Mais de 36 hectares do Paul da Serra foram alvo de uma recuperação biofísica e paisagística através do reaproveitamento de materiais sobrantes da escavação da Barragem e Albufeira do Pico da Urze, construída pela Empresa de Electricidade da Madeira (EEM).
A iniciativa, associada às medidas ambientais da construção da Barragem e Albufeira do Pico da Urze, constitui um exemplo de valorização ambiental e de economia circular aplicada a uma infraestrutura estruturante para a Região, permitindo transformar materiais excedentários em recursos úteis para a recuperação de solos, a estabilização de áreas degradadas e a promoção da biodiversidade local.
A implementação deste projeto foi testemunhada no local pelo Secretário Regional de Equipamentos e Infraestruturas, Pedro Rodrigues, e pelo Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, numa deslocação que permitiu verificar a evolução da intervenção e os resultados já alcançados no âmbito da recuperação ambiental.
O projeto contempla duas áreas principais de intervenção. A recuperação paisagística das bermas das vias de comunicação no Paul da Serra, abrangendo cerca de oito hectares, enquanto a recuperação biofísica entre Campo Pequeno e Lajeado incide sobre uma área de 28,43 hectares, particularmente afetada por fenómenos de erosão e pela ausência de solos adequados à regeneração natural do coberto vegetal.
Entre os principais objetivos do projeto estão a recuperação de áreas ambientalmente degradadas, a melhoria das condições para a regeneração da vegetação natural, a promoção da estabilidade dos solos e a valorização paisagística de uma zona de elevada sensibilidade ecológica.
Neste âmbito, os materiais resultantes da escavação da barragem, sem características estranhas ao Maciço Montanhoso Central, foram utilizados de forma criteriosa para apoiar a reposição de solo, a revegetação com espécies indígenas e a compensação ambiental associada à intervenção.
23 mil plantas endémicas e remoção de espécies infestantes
No âmbito dos trabalhos desenvolvidos, foram plantadas cerca de 23 mil plantas endémicas, cedidas pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), distribuídas por oito espécies distintas. A plantação contribui para o reforço da biodiversidade, para a recuperação do equilíbrio ecológico da área intervencionada e para a consolidação do coberto vegetal.
Paralelamente, a Empresa de Electricidade da Madeira (EEM) tem vindo a assegurar trabalhos de remoção de espécies infestantes. A vegetação plantada apresenta um bom desenvolvimento, evidenciando uma adequada adaptação das espécies endémicas às condições climáticas locais.
A visita ao local permitiu evidenciar, no terreno, a dimensão ambiental desta intervenção, bem como demonstrar o contributo do projeto para a mitigação de impactes, para a reabilitação de áreas sensíveis e para a valorização sustentável do território.
Constituiu, assim, uma oportunidade para acompanhar de perto os resultados já alcançados e confirmar o alinhamento da intervenção com os objetivos regionais de sustentabilidade, proteção ambiental e gestão responsável dos recursos naturais.
Este projeto demonstra que é possível conciliar a execução de infraestruturas estratégicas para a Região com soluções de valorização ambiental, recuperação paisagística e proteção dos recursos naturais, contribuindo para um território mais resiliente e sustentável.
A visita permitiu ainda reforçar a relevância da cooperação institucional na concretização de projetos que associam o desenvolvimento de infraestruturas essenciais à preservação ambiental e à gestão responsável do território.