Na cerimónia comemorativa dos 50 anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira e dos 40 anos da Adesão de Portugal à União Europeia, o Presidente do Governo Regional afiançou que os Madeirenses e os Porto-santenses, em particular as suas novas gerações, não querem ser tratados como «um caso à parte», pedindo apenas para que se avance para o futuro, mudando o que é preciso mudar e reformando o que é necessário reformar.
Perante o Presidente da República, António José Seguro, e o Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, Miguel Albuquerque disse que os resultados do percurso Autonómico evidenciam a maturidade institucional das Regiões Autónomas e a capacidades das suas populações para transformar a Autonomia num instrumento de governação e de desenvolvimento, sendo que para assegurar o desenvolvimento integral num mundo novo, em acelerada mudança, a Madeira precisa dos instrumentos necessários à gestão do território, à captação e projeção de novos investimentos, de um regime fiscal próprio e de um Estado que não ignore as suas responsabilidades constitucionais e as desvantagens e os custos estruturais permanentes da ultraperiferia e da insularidade.
Nesse sentido, manifestou-se satisfeito pela «importante» decisão do Governo da República de criar um grupo de trabalho, o qual contará com os contributos das Regiões Autónomas, para a revisão da Lei das Finanças Regionais.
«Quero endereçar as minhas felicitações. E dizer que, da minha parte, estou sempre disponível para o diálogo e para a construção de soluções positivas em prol da nossa Região», disse o Chefe do Governo.
«Estou esperançado que irá trazer conclusões benéficas para a Madeira e para as Regiões Autónomas», continuou.
Na sua intervenção, Miguel Albuquerque vincou que a Autonomia Política da Madeira e dos Açores é uma das realizações de maior sucesso da Democracia, porquanto assegurou o desenvolvimento integral dos arquipélagos, reforçou a coesão social e aproximou a decisão pública das realidades concretas sentidas e vividas pelas populações insulares.
Uma das realizações de maior sucesso, que se consubstancia, no caso da Madeira, na região do País que mais convergiu com União Europeia e que nos últimos dez anos quase duplicou o seu PIB, não obstante as múltiplas incompreensões, afrontas e suspeições de um poder central com vocação centralizadora.
O líder do Executivo Madeirense apontou igualmente a integração da Região Autónoma na então Comunidade Económica Europeia como um caso de sucesso, frisando que as políticas de coesão executadas na Madeira, permitiram uma modernização estrutural, educacional, social e cultural, impensável para as gerações anteriores, que não viveram esse período histórico.
Miguel Albuquerque relevou a aspiração de sempre dos Madeirenses e Porto-santenses pela Autonomia Política, vincando que aqueles que nos antecederam nunca duvidaram da sua portugalidade, mas que sempre desconfiaram da bondade do poder central, no que concerne ao seu estatuto de cidadãos portugueses de pleno direito.
E, volvidos 50 anos de poder Autonómico, salientou que os Madeirenses não precisam de proclamações da Pátria, mas de «decisões claras e efetivas da República para realizar na Madeira, o Portugal do futuro.