A Secretária Regional da Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido, visitou hoje a Associação Vale de Acór, em Almada, numa deslocação de trabalho destinada a conhecer de perto um dos mais reconhecidos modelos portugueses de acolhimento, tratamento e reinserção de pessoas em situação de dependência, exclusão social e sem-abrigo.
A governante esteve acompanhada pela Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Segurança Social da Madeira, Nivalda Gonçalves, e pelo Diretor da Pastoral Social da Diocese do Funchal e Presidente da Casa São José – Centro Social e Paroquial do Carmo, Padre Marcos Pinto.
A comitiva foi recebida pelo fundador e Presidente da Direção da Associação Vale de Acór, Padre Pedro Quintela, que apresentou o percurso da instituição, fundada em 1994, bem como a metodologia terapêutica e educativa desenvolvida ao longo de mais de três décadas junto de pessoas com dependências de álcool e drogas, sem-abrigo e outros cidadãos em situação de elevada vulnerabilidade social.
Durante a visita, Paula Margarido teve oportunidade de conhecer as diversas respostas sociais da instituição, desde a intervenção de proximidade junto de pessoas em situação de sem-abrigo, passando pela casa de entrada, comunidade terapêutica e apartamentos de reinserção, onde o objetivo é proporcionar um percurso gradual de recuperação da autonomia, da dignidade e da integração social.
O método utilizado pela Associação Vale de Acór, inspirado no modelo italiano "Projeto Homem", assenta numa abordagem humanista que privilegia a responsabilidade pessoal, a vivência em comunidade, o trabalho estruturado, a capacitação e a reconstrução dos laços familiares e sociais, procurando olhar para cada pessoa para além da sua dependência ou da sua condição clínica.
Ao longo da reunião foram debatidas as potencialidades de adaptação desta metodologia à realidade da Região Autónoma da Madeira, tendo sido analisados os desafios específicos colocados pelo fenómeno das dependências, da exclusão social e das pessoas em situação de sem-abrigo numa realidade insular.
Paula Margarido sublinhou que "é essencial conhecer experiências que apresentam resultados consistentes e metodologias diferenciadas, para perceber de que forma podem inspirar ou complementar as respostas existentes na Madeira".
A Secretária Regional acrescentou que "o combate à exclusão social exige capacidade de inovação, abertura ao conhecimento e disponibilidade para aprender com quem, ao longo de muitos anos, construiu respostas eficazes e centradas na pessoa".
A governante destacou ainda que a recuperação não depende apenas de respostas assistenciais, mas também da criação de percursos estruturados de autonomia, responsabilização e reintegração comunitária, princípios que marcam a intervenção desenvolvida pelo Vale de Acór.
A visita integra um conjunto mais alargado de contactos institucionais que a Secretaria Regional da Inclusão, Trabalho e Juventude tem vindo a promover junto de organizações nacionais que desenvolvem metodologias inovadoras nas áreas das dependências, da intervenção junto de pessoas em situação de sem-abrigo e da inclusão social.
Neste âmbito, recorde-se que a Secretária Regional já havia realizado anteriormente uma visita técnica à Associação Ares do Pinhal, igualmente com o objetivo de conhecer boas práticas suscetíveis de serem adaptadas à realidade madeirense.
Segundo Paula Margarido, "não se trata de importar modelos de forma acrítica, mas de identificar aquilo que funciona, avaliar a sua viabilidade e retirar ensinamentos que possam contribuir para reforçar as políticas públicas de inclusão social na Madeira".
A governante concluiu sublinhando que "o compromisso do Governo Regional passa por continuar a procurar respostas cada vez mais eficazes, humanas e diferenciadas, colocando sempre a dignidade da pessoa no centro da intervenção social".