Decorreu no dia 22 de maio, sexta-feira, pelas 9 horas, na sala de sessões da Escola Secundária Francisco Franco, uma ação de sensibilização destinada a inspetores, órgãos de gestão das escolas e docentes em geral subordinada ao tema identificado em epígrafe: Ensinar na Era da Inteligência Artificial: O Fim dos Modelos Tradicionais, dinamizada pelo Engenheiro Luís Paulo Reis.
Quem é Luís Paulo Reis?
É Professor Associado com Agregação na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), em Portugal, e diretor do LIACC – Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores.
É membro sénior do IEEE, profissional certificado PMP pelo PMI, e exerceu cargos como presidente da SPR – Sociedade Portuguesa de Robótica e presidente da APPIA – Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial. Foi investigador principal em mais de 20 projetos de investigação nas áreas da inteligência artificial, robótica, aprendizagem automática, sistemas multiagente, simulação e jogos educativos/sérios.
Orientou até à conclusão 26 teses de doutoramento e 180 dissertações de mestrado nestas áreas. Tem sido avaliador de propostas e projetos nos programas europeus FP6, FP7, Horizon 2020 e Horizon Europe, bem como em programas nacionais da FCT e da ANI.
Foi orador convidado em dezenas de conferências internacionais e organizou mais de 60 eventos científicos internacionais. Recebeu mais de 70 prémios de mérito académico, científico ou pedagógico. É autor de mais de 500 publicações científicas em revistas e conferências internacionais.
De que se falou?
Resumo: A rápida evolução da Inteligência Artificial, em particular da IA generativa e dos grandes modelos de linguagem, está a transformar profundamente o ensino e a colocar em causa a sustentabilidade dos modelos tradicionais de ensino. Esta palestra analisou de que forma a IA altera a produção de conhecimento, os processos de aprendizagem e o papel dos docentes, deslocando o foco da transmissão de conteúdos para o desenvolvimento do pensamento crítico, da resolução de problemas e de competências humanas de maior valor.
À medida que os sistemas de IA passam a gerar texto, código e soluções com qualidade comparável à humana, os métodos tradicionais de avaliação baseados no produto final tornam-se insuficientes, exigindo uma transição para abordagens centradas no processo, na argumentação e na autonomia intelectual.
Falou-se também dos desafios éticos, cognitivos e pedagógicos, incluindo a dependência excessiva da tecnologia, os riscos para a integridade académica e a necessidade de literacia em IA. Com base nas tendências atuais — como modelos generativos, Retrieval-Augmented Generation e sistemas adaptativos — defendeu-se que a educação não está a terminar, mas sim a sofrer uma transformação estrutural profunda, exigindo uma integração responsável da IA que complemente, e não substitua, o desenvolvimento humano.