Ao olhar para o meu percurso, percebo que nem sempre segui um caminho linear, mas foi precisamente isso que o tornou tão significativo. Chamo-me Ana Liseth da Silva Brito, tenho 39 anos, nasci na Venezuela e vivo na Região Autónoma da Madeira desde os três anos. Foi aqui que cresci e fiz todo o meu percurso escolar.
Durante a escola, enfrentei algumas dificuldades, sobretudo nas línguas estrangeiras. O inglês foi, sem dúvida, o meu maior desafio. Ainda assim, consegui concluir as disciplinas do 12.º ano, mas deixei o inglês em atraso, o que acabou por impedir a conclusão do ensino secundário naquela altura.
O sonho de ser professora acompanhou-me sempre, mesmo quando a vida me levou por outros caminhos. Cheguei a tentar ingressar no ensino superior através do acesso para maiores de 23 anos, mas não consegui. Acabei por deixar esse sonho em pausa e optei por tirar uma formação como auxiliar de infância, porque aquilo que mais queria era trabalhar com crianças.
Mais tarde, através de concurso público, comecei a trabalhar como assistente operacional na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos do Caniço, função que desempenho até hoje. E foi precisamente por estar diariamente dentro de uma escola que algo voltou a despertar em mim. Senti que precisava de terminar o 12.º ano, por mim, pela minha realização pessoal, e porque, no fundo, nunca é tarde.
Foi através de uma colega de trabalho, que conheci o Centro Qualifica. Ela tinha passado pelo mesmo processo e isso deu-me confiança para avançar. Sabia que seria uma mais-valia para a minha vida profissional e que conseguiria conciliar tudo com o trabalho e a família. Sou mãe de uma menina de 7 anos, e isso tornou este desafio ainda mais exigente, mas também mais especial.
No Centro Qualifica encontrei apoio, compreensão e motivação. Com a ajuda dos colegas, da Professora Neli Rodrigues, do Professor Flávio Sousa e da Dra. Cátia Olim, consegui finalmente concluir o 12.º ano, um momento de enorme orgulho para mim.
Foi também nessa altura, que o sonho antigo voltou com força. Lembro-me de pensar: “por que não?”. Comecei a procurar alternativas e percebi que entrar no ensino superior já não era algo tão distante. Decidi candidatar-me à Universidade Aberta, precisamente por permitir um ensino mais flexível, ajustado à minha realidade.
Hoje, estou a frequentar a Licenciatura em História, o curso que escolhi como primeira opção.
Escrevo este testemunho um ano depois de ter concluído o meu percurso no Centro Qualifica e de ter sido admitida na Universidade Aberta. Se é difícil conciliar tudo? É muito. Mas o orgulho no caminho que fiz dá-me força todos os dias para continuar.
Mais do que tudo, faço-o também pela minha filha, para que ela cresça a saber que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, que nunca é tarde para recomeçar e que, às vezes, tudo começa com um simples “clique”.
O Centro Qualifica foi, sem dúvida, esse “clique”, esse ponto de viragem na minha vida.