Miguel Albuquerque fez hoje o elogio do Serviço de Cardiologia do SESARAM, que considera estar a funcionar de forma excecional, elogiando ainda ao diretor daquele Serviço, António Drumond, que considera ser um dos melhores especialistas nacionais. E que está, como destacou, acompanhado por uma das melhores equipas de Cardiologia do País.
O presidente do Governo Regional, que falava na sessão de abertura do III Congresso de Cardiologia da Madeira (que decorre nas instalações do hotel Pestana casino), assumiu ainda ser necessário reforçar o quadro de cardiologistas do Hospital, que é, atualmente, de 11. E que irá contar, como anunciou António Drumond, com mais cinco. A contratar de forma progressiva.
Dirigindo-se aos participantes (cerca de 320) no Congresso de Cardiologia garantiu que tudo irá fazer para continuar a acompanhar e a apoiar a Cardiologia na Madeira e tudo o
que diz respeito ao Sistema Regional de Saúde. «É fundamental nós termos um Serviço Público de Saúde de primeira categoria. E o Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para manter a qualidade da prestação de cuidados públicos de Saúde aos nossos concidadãos», asseverou.
O governante acentuou ainda que o Serviço de Cardiologia do SESARAM funciona muito bem. «Temos, neste momento, uma Unidade de Apoio Intensivo aos Acidentes Cardiovasculares, que é das poucas existentes no País. E a grande maioria das pessoas a quem prestamos cuidados médicos sabem que é uma das melhores Unidades e que tem uma capacidade de resposta excecional», disse.
Mas, avisa desde já que não basta abrir concurso para contratação de médicos: «Temos de continuar com os mecanismos para fixação dos médicos no Serviço Regional de Saúde (o incentivo financeiro) e a manter a progressão nas carreiras, de forma consistente e progressiva».
Porque, alerta, é preciso ter a noção de que ou temos sustentabilidade do financiamento do Serviço Público de Saúde ou então haverá dois sistemas: um público para pobres e um privado para ricos.
Miguel Albuquerque garante que o seu Governo aposta tudo em manter um Sistema Público de Saúde de primeira. Mas, repete, os custos do Sistema têm de ser controlados.
O governante acrescentou «não vale a pena estar-se com ilusões: nos últimos sete anos, os custos dos medicamentos subiram 60%, o custo dos medicamentos oncológicos subiu 170% e nós temos de ter medidas de racionalidade, não é cortar, na gestão e evitarmos os gastos desnecessários para mantermos o nosso Sistema, de forma sustentada do ponto de vista financeiro». Senão, disse, «não teremos capacidade de resposta».
O líder madeirense reforça o aviso: «Se nós começarmos a perder valências técnicas, se começarmos a perder especialistas, se não fizermos a inovação tecnológica que tem de ser introduzida no Sistema Público de modo que esteja a par das clínicas privadas, o que vai acontecer é que as pessoas começarão a fazer seguros de saúde (a nível nacional já representam quase 40% da população portuguesa) e o sistema público começará a ficar depauperado, sem investimento e sem inovação».
Desta forma, entende ser fundamental evitar o subfinanciamento do Sistema de Saúde, o que passa, em muito, por «evitar que se façam exames sem qualquer controlo e muitas vezes sem ser necessário e ainda o excesso do consumo de medicamentos (neste momento, deitamos 19 toneladas de medicamentos fora)».
A propósito, lembrou: «O concurso que lançamos no IA Saúde é para termos uma ficha de cada doente, para podermos acompanhar aquele que é o consumo, quer de serviços, quer de exames, quer de medicamentos. Porque há muito desperdício».
«Temos de saber gerir bem os custos do Sistema e para isso temos de contar com o contributo dos excelentes profissionais que são vocês», exortou, dirigindo-se aos profissionais de Saúde.
No Congresso, anunciou que este ano serão realizadas, no SESARAM, 19 mil cirurgias! «São mais de cinquenta cirurgias por dia! É uma capacidade extraordinária a que nós temos», regozijou-se,
Por outro lado, garantiu que tudo continuará a ser feito no sentido de «assegurar a formação dos nossos profissionais de saúde». «E não é por acaso que a evolução, por exemplo, na Cardiologia tem sido extraordinária», complementou.
Miguel Albuquerque recordou ainda o Hospital Central e Universitário da Madeira, em construção, frisando que com «esta obra monumental o Sistema Regional de Saúde sofrerá mudanças profunda».
«São 171 mil metros quadrados de construção. Quem ainda não esteve na obra não tem a perceção do tamanho. O espaço é imenso e temos neste momento dois grandes desafios: o primeiro é assegurar que a transição entre os hospitais seja feita de forma consistente e sem problemas e o segundo desafio é conseguir gerir um espaço daquele tamanho de forma eficaz e financeiramente sustentada», acrescentou.
A propósito lembrou que Pedro Ramos, que lidera a Estrutura de Missão para o Hospital Central e Universitário da Madeira, esteve no Japão (a acompanhar o próprio Miguel Albuquerque), mas também esteve na China: «Nós estamos a fazer, agora, um levantamento daquelas que serão as necessidades do futuro Hospital, quer em termos de parcerias, quer em termos de evolução tecnológica».
O líder madeirense diz que o novo Hospital terá de ser uma unidade de ponta a nível tecnológico. «A Medicina de hoje tem muito a ver com a tecnologia de ponta. E, neste período de transição é fundamental termos os melhores parceiros e termos a melhor tecnologia», defendeu.
«Como é do conhecimento público, nós introduzimos no Hospital o Da Vinci, o robô cirúrgico. Vamos agora adquirir um novo robô para a ortopedia. O que significa que teremos a capacidade de fazer intervenções menos intrusivas, em que o doente não fique internado, mais eficazes, com menores custos e com maior celeridade», anunciou.
Segundo Miguel Albuquerque tudo isto obriga a que «haja uma grande atualização relativamente às novidades tecnológicas». «Fomos o primeiro Hospital público do País a ter o Da Vinci e isso tem-nos dado uma eficácia muito grande», sublinhou.
A concluir, reforçou ser importante alcançar um conjunto de parcerias com instituições de ponta para o futuro Hospital.