral é garantir uma redução dos impactos ambientais, afiançando que, ao longo do decurso das obras, seja reutilizado o maior volume de resíduos, materiais, feita a redução de consumos energéticos, entre outros procedimentos, de modo a certificar que são definidas alternativas à exploração dos recursos naturais”.

 

“A Secretaria Regional de Equipamentos e Infraestruturas, enquanto promotora de grande parte das obras públicas do Governo Regional, assegura a correta execução dos planos de resíduos da construção e de demolição, das normas de gestão ambiental, da eficiência energética dos edifícios, materiais, entre outros”, rematou.


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